COLUNA DA TERÇA



(publicada ontem, no Lance!)

CALIENTE

Com quatro jogadores e na casa do campeão brasileiro de 2015, a ser coroado em alguma das próximas rodadas, a Seleção fará a preparação para o que promete ser o Argentina x Brasil mais quente dos últimos tempos. A situação dos argentinos na classificação das Eliminatórias Sul-Americanas, combinada com os problemas do técnico Tata Martino para escalar seu time em um encontro crucial, aumentam a temperatura do jogo da próxima quinta-feira, em Buenos Aires.

O Brasil escolheu trabalhar a partir de hoje no centro de treinamentos do Corinthians, uma opção estratégica do ponto de vista geográfico. A concentração na capital paulista permite a realização de três treinos, o último deles na quarta-feira, dia da viagem para a Argentina. Além das condições de preparação, o CT corintiano fica perto do Aeroporto de Guarulhos. Neymar estará de volta à Seleção Brasileira após a suspensão na Copa América, a melhor notícia imaginável às vésperas de um clássico do futebol mundial.

Do lado azul e branco do jogo, prevalece a preocupação. Messi e Aguero já estavam fora da lista de convocados por causa de lesões que impedem que joguem por seu país. Tevez, levado ao limite físico em uma temporada em que atuou na Europa e na América do Sul, também tem um problema no joelho que limita seu desempenho. Se pudesse escolher uma partida para não utilizar esses três jogadores, a visita do Brasil a Núñez certamente seria a última opção de Martino. A Argentina simplesmente não pode deixar de vencer na quinta-feira, sob pena de lidar com a dramaticidade dos tangos apresentados nas melhores casas de espetáculos de Buenos Aires.

Uma derrota para o Brasil manterá os argentinos sem vitória após três rodadas, com apenas um ponto e uma viagem a Barranquilla para enfrentar a Colômbia, no dia 17. Ainda estamos no início das Eliminatórias, mas seria um início suficientemente frustrante para gerar questionamentos a respeito do trabalho de Martino. A necessidade de vencer com um time desfalcado dos principais nomes evoca as noites heróicas em que a camisa da Argentina foi honrada por jogadores que “lutaram à morte e deixaram a vida em campo”. Pode ser uma ocasião valiosa para a Seleção Brasileira, pois o que determina vencedores e vencidos no futebol é, antes de mais nada, o quanto se joga.

Dunga evidentemente se lembra da última vez que a Seleção Brasileira jogou na Argentina pelas Eliminatórias Sul-Americanas. Ele estava na lateral do gramado do Gigante de Arroyito, em Rosário, dirigindo o time durante uma vitória por 3 x 1 em que o Brasil puniu um adversário desorganizado sob o comando de Diego Maradona. O resultado – a segunda derrota da Argentina em casa na histórias das Eliminatórias – classificou a Seleção para a Copa do Mundo da África do Sul. Dos convocados para a partida de quinta-feira, Kaká, Daniel Alves, Otamendi, Mascherano e Tevez jogaram naquela noite de setembro de 2009. Eram tempos de um Brasil competitivo e invicto havia quase quinze meses. Distante do que se vê hoje, em tempo e em futebol.

FENÔMENO

O segundo gol de Neymar contra o Villarreal é um assombro para ser incluído na história de um Camp Nou acostumado a esses momentos. O primeiro gol, no entanto, reúne todos os requintes técnicos que fazem de Neymar um astro como poucos. Em Portugal e partes do Brasil ainda é difícil aceitar, mas Neymar é o próximo na lista dos maiores.

COMO GREGO

Certos conceitos são incompreensíveis para quem enxerga o futebol como uma batalha em que o adversário deve morrer. O conceito de jogo é um exemplo. O de fair-play é outro.

CEGUEIRA

Um conselheiro do São Paulo disse não ver diferença entre pagar bônus a um executivo remunerado e comissões à namorada do presidente. Assim é o futebol. Entenda-se que a ideia é bônus por desempenho financeiro do departamento de futebol, não por contratação de jogadores. É assustador que não se perceba distâncias tão evidentes.



  • José Henrique

    Dirigente, presidente de clube, a meu ver deveriam ser remunerados. Todos que trabalham, e vivem do futebol recebem. Juízes, jogadores, treinadores, jornalistas, locutores, radialistas, narradores, comentaristas, dirigentes de entidades, federações, sindicatos,todos recebem.
    Presidente de clube não. Ele só recebe pancadas, críticas, acusações, etc.
    Desse jeito, esse cargo, “ou encargo”só vai ser ocupado por mecenas, loucos ou ladrões.
    Incrível como os que vivem do futebol se empenham em destruí-lo.
    Sem contar que as exigências absurdas aos clubes, pretendem usá-los como reformadores da sociedade. Uma atividade de recreação que deveria ser incentivada, estimulada, ao contrário é a cada dia mais inviabilizada. Enquanto vemos, agentes e empresários mais ricos do que clubes, estes atolados em dívidas. Ações trabalhistas milionárias, e hipocritamente a justiça tratando jogadores e profissionais como trabalhadores da CLT. Se essa lógica tivesse algum sentido, teríamos artistas em geral, entrando com ações contra as Tvs, por exemplo, por trabalharem aos domingos, como vimos uma estapafúrdia ação de um jogador reivindicando isso.
    Ou seja, tudo errado, e nós torcedores não vemos ninguém defendendo mudanças necessárias e urgentes para corrigir o que está errado no esporte da paixão nacional. Triste.

  • Alisson Sbrana

    Olá, AK!

    Dúvidas socráticas: para um time, cuja a jogada mais forte é o contra-ataque, não é uma ironia o adversário estar desfalcado dos seus principais atacantes?

    Torço para seleção brasileira como se fosse o Santos em campo. Consigo, quando começa o jogo, abstrair tudo de “Marin à Dunga”. E dito isso, será uma enorme surpresa para mim, sair da argentina com uma vitória.

    Abraços

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