COLUNA DOMINICAL



(publicada ontem, no Lance!)

DESPERTAR NO INTERVALO

1 – Na teoria, a conexão santista Lucas Lima-Ricardo Oliveira fazia sentido no time titular. Mas isso significava ver Douglas Costa, o segundo melhor jogador brasileiro na atualidade, no banco de reservas. Se o Brasil queria jogar em Buenos Aires, a presença do meia do Santos parecia ideal. Mas era igualmente importante abrir o campo, o que Douglas faz muito bem.

2 – As lesões obrigaram Martino a mandar ao campo seu ataque suplente: Di María, Lavezzi e Higuaín. Algum deles não jogaria na Seleção Brasileira?

3 – Di María x David Luiz, um encontro que prometia ser frequente em Núñez. O argentino levou a melhor no primeiro, lance em que a bola passou à frente do gol de Alisson.

4 – O trio de volantes de Martino conseguia trancar a metade do campo e ainda fazia a bola chegar com qualidade ao ataque, especialmente pelo lado direito. Domínio argentino em postura e iniciativa, mas sem ocasiões.

5 – Até o minuto 33, quando Di María acionou Higuaín, e de um cruzamento rasteiro nasceu o gol de Lavezzi. A jogada do atacante do Paris representou sua autoridade em campo. Influência e desequilíbrio em uma noite em que a seleção argentina não tinha para onde olhar, além da direção dele.

6 – O Brasil não jogava mal, simplesmente não jogava. Em parte porque a Argentina pressionava não apenas a bola, mas também seus possíveis destinos. E também porque este time não parece possuir os mecanismos para escapar desse tipo de pressão. Não é algo novo.

7 – Há um discurso padrão, repetido à exaustão pela comissão técnica, de que a estratégia escolhida por todos para enfrentar o Brasil é fechar espaços no campo de defesa. A Argentina fez o oposto (o que deveria se esperar, por todas as circunstâncias), e o resultado foi evidente. Outros buscarão o mesmo caminho.

8 – O segundo gol esteve duas vezes aos pés de Banega, no reinício. Jogada coletiva, da direita para a esquerda, revelando um sentido de equipe que o Brasil raramente exibe. Contraste que aumenta em gravidade com a lembrança de que a Argentina jogou desfalcada de vários nomes.

9 – Douglas Costa em campo, aos onze minutos. Uma ameaça a mais para um time que fez duas finalizações no primeiro tempo.

10 – E ele imediatamente surgiu diante de Romero, com um cabeceio no travessão. Excelente passe pelo alto de Daniel Alves, encontrando o atacante do Bayern desmarcado. O rebote se apresentou para Lucas Lima concluir com um bonito chute: 1 x 1.

11 – A jogada do empate foi um exemplo do que acontece quando a bola é movimentada com a intenção de desorganizar e criar espaço. Neymar fez a inversão para Dani Alves, na direita, gerando o deslocamento da defesa e o corredor por onde Douglas Costa infiltrou. Crédito obrigatório para o passe de Daniel.

12 – A Argentina claramente sentiu, porque o Brasil passou a tramar no campo ofensivo e criar problemas. No lugar da sensação de controle, surgiram o peso do resultado ruim e a preocupação com o risco de ficar ainda pior. A origem de tudo foi o jogo da Seleção Brasileira, ausente antes do intervalo.

13 – David Luiz expulso, corretamente, por chegar atrasado e por cima da bola em uma dividida com Biglia. A temperatura do clássico já excedia o limite aconselhável.

14 – O empate foi terrível para a Argentina, sem vitórias após três rodadas (duas em casa). Não foi ruim para o Brasil, pelo ponto fora de casa em um encontro em que a derrota seria normal. Mas o que teve real valor em Buenos Aires foi a aparição de sinais de futebol coletivo no segundo tempo, quando o placar, a dinâmica do jogo e a perspectiva da segunda derrota pressionavam o time.



  • Juliano

    6. Não é algo novo.
    Minha sugestão para mudar isso é colocar um treinador que goste de futebol. De futebol!

    Mas enquanto não se mexe nisso, deixar de convocar David Luiz é medida urgente. Terça-feira a seleção joga reforçada pelo seu desfalque. Não tem nível de seleção nem controle emocional, pôs tudo a perder várias vezes e teve sorte que os argentinos não tiveram êxito.

    Qual o problema em deixar L. Gustavo e escalar, juntos, Elias, R. Augusto e L. Lima? Três dos melhores jogadores da temporada nacional, mas Dunga não gosta! O jogo sem centro-avante agrada, com D. Costa, Neymar e Willian. Barça joga sem o centro-avante típico há anos e funciona, e veja que sua última tentativa foi com o melhor deles (Ibra) e não funcionou. E R. Oliveira não funciona na seleção como no Santos – contra a Venezuela, café-com-leite, não conta. Aliás, Dunga, por que vários jogadores não funcionam na sua seleção como funcionam nos seus respectivos times?

    Se Dunga fosse técnico do Corinthians, não seria campeão. Se fosse técnico do Santos, ainda estaria na ZR.

    Abraço!

  • Klaus

    Em relação a nomes, vejo um led no fim do viaduto. Um quarteto com Neymar, D. Costa, William e L. Lima ainda não é mágico, mas tem tudo para encantar um dia. Alias, os dois primeiros fazem uma função da qual não dispúnhamos desde Ronaldo: nome de peso (cof…) que amedronta o adversário.

    Tudo bem que o antigo quadrado mágico (Ronaldo, Adriano, Ronaldinho e Kaka) hoje está mais para Balão Mágico que não voa – o que é natural (lembrança simplória em prol do mau trocadilho). Ocorre que à época também duvidávamos muito da constância deles. Hoje parecem heróis.

    A diferença dos nomes atuais é que todos ainda têm muito (necessidade e gana) a mostrar. Eis a deixa pra mudar uma história que parece em looping há mais de uma década: uma Seleção com ótimos nomes e péssimo time (exceção, talvez, à Seleção campeã da Copa das Confederações 2009).

    Vejamos o que o futuro nos reserva – depois, veremos os titulares.

    Um abraço!

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