NINGUÉM JOGOU MAIS



(publicado na revista-pôster do Lance!, especial do Corinthians campeão brasileiro, nas bancas nesta sexta-feira)

——

É preciso voltar ao mês de maio para encontrar o pior momento do Corinthians no Campeonato Brasileiro. Derrotas consecutivas para Palmeiras e Grêmio levaram o time ao décimo lugar no encerramento da quinta rodada, classificação mais baixa ocupada pelo campeão durante a caminhada para o título. O período entre 31 de maio e 4 de junho talvez seja mais significativo do que qualquer outro. Em um campeonato em que é normal que equipes oscilem, a instabilidade do Corinthians durou quatro dias.

Na sétima rodada, estava em quarto lugar. Caiu para sétimo entre a oitava e a nona. Na décima-quarta rodada, o Corinthians já era o vice-líder. Na décima-oitava, uma antes do encerramento do primeiro turno, assumiu a ponta definitivamente. O nível de competitividade é tão alto, e foi sustentado por um período tão longo, que aqueles dias entre maio e junho parecem relativos a outro time. E eram mesmo.

As semanas imediatamente posteriores à eliminação na Copa Libertadores trouxeram problemas e dúvidas. Tite teve de lidar com um grupo de jogadores abatidos e um clube em dificuldades financeiras. Nomes importantes saíram. Outros, não menos importantes, não saíram por pouco. Ao olhar para o meio de campo do Corinthians – razão da distância para a concorrência – é assustador pensar que Renato Augusto, Elias e Jadson poderiam facilmente ter deixado o clube àquela altura. O título viria sem eles? Muito provavelmente não.

Times de futebol são organismos que nunca terminam um campeonato da mesma forma que começaram. Recuando mais um pouco na temporada até o futebol exuberante que o Corinthians mostrou durante a fase de grupos da Libertadores, é notável que o time tenha recuperado sua melhor versão a partir da metade do Campeonato Brasileiro e tenha sido tão evidentemente superior a todos os outros. O campeão brasileiro de 2015 é uma equipe moderna no funcionamento, inabalável na compostura e elogiável na procura pelo bom jogo, algo que só foi possível por causa da orientação correta e da capacidade técnica de alguns jogadores fundamentais.

Tite deve sentir orgulho de sua criatura. Ele teve de moldá-la duas vezes, recorrendo aos conceitos que sustentam seu trabalho e às habilidades que adquiriu quando se dedicou ao aprimoramento profissional. Seu time tem jovens que parecem veteranos, suplentes que parecem titulares, jogadores estabelecidos que parecem viver o auge de suas carreiras. Como equipe, é a melhor do campeonato em tudo, principalmente no que mais importa: a quantidade de jogo.



  • João Henrique Levada

    Olá André!

    Se considerasse uma análise sobre seu próprio trabalho deste ano, houve algum momento em que escreveu projetando o Atlético Mineiro, ou Atlético Paranaense como campeão brasileiro?

    Talvez não tenha produzido nenhum texto, e a pergunta melhor seria sobre sua confiança no trabalho do Tite.

    Então, você acreditava no Corinthians campeão desde antes do final do primeiro turno?

  • Kyo

    Só falo uma coisa,pontos corridos é diferente de mata-mata. Tem que voltar os laterais, e o Luca tem que ser titular, e ainda desconfio do W. Love.

  • Gustavo Sordi

    Kyo, com certeza, pra mim esse time é equilibrado para pontos corridos, no mata-mata precisa ter mais força de decisão. O time precisa e tem MUITO espaço para evolução. André, ouso a dizer que o livro do Pep mudou um pouco a sua maneira de ver futebol, mudou a minha também! O Corinthians pode evoluir muito ainda, precisa que o único volante seja um ótimo passador que saiba se posicionar e posicionar o corpo. Isso elevaria o nível do time as alturas, os meias não precisariam voltar tanto para começar a jogada e o próprio “volante único” quebraria linhas de defesa e criaria muitas oportunidades. Também acredito que para a evolução é necessário um “ponta” de grande qualidade, só temos espaço para um velocista (jadson está do outro lado, apesar de o lateral poder avançar com essa característica) e ele precisa ser decisivo, assim como um jogador de maior qualidade no centro do ataque, para dar mais jogo, dar tempo de os meias subirem. Após ler o livro fico sonhando em como esse time pode evoluir mesmo sem querer copiar tudo do Guardiola, assim como a ideia de jogo tem que ser instalada na base e assim revelar jogadores que jogariam facilmente no profissional. O barça anda com dificuldades por causa do alto nível europeu, aqui as revelações estariam em um dos poucos times atualizados e teriam vantagem contra os adversários. André, você tem informação se o tite pensa nesse jogador que faria toda a diferença como único volante? Agradeço ao Ralf por tudo mas não é mais necessário o jogo dele, a evolução é por outro lado.

  • Anna

    Lindo texto! Estava aguardando! Parabens ao Corinthians e aos corintianos. Abraco, Anna.

MaisRecentes

É do Carille



Continue Lendo

Campeão de novo



Continue Lendo

Inglaterra 0 x 0 Brasil



Continue Lendo