COLUNA DA TERÇA



(publicada ontem, no Lance!)

JOGAR BEM

No Campeonato Espanhol, a vitória do Barcelona sobre o Real Madrid gerou uma quase decisiva diferença de seis pontos entre os rivais. Na histórica relação dos dois clubes, a goleada humilhante imposta pelos catalães – no estádio do adversário – abriu mais uma ferida no orgulho madridista. Para o resto do mundo, a lição de futebol coletivo oferecida pelo Barcelona foi um exemplo prático do que significa a expressão “jogar bem” (mesmo que, neste caso, “bem” nem se aproxime de qualificar adequadamente o que se viu no sábado, em Madri).

Acostumamo-nos a ler e ouvir que existem diferentes formas de jogar futebol. Não é verdade. Na melhor das hipóteses, esta é uma frase mal formulada. Existem, sim, várias maneiras de competir no futebol. As escolhas entre elas se dão de acordo com circunstâncias e convicções, e devem ser respeitadas desde que não sejam baseadas no antijogo e/ou na violência. Ocorre que competir e jogar não são sinônimos. Como dizem os pragmáticos e seus apologistas, é possível competir abdicando da bola e investindo em outros aspectos. É possível até competir bem com esse tipo de proposta. Mas para jogar é preciso ter a bola, conservá-la, fazê-la circular e, a partir dessa ideia, determinar tudo o que acontece em campo.

Quando um time aplica esses conceitos com os futebolistas certos, temos o que se chama de “jogo”. Quando esse time se mostra superior em jogo, independentemente de vencer ou não (pois jogar é mais difícil do que ganhar), finalmente podemos dizer que “jogou bem”. E quando um clube não negocia essas ideias, trabalha para aperfeiçoá-las com jogadores formados em casa ou contratados, e torna o jogo um idioma próprio, surge um time como o Barcelona. Um time que expõe a falácia de que é necessário decidir entre jogar bem e ganhar, como se fossem dois caminhos que não se cruzam e não podem levar ao mesmo destino. E como se jogar bem não fosse a única maneira de ganhar sempre.

A decisão que se apresenta, de fato, é entre jogar e competir. E até mesmo essa decisão merece uma análise desconfiada, pois quem viu o Barcelona em dias como anteontem e tem a coragem de lhe fazer críticas certamente sofre do terrível mal de apreciar o futebol vulgar. O jogo do Barcelona é o produto final de um processo custoso, acima de tudo, em trabalho. Optar por ele é o dilema que se impõe, antes de orçamento, estrutura ou nomes. O futebol de posse é uma questão de conceitos e treinamento.

No sábado, o trabalho do Barcelona foi facilitado por um Real Madrid sem alma e sem neurônios. As imagens que exibem o time dividido entre defesa e ataque, com uma enorme faixa de campo entre esses dois blocos, revelam o tamanho do equívoco e ajudam a explicar o resultado numérico. Mas, lembre-se, estamos falando de jogo. O primeiro gol do Barcelona nasceu de uma jogada de trinta e cinco passes, que consumiu um minuto e quarenta e cinco segundos e teve a participação dos dez jogadores de linha. O movimento final foi gerado por um passe entre linhas de Sergio Busquets para Sergi Roberto. Dois jogadores que, desde a adolescência, conhecem o significado de jogar bem.

6 x 1

Em Itaquera, a maior goleada que o Corinthians já aplicou no São Paulo em todos os tempos serviu como entretenimento ideal para o torcedor que foi ao estádio ver Ralf erguer a taça. O campeão brasileiro de 2015 fez seis gols com uma escalação caracterizada pela presença de jogadores suplentes, o que deveria ser suficiente para uma avaliação do trabalho de Tite. Há uma grande diferença entre dizer “não vejo nada demais” em um time de futebol e afirmar que “não há nada demais” nesse time apenas por não enxergar. O conhecimento do jogo está disponível a todos e deveria ser um objetivo de quem pretende levá-lo a sério. A vantagem em relação ao segundo colocado subiu para quatorze pontos; em relação ao quarto, para vinte e quatro.



  • Rodrigo-CPQ

    Pra variar, belo texto, AK. Sobre o Corinthians, quase nada a acrescentar. Mas será que só eu me lembro do Vicente Matheus nessas horas? Como eu gostaria de ver, nem que fosse algum dirigente das antigas, com uma camisa homenageando o Matheus, ou ainda, a Elisa. Melhor ainda: os dois!!! Como disse pro Felldesign quando o Doutor nos deixou, tenho a nítida imagem do Matheus e da Elisa, com a camisa puída e a bandeirinha do Timão esperando o Sócrates pra um abraço. Bão, os três estão felizes, é certo…

  • Juliano

    Irretocável AK.

    A notinha também. Título incontestável, o abismo em pontos (e em futebol BEM JOGADO) estampam com clareza. Faço apenas duas pequenas ponderações, a primeira uma pequena provocação:

    1) De 4 campeonatos disputados (estadual, liberta, copa do br e brasileirão), venceu 1, ou, 25%. O que era aclamado como “time de ucl” caiu no estadual e na liberta para um pequeno do PY, e na copa br pro Santos, que esteve na ZR o primeiro terço do campeonato. Com o maior patrocínio do Brasil, maior cota da tv, maior torcida (que gera maior renda e maior arrecadação em vendas de produtos oficiais), é pouco para o time mais rico do Brasil. Comparações com o Barça são equivocadas, pois o Barça vence tudo o que disputa em uma temporada, até par-ou-ímpar, tendo um rival rico à altura dentro da Espanha e alguns fora. Qual clube que faz frente à riqueza do Corinthians hoje no Brasil e na América? Era pra ser o Barcelona daqui… como não é, 1 título em 4 é pouco. Fazendo uma comparação breve, o Santos disputou 3 e poderá conquistar 2 (ainda que eu ache que a copa br tem grande chance de escapar), ou 66%. Pra um clube sem patrocínio, cota da TV ridícula, torcida pequenina (quem vai torcer pra um time que não passa na tv?), não é pouca coisa.

    2) Fazendo o link com a riqueza mencionada, recomendo aos leitores desse blog visitarem o blog do Flávio Gomes e lerem o texto intitulado “Neo-Futebol”. Faço coro, tudo está mais fácil, logo títulos são obrigações para um clube nesta posição.

    Abraço!

    • José Henrique

      Fui até lá ler o texto que o amigo sugeriu. Como se trata de uma crítica ao meu time, o Corinthians, gostaria que visitasse o Blog do Silvinho, no G1, e atentasse para o texto intitulado “A gente está pirando a anticorinthianada”.
      E faço coro mesmo. Títulos e mais títulos, é tudo o que desejamos mesmo.

      • Juliano

        Sr José Sapiente do monopólio dos comentários,

        Há muito tempo sugiro tratamento, em vão. O texto não é sobre o “seu time”, “Corinthians”, ou o que quer que você tenha dificuldade de compreender em sua mente tacanha. O texto é sobre o NEO-FUTEBOL, como estampado no título. A era atual em que o futebol se transformou. O fato de o Corinthians protagonizar o exemplo maior do que o texto se refere deve-se a outro fato, de ter sido o escolhido pela TV para ser campeão. Após a repercussão do texto, Flávio Gomes explica isso em um entrevista ao Yahoo.

        Pessoalmente, além do óbvio que está escrito e ainda assim não compreendido por alguns, está claro o saudosismo ao futebol dos estádios, em vez do futebol das arenas. Não é preciso concordar com isso, mas tudo bem ser saudosista, qual o problema? Ainda, além de exemplo, o corinthiano foi homenageado no texto, só você não percebeu. O corinthiano de alma, que sofria, o corinthiano que saiu do meio do povo. Releia e tente detectar estes elementos, não vou me alongar mais em te explicar o que está escrito.

        A repercussão foi muito positiva por torcedores de todos os clubes, sem distinção. Da sua parte, não esperava nada diferente. Que bom que conheço corinthianos melhores.

        Para o seu caso específico, outro jornalista esportivo, Mauro Cezar Pereira, escreveu um texto intitulado “O anti-corinthiano”, há alguns meses. Não coloco o link pois quando o fiz o comentário foi moderado mais de uma vez e não passou. (Será mais uma?)
        De todo modo, já que ‘o amigo’ está aceitando leituras sugeridas, ainda que com muita dificuldade de interpretação, leia mais este. É o seu retrato fiel.

        Abraços!

        • José Henrique

          Ok. Depois de tirar o titulo do Corinthians com o “manchado”, agora querem tirar o “maloqueiro sofredor”. Claro que não. Querem devolver. Leia isto, você e o seu idolo MCP. “O “Corinthians da angústia” não existe mais, ainda que possa ser eventualmente usado como mais uma peça bem-sucedida de marketing. O que se vê hoje, dentro e fora de campo, não é um time que poderia disputar a Liga dos Campeões, mas sim aquele capaz de despertar o mais sincero sentimento de inferioridade nos rivais. “Graças a deus”, dirão os corintianos, sem qualquer resquício de sofrimento.

    • Rodrigo-CPQ

      Caro Juliano, os números não mentem, mas são facilmente manipulados, né? A pior fase do Corinthians no ano foi justamente no final da primeira fase da Libertadores, quando teve uma queda vertiginosa de rendimento. Em seguida, caiu nos pênaltis contra o Palmeiras, resultado totalmente normal. Foi eliminado na Copa do Brasil, eu mais um momento de baixa na temporada (não tão acentuada como na Libertadores). E foi eliminado pelo Santos, que montou um baita time no decorrer do campeonato (tá vendo como é fácil manipular? você cita o Santos na ZR do Brasileiro, mas nem lembra que o time briga, agora, pelo G4!!!). Mas será que é difícil perceber qual clube teve maior regularidade na temporada?

      Receita, dinheiro, grana, todo clube grande tem. Uns mais, outros menos. O Flamengo recebe tanto ou mais que o Corinthians, e nem chega perto em desempenho. Outros clubes recebem uma grana gorda e não ganham nada relevante há anos. O Corinthians está aí, desde 2009, na ponta dos cascos. Só não vê quem não quer…

      • Juliano

        Rodrigo, seu comentário está fora de contexto, em nada tem a ver com o que eu escrevi. Além disso, voce comenta com o coração.

        O futebol de altíssimo nível que o Corinthians atingiu neste ano se deve quase 100% ao Tite, que voltou renovado e tem o elenco na mão. Mas ter menos jogos devido às eliminações nas outras competições colaborou para o elenco se manter saudável e ao jogar menos sobrou mais tempo para treinar. É tudo que um técnico do nível do Tite deseja: tempo.

        Na ponta dos cascos desde 2009? É pouco! Porque é o time mais rico do país desde muito antes de 2009. Repito: pro time mais rico do país, é obrigação. Encaro com normalidade (e obrigação) o Corinthians ganhar, AO MENOS, metade dos campeonatos que disputar POR ANO com o orçamento que tem. Aproveitem e festejem. E a cada fracasso, os rivais que se deleitem.

        O Santos ter se recuperado e ter voltado ao G4 em NADA, absolutamente NADA tem a ver com seu orçamento, que é baixo demais, nem se compara com o do Corinthians.

        Abraço!

        • Rodrigo-CPQ

          Ah, está fora de contexto e nada tem a ver com o que você escreveu?? Meu Deus…

  • José Henrique

    Achei que o SPFC entrou amedrontado em campo. Depois de ganhar de 4, e de virada do Galo, (este uma caricatura de time que o Levir tentou vender) esperava-se um time com vontade de vencer o Corinthians. O time reserva, foi uma jogada genial de Tite. Se colocasse os titulares, uma derrota apagaria o brilho da equipe campeã. Os reservas entraram com uma vontade de mostrar jogo impressionante. Mesmo depois de 5, a marcação não afrouxou. Admirável o sistema de jogo que o Corinthians está adotando inclusive em suas categorias de base. O Sub 20, ganhou de 4×0 do Santos na Vila, e pode ser campeão na arena Corinthians.

  • José Henrique

    Um grande campeão e um grande time. Time caseiro que vence apenas uma partida fora de casa em um campeonato já com 36 rodadas, definitivamente não tem comparação mesmo. Quanto as cotas de TV, como disse muito bem o Tiago Leifert: “Assistam jogos do seu time”. Partidas com 4.000 “testemunhas”, e média de pouco mais de 8.000 torcedores realmente não pode aspirar nada mesmo, a não ser tentar tirar de quem dá audiência e defender a socialização ou o “bolsa quotas de TV”.

  • capetinha

    Será que oo esse time do Corinthians aguentaria meia hora de jogo no ritmo do BARCELONA?

    • José Henrique

      Acho que nenhum time brasileiro suportaria. O Corinthians certamente não perderia de 8, porém , se Iniesta, Messi e Neymar estivessem no time do Tite, apostaria no inverso.

      • Teobaldo

        Com Iniesta, Messi e Neymar no time do Tite seriam 17 contra 8… desse jeito até eu apostaria (uma quantia mínima) no inverso!

  • RENATO77

    “Never hate your enemies. It affects your judgment.” – Michael Corleone.
    Relembrando frases de filmes.
    Abraço.

  • José Henrique

    Quando o Corinthians foi chamado de time da “marginal sem número”, “arroz brejeiro”, “sem casa”, “peru”, “faz-me rir”, “desdentados”, etc.etc., essa era a época ideal para alguns jornalistas hoje escandalizados com “banheiros limpos”, estádios sem alambrados, ou fossos, e assentos decentes. Para estes (lógico que odeiam o Corinthians, e afirmam isso ao vivo e a cores) tempos bons eram aqueles. Hipócritas. O infeliz não sabe o prazer que nós corinthianos sentimos só em saber que nosso estádio existe. Nem precisamos frequentá-lo para senti-lo.
    Da mesma forma, os adjetivos eram os mesmos, quando com nossa audiência, dividíamos as “cotas” da TV entre os “clubes irmãos” (até a página 3).
    Quando passamos a receber o justo, de acordo com o retorno que proporcionamos aos anunciantes e financiadores do futebol, vem alguns despeitados argumentar absurdos como “espanholização”, “ganhar não é mais que obrigação”. Obtusos esquecem seletivamente que no futebol, tres resultados são possiveis a um time igual a muitos, quando se trata de CORINTHIANS.

    • Alisson Sbrana

      Sinceramente, entendo sua revolta.

      Os primeiros comentários que você coloca são preconceituosos. Já vi muitos torcedores rivais, até mesmo do meu santos, fazendo esse tipo de comentário. Tem nisso um fundo grande de preconceito, racismo e tudo de pior. Tem também aquele sentimento de torcedor rival, que é ignorante e não tem noção do que pode ofender o outro, que usa qualquer arma para irritar o adversário (ou todo racismo também é uma espécie de ignorância). Sobre isso, podemos colocar também as torcidas rivais quando chamam os são paulinos de “bambis”, imputando um caráter homossexual ao torcedor do são paulo e, como é preconceituoso, um caráter pejorativo à orientação sexual dos gays aliado ao apelido.

      É bem triste isso, porque representa o que há de pior na nossa sociedade. Ainda que, muitas vezes, a gente desassocia esses pecados e desculpamos por serem apenas “torcedores do futebol”. Lembremos o caso da ofensa ao goleiro Aranha.

      Ainda assim, não sei isso acabou com o novo estádio. E mesmo se tiver acabado, não sei se aqueles tempos deveriam ser mal recordados pelo corinthians, porque, como torcedor de outro time, consigo reconhecer ali, principalmente nos anos 70 e 80, as qualidades que fazem a história do corinthians ser diferente dos demais clubes. Quer dizer, os torcedores ignorantes irão continuar ofendendo com ou sem banheiro. E no tempo do “sem banheiro” o corinthians também era campeão indiscutível de campeonato nacional.

      Ainda assim, não consigo ver nos jornalistas que defendem o modelo mais antigo de torcedor, que torcia em pé, como uma marca de ódio ao seu time. Se você acompanha o Flávio Gomes, verá que ele “odeia” todo time grande. Na verdade, duvido que ele odeie, mas é uma forma de apoiar o time pequeno, qualquer pequeno, contra todo time grande. Repare como ele fala do Palmeiras, ou do São Paulo, ou mesmo do meu santos, que por critérios comerciais, é o menor desses todos. O corinthians repercute mais que os outro de são paulo, e igual, ou quase, ao flamengo, por causa da maioria de torcedores.

      Enfim, nesse debate inútil aqui com você… (inútil porque sua posição é muito dura, muito passional, com características de fanatismo pelo clube que ama) (e inútil também porque nossa opinião, mesmo que um mudasse a do outro não interferiria no mando ou desmando do nosso futebol)… só gostaria de saber qual é o justo que você se vangloria? Assim, nominalmente, qual é o valor justo que o Corinthians tem que receber pelo tamanho da torcida e pelo tamanho da audiência? Se esse justo é o mesmo do flamengo? Se tem como colocar isso em porcentagem relacionando audiência, torcida e etc?

      Talvez seja essa a questão. Talvez você nem saiba quanto ganha, qual a diferença, ou quanto ganharia em outra proposta e apenas pega um discurso de diretoria covarde (como todas, a do meu time até mais), que empurra pro torcedor fanático mentiras e desculpas desonestas por uma má administração (não só de um clube, mas do futebol brasileiro como um todo).

      Então, você pode dizer aí qual é esse justo que você/seu time tem que ganhar e por que?

      • José Henrique

        Como o debate é inútil, e sou fanático que se deixa levar por mentiras a mim empurradas,respondo que não sei o que é justo. Você pode me ensinar? Sou do tempo em que as empresas anunciavam seus produtos e pagavam mais ou menos pelos espaços de acordo com o “share”, no caso de quotas de TV.
        Mudou isso?

        • Alisson Sbrana

          Claro que não poderia te ensinar. Aliás, só estou tentando entender o teu argumento sempre repetido aqui. Te fiz a pergunta porque li no seu texto que vocês passaram a receber o justo. Como é isso?

          Pergunto porque sempre contesto a atual divisão, mas nunca parei para pensar que “agora vocês estão recebendo o justo”. E agora, quando me fiz essa pergunta por sua causa, pensei se o Joinville está recebendo o justo, ou se está recebendo mais do que merece. Enfim, espero que você possa me ajudar a entender o seu critério de justiça. Porque antes não era justo e agora é? Como podemos ver isso concretamente?

          Você realmente tem alguma ideia disso ou é apenas porque estão recebendo a maior cota é que pensa dessa maneira? Não posso dizer que contesto a divisão porque não recebo a maior, porque não sei como é. Acho que contestaria, mas como vou saber, ou como vou provar que o faria? Enfim, você consegue me explicar isso de uma maneira que eu possa entender o argumento de justiça?

          (Na sua resposta, você fala da lógica do comercial de televisão… mas eu poderia manter a mesma lógica, com as porcentagens maiores e menores para os mesmos times, apenas diminuir o abismo entre eles… exemplo, o primeiro time, o que ganha mais – pela lógica do comercial, mais torcida, mais audiência, continuará ganhando mais que o segundo, mas a diferença entre o primeiro e o vigésimo não pode ser maior que a cota do vigésimo. — quer dizer, seria a mesma lógica, apenas sem o abismo entre um clube e outro. Mas não é isso, certo? Não é isso que é o seu “justo”, certo?)

          • José Henrique

            Parei quando você perguntou se antes não era justo, e agora é. Ou seja, você achava que antes era justo? Você já parou para verificar quanto seu time recebia antes “quando era justo” (segundo você), e quanto recebe agora.? Olha Alisson, me desculpa mas, depois que o Corinthians resolveu negociar sozinho, depois de décadas (décadas) vendo seus jogos serem transmitidos muito mais que os outros, inclusive na série B, e recebendo cotas iguais a outros, começou esse mimimi é chororô sem fim. Eu entendi perfeitamente o porque do chororô com o término da “bolsa quota”. E aí começou essa história de “espanholizacao” etc.
            Antes quando eram 3 times que recebiam cotas iguais, não existia “espanholizacao”, agora que tem dois existe?. Só falta você argumentar que o Corinthians então deve disputar um campeonato sozinho. Agora que sua preocupação não é com o Joinville, qualquer um sabe que é pura demagogia. Não era antes, é muito menos é agora. Sua preocupação como fã do Flávio Gomes, é a mesma dele como você admitiu, ou seja contra time grande. E pode esquecer que nos Corinthianos queremos nos apequenar . Vocês querem. Continuem querendo e nos dando audiência, que agradecemos.

            • RENATO77

              Sou a favor de uma divisão mais igualitária dos direitos da TV desde que TODOS os clubes sejam patrulhados com a mesma intensidade e rigor que o SCCP é…pela “imprensa investigativa”, procuradorias e outros doentes com poder.
              Quando a lavagem de dinheiro acabar PARA TODOS, aí a gente começa a conversar sobre divisão do dinheiro da TV.
              Porque com a lavagem correndo solta, a questão da grana se iguala “naturalmente”…quem não tem globo, tem “investidores” misteriosos que a “mídia investigativa” não se importa em apurar quem são e de onde vem o dinheiro….não dá audiência investigar time sem apelo popular…pró ou contra.
              Vimos um bicampeonato do Cruzeiro(PERRELA$$) e super times nos dois clubes mineiros, além de super elencos nos dois gauchos, isso há pouquíssimos anos atrás. Numa clara demonstração de “riqueza” sem origem justificada, já que são tão “pobrezinhos”…
              Tudo isso pós negociação individual clubes x TV. Poucos se importaram em saber como e de onde vinham os recursos dessas agremiações supostamente prejudicadas pela mudança nas negociações da cotas.

              Aos santistas de plantão, sempre defensores da probidade e justiça no futebol, e de quebra olho grande na grana do CORINTHIANS(fosse outro não seria o mesmo chororô), sugiro um pente fino na administração de Marcelo Teixeira, baby boss do clube por…dez anos? Sei lá pois não patrulho outros clubes que não o meu. Também na administração do município de Santos(onde moro) e suas relações obscuras com o maior clube da cidade, numa confusão incrível entre o que é público e o que é privado. Quem e qual a origem da TEISA? Quem e qual a origem da DIS? Porque o BMG investe(ia) tanto no futebol?

              Mas…será em vão porque o SFC não dá IBOPE…seja dentro ou fora do campo. Aqui não tem procurador questionando…blogueiro inventando teorias de conspirações interplanetárias…
              Vejam, chamar menos a atenção tem suas vantagens. A lavanderia Santa Cecília operou a todo vapor por anos e ninguém questionou.
              Abraço…e aceita que dói menos…aproveitem e deêm uma lida…
              http://blogs.lance.com.br/andrekfouri/2011/02/23/era-mentira/

              • Alisson Sbrana

                Opa, Renato, apesar de um teor um pouco exaltado eu concordo com quase tudo. Só não concordo com tudo porque você, menos que o José Henrique, é verdade, faz parecer choro de santista, se não tivesse esse adendo no final, diria que concordo com tudo.

                Acho que é bem isso que você falou, ou pelo menos perto disso, de que a pouca luz da imprensa investigativa permite o acharque ao clube por parte de supostos bons diretores. Realmente falta profissionalização, falta competência e sobra muita coisa esquisita, nas administrações santistas e de outros clubes.

                Mas é bem isso também. Ninguém se importa tanto com um time que não dá Ibobe, embora o santos até consiga, de tempos em tempos, furar as grandes torcidas (os times de 2002/03 e o do Neymar eram bem transmitidos pela TV), embora seja por condições “extraordinárias”. Tanto que, hoje o que se fala dos negócios envolvendo a venda do menino é a única preocupação nesse ambiente de “negócios” sendo investigados.

                E também concordo com o que li do AK, que as cotas não devem ser iguais. E ainda, acho que o corinthians tem mesmo que manter a posição que você e o José Henrique apoiam. Opinião pessoal é que as cotas deveriam ter diferença, só não deveriam ser tão abissais. Os clubes que se sentissem pouco prestigiado deveriam se impor, mas eles não têm coragem, ou estão com “rabo preso”. Vou responder lá no José Henrique… já volto.

              • Alisson Sbrana

                Opa 2, Renato!

                Que bom que você trouxe o texto do AK. Muito esclarecedor e vai bem de encontro ao que penso. Vou colar uma resposta dele a um comentário lá:

                ——
                AK: Tentando esclarecer: a conclusão não é que não se deve dividir cotas de forma mais equilibrada. É que a divisão igualitária não produz, necessariamente, mais times com chances de ganhar o campeonato.
                ——–

                Eu concordo. É isso. Não são cotas iguais que vão equilibrar o campeonato. E não acho que elas devem ser iguais, apenas mais equilibradas, o que também não vai equilibrar o campeonato, por assim dizer.

                Além das cotas, times como o seu e o flamengo sempre estarão na frente em outros recursos que garantem renda: patrocínio, renda de jogo, espaço na imprensa nacional, por exemplo.

                Mas antes havia pouca importância sobre o tema das cotas, talvez porque elas não fossem tão significativas como agora.

                Falando sobre o Santos, que acompanho um pouco mais (porém não sei tudo e você, morando na cidade, deve saber até mais), posso perguntar se a pouca exposição depois que ficou evidente a saída do Neymar (em 2013) não influencia no fracasso de conseguir um patrocínio definitivo para a camisa.

                Claro, o fracasso de um não é problema de outro. Mas acredito piamente que o desmantelamento de grandes equipes, como Vasco, Bota-fogo, Bahia, Atlético Mineiro, vão contribuir apenas para aumentar o abismo entre o futebol brasileiro e o europeu. A exposição na TV já dá aos principais times muitos recursos fora os dividendos das cotas, por isso esses dividendos não precisavam ser tão superlativos na hora de pesar as rendas de cada equipe.

                E claro, o principal motivo pelo esfacelamento de grandes equipes com grandes torcidas não são a divisão de cotas, mas as péssimas (e pouco confiáveis) administrações. Mas como o calendário brasileiro, a divisão de cotas também tem seu papel para nosso futuro no cenário mundial. Ou não?

            • Alisson Sbrana

              Pode continuar, porque eu não achava justo antes. Eu não sabia direito. Aliás, não sei direito. É um argumento muito ignorante o meu. Eu realmente não sei e estou abraçando o discurso de gente que sigo e confio na opinião, como um Trajano, um Mauro Cesar, ou um Flávio Gomes.

              E tem mais, não sei o que eles pensam exclusivamente sobre cotas, se acham justo ou não.

              Tenho a absoluta certeza que nunca foi justo. Nunca e em critério nenhum, pelo jeito, porque pra você também não era.

              Acho que finalmente entendi o que você quer dizer com AGORA É O JUSTO, escrito em algum lugar aí em cima. Você acha que os times passaram anos se aproveitando do Corinthians (e do Flamengo), da grandeza, da audiência, e agora é hora de dar o troco.

              Bom, posso responder sinceramente que só comecei a ver esse tema no debate quando o corinthians começou a negociar sozinho. A atitude é correta. Não questiono a autoridade do Corinthians em fazê-lo. Posso argumentar que é ruim para o desenvolvimento do futebol, mas você e o Renato aí abaixo vão pensar que quero dizer que “é ruim para o meu time”. Ok, também pode ser um pouco disso. Mas repare no que vou repetir: acho que o corinthians está no pleno direito de negociar sozinho, e que deve realmente pleitear mais tudo, dinheiro, transmissão, patrocínio, etc etc etc. Mas isso não tem nada a ver com justiça. Tem a ver com poder.

              Dividir igual a antes também não é justiça.

              Dividir igual entre todos também não seria justiça.

              De minha parte, a única justiça que imagino é que deveria haver “menas” diferença. Mas acho que não é um problema de quem ganha mais e sim de quem ganha menos se fazer valer de sua importância. Eu só entrei aqui nesse debate inútil porque nunca entendi porque você acha justo, porque boa parte dos torcedores corinthianos e flamenguistas acham justo agora.

              Enfim, passamos adiante. Abraço e eu que agradeço. Não assisti a tantos jogos do corinthians esse ano, mas os que vi foram muito bons, como a vitoria contra o santos no 2 turno, domínio absoluto. Espero que o corinthians nunca se apequene. Torço contra todos os times que estão na frente ou disputando com o meu, seja grande, seja pequeno, na tabela no futebol. No resto, gosto é de ver jogo bonito.

              • Alisson Sbrana

                Uia, que maravilha!

                Passou despercebido por mim, mas nessa semana mesmo, o glorioso Juca Kfouri fala do tema em sua coluna na folha.

                Não sei se posso colocar o link aqui, mas é no texto de 26/11 com o título (pasmem!):
                “A espanholização do nosso futebol”

                Uma boa reflexão de um corinthiano sobre o assunto. Se puderem, leiam também, José Henrique e Renato. Acho bem fiel a descrição dele do atual campeonato, dos problemas dos clubes e da tendência que vocês execram.

                Abraços e boa semana, prometo não mais incomodar vocês 3 com isso.

                • RENATO77

                  Alisson, eu também não tenho certeza de qual a forma de divisão mais justa…mas tenho certeza de que NÃO era a anterior.
                  Assim como tenho CERTEZA de que o SCCP é mais investigado e mais patrulhado do q

  • José Henrique

    Achei um comentário de um leitor de esportes em outro espaço, que a meu ver encerra esse assunto de cotas, e colo aqui: “Na verdade é uma discussão tão descabida de lógica para quem entende de administração e economia que, aos olhos destes, fica claro duas coisas: primeiro uma declaração de incompetência administrativa e, segundo, o reconhecimento de uma superioridade no trabalho dentro de campo do Timão, que só poderia ser superada via diminuição do poder do outro… Ou seja, uma declaração formal de covardia!!! Se só dinheiro pudesse vencer no futebol, o Santos jamais seria favorito diante do Palmeiras nesta final de Copa do Brasil…”

    • Alisson Sbrana

      O comentário é muito bom com relação a esse campeonato. O Time e o Tite foi bem acima de qualquer diferença financeira. Aliás, o Corinthians nem é o time que mais ganha.

      Só que a discussão é mais para o futuro do futebol. Não sobre esse campeonato.

      Acho que as péssimas administrações continuarão. Muita incompetência ainda continuará, mesmo que alguém faça outra divisão. No nosso futebol brasileiro, assim como o Juca fala, que tem times de massa (como Corinthians e Flamengo) também possui outros times de massa, no nordeste, por exemplo, que provavelmente darão espasmos aqui e ali. Mas a diferença de cotas, em 10 anos, ainda mais se não houver nenhum controle sobre os gastos dos demais times, dos que gastam muito menos do que têm e do que poderão ter, vai flagelar os times pequenos e médios em relação aos grandes.

      • José Henrique

        Muito bom então. O Juca encampar a campanha “somos todos Joiville”. Só falta convencer quem paga tudo isso não é? O ANUNCIANTE. Um pouco difícil na minha opinião, pois até que se mude, nosso sistema ainda é capitalista, e o Rai, cobra mais por um comercial (e o anunciante paga ), do que para o José Antônio das Neves. No jogo do Sport, cobraram mais dos torcedores do Corinthians (isso é praxe, até na vila), e, 5.000 visitantes proporcionaram mais renda do que 10000 presentes no estádio. Esse cenário amigo, se repete sistematicamente no “share”. Você quer saber de uma coisa caro? Acho que no fundo estão querendo acabar com o futebol no Brasil. Ou então acabar com o Corinthians, e por tabela enfurecer os desdentados. Pra que? Fica no ar a resposta?

        • Alisson Sbrana

          Não entendi o que a lógica do anúncio tem a ver com a distribuição de cotas. Ela é feita de acordo com o tanto de patrocínio de um clube, ou pela audiência?

          Você acha que só se deve mudar a distribuição se mudássemos o sistema político? Não entendi qual a relação de um e outro no que se refere às cotas pagas para se transmitir os jogos dos campeonatos nacionais.

          Acho que considerar a torcida do corinthians como desdentados é muito preconceito de classe. Na maioria das vezes para ofender os torcedores, mas às vezes usado como na sua ironia, para se vitimizar perante alguma discussão. Mas claro que entendi o que você quis dizer.

          Não sou a favor de nenhuma campanha de hastag “somos A ou B” e não sei se o Juca é. O Juca não faz referência ao time que você fala. Eu que dei como exemplo em algum momento desses comentários.

          Uma pena você achar que todo mundo que pensa diferente quer apenas “destruir” o corinthians. Do meu lado, sempre menciono o Flamengo, que ganha a mesma cota. Será que quero destruir o flamengo?

          Pra não ficar no ar, eu respondo: realmente ninguém quer acabar com o futebol no Brasil.

          Não querem.

          Não vão.

          Mas uns pensam em fortalecer o futebol brasileiro (e postam ideias nesse sentido, mesmo que possam errar), outros pensam apenas nos seus clubes (ignoram outros argumentos, mas podem errar também), e tem outros ainda que não estão nem aí, nem pra um, nem pra outro, nem pra a humilhação numa semi final de copa do mundo em casa. Curiosamente são esses últimos que estão fazendo a gestão do nosso futebol, dos calendários e das cotas, pra dizer o mínimo.

          Isso sim vai ficando no ar.

          • José Henrique

            “Navegar é preciso, viver não é preciso”. General Pompeu assim fez, e o Corinthians assim fará. “Doela a quien doela” Fernando Color. Kkkkkkkkkk

            • Alisson Sbrana

              Vamos falar a verdade: estamos aqui apenas para bater o recorde de post comentado, não?

  • José Henrique

    Alisson. Não é apenas para bater recorde, mas para arrematar a questão, colo a informação: “Provando sua importância para a audiência da Rede Globo, neste ano, a campanha do Corinthians colaborou, e muito, para que a emissora carioca garantisse a melhor média de ibope do Campeonato Brasileiro desde 2011.

    A diferença de audiência das partidas do Timão que foram televisionadas, se comparadas às dos outros clubes, é brutal. Em 2015, a média de ibope de todos os jogos da competição nacional foi de 18,1 pontos. Em 2014, foram alcançados 16,7; em 2013, 17; já em 2012, 17,2 pontos.

    Somente em 2011 a média foi superior, atingindo os 21,1 pontos. Na ocasião, porém, o campeão brasileiro também foi o Corinthians, provando que é o clube do Parque São Jorge que proporciona os maiores resultados quanto trata-se de audiência.

    Além do Brasileirão, na Libertadores, o Corinthians também foi responsável pelas maiores audiências da Globo. A partida entre Timão e São Paulo, vencida pelo alvinegro por 2 a 0, registrou 32,5 pontos de média. O Corinthians, hexacampeão brasileiro, é garantia de audiência para a emissora carioca. Por isso, a Rede tem feito escolhas que seguem provando a importância do Timão para o Ibope.”
    Cabe acrescentar, que todas as teorias conspiratórias afirmando que a GLOBO manipula para fazer o Timão campeão, “Curiosamente são esses últimos que estão fazendo a gestão do nosso futebol, dos calendários e das cotas, pra dizer o mínimo.” não pode ficar no ar. É muita sacanagem mesmo.

    • Alisson Sbrana

      Mas eu não contesto essas informações. Nunca contestei.

      Se o AK responder qual é o recorde de comentários, eu desenvolvo mais, pra continuarmos a perseguir essa meta. Mesmo que tenha que ficar me repetindo e você ignorando o básico: não é uma cruzada cotra o corinthians, é uma luta contra o modelo de gestão atual do futebol brasileiro!

      As cotas é só um dos exemplos.

      AK: Não sei qual é o recorde. Lembro que já passamos dos 300 comentários algumas vezes por aqui. Continuem! Um abraço.

      • Alisson Sbrana

        Ah, nem falta tantos assim.

        E, José Henrique, depois do jogo de ontem (vou lá ler o texto do AK depois de enviar esse comentário aqui) não me restou mais nada além desse debate. Sei que não posso vencer, mas quem sabe um empate?

        Deus dê paciência a moderação.

        Então, José Henrique, eu pergunto: o Flamengo merece a mesma cota que o corinthians?

        • José Henrique

          Os Flamenguistas acham que sim. Eu acho que nós mereceríamos mais, pois estamos na califórnia brasileira. Quanto a recorde de comentários, o que conta são visitas. Eu mesmo, leio sempre assiduamente, e nem sempre comento. Acredito que o blog do André é muito, mas muito visitado. Poucos espaços praticam jornalismo proativo, e tem muita gente, imagino, que está saturada de jornalismo reativo. Hei Andre? esse foi um elogio sincero. Percebemos isso nos seus textos que revelam o autodidatismo, sem a pretensão de genialidade.Eu gosto!

          • Alisson Sbrana

            Viu como, nem pela sua ótica, as cotas de hoje são justas!!! (rá! com essa sacada vão me dar vitória nesse debate, com certeza!)

            Posso estar engando, mas a califórnia brasileira não foi apelido de Ribeirão Preto? Morei lá 1 ano e falavam isso.

            E seu comentário me fez lembrar, me permita, uma piada do Chesperito, obviamente da versão traduzida no SBT, em que Roberto Bolaños era Leonardo da Vinci e, ao ser perguntado pela empregada se agora ele não tinha defeitos, respondeu: “tive um, era pretensioso, mas já o perdi e hoje sou perfeito”.

            Abraços.

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