CAMISA 12



(publicada ontem, no Lance!)

BATISMO

Além dos perigos oferecidos pelo Atlético Mineiro, três jogadores de seu próprio time faziam parte das preocupações de Tite antes do encontro de domingo passado. Arana e Malcom, pela juventude e falta de experiência no Estádio Independência; e Rodriguinho, pela responsabilidade de substituir Elias em um momento crucial.

O Independência é um dos locais mais incômodos do futebol brasileiro não por que seus visitantes se sentem ameaçados. A proximidade do torcedor gera um ambiente em que é muito mais difícil encontrar e manter o nível adequado de concentração. Não se trata de sentir as pernas tremendo ou um buraco na boca do estômago. Neste patamar de competição, em que a capacidade das equipes é tão semelhante, um jogador fora de sintonia com o que deve fazer já representa uma desvantagem significativa.

A subida ao gramado, logo na chegada, geralmente testa as mentes em primeira visita. Tite queria observar principalmente seus dois jogadores de dezoito anos no primeiro contato com o estádio mineiro. Foi para o campo de jogo junto com eles e lhes dedicou atenção. De imediato, Arana se retirou do radar do técnico: caminhou em conversa com companheiros, exibindo um comportamento natural. Quanto a Malcom, Tite não o perderia de vista mesmo se quisesse. O atacante corintiano não se afastava do treinador, perseguindo-o por onde ele fosse. Tite notou um jovem em busca de segurança, pediu aos mais velhos que o protegessem.

Malcom ainda é refratário a um certo tipo de orientação. Não é prepotência, mas o início do aprendizado. Dono de um futebol instintivo, ele tende a confundir algumas abordagens com repreensões. Duas chances perdidas no primeiro tempo, e uma logo no início da segunda parte, podem ser explicadas justamente por desconcentração. Mas o primeiro gol valeu tanto que alterou a avaliação de sua atuação.

Arana, por outro lado, pareceu estar habituado ao estádio que conheceu no domingo. E Rodriguinho deu a impressão de jogar no Corinthians há anos.

RETRATO

Que a imagem de José Maria Marin, saindo de um tribunal em Nova York, seja suficientemente assustadora para educar a cartolagem do esporte brasileiro. O ex-presidente da CBF representa a classe à perfeição, ainda que tenha sido pego por autoridades estrangeiras. O dirigente esportivo corrupto é um produto nacional reconhecido mundialmente. Um símbolo.

MAU TRATO

Em entrevista à ESPN Brasil, Wallace declarou praticamente não ter vida social, por ser ofendido a cada vez que é visto em público. O fanático que se julga no direito de agredir um jogador de futebol, mesmo que apenas com palavras, é um doente vaidoso que se relaciona miseravelmente com o jogo que diz amar. O tratamento é a educação, mas parece tarde.



  • José Henrique

    Desculpe André, porém estamos comemorando o aniversário do “Eterno 7×1”, memorável jogo com 3 gols de Carlitos contra o peixe. Não somos uma Alemanha, mas também temos um 7×1 inesquecível.
    E, por oportuno, estamos recebendo parabéns da Caldense, pelo título (falta pouco) conquistado com lisura neste ano.

    • Reimão

      7 X 1, o original!

  • Edouard

    Muito bom. Por um jornalismo com mais olhares como esse. Um abraço.

  • José Henrique

    Vejam que surreal. Em um bar com TV ligada no Linha de Passe da Espn, no momento em que Trajano, falou “Itaquerão” , uma vaia fez a mudança de canal acontecer. O Corinthians definitivamente é maioria em qualquer lugar. Foi para o Futsal, BrasilxParaguai. Que coisa!

    • Alisson Sbrana

      Puxa vida, que interessante essa informação!

      • José Henrique

        Você não gostou da informação?

        • Alisson Sbrana

          Adorei. Achei super útil. Brilhante a constatação da maioria em qualquer lugar.

          • José Henrique

            Tudo brilha hoje. A discussão de hoje é que esse título “ficou chato”. Campeão de “sofá”, ” melhor seria no Itaquerão”, “título sem emoção”.
            Tudo bem, como disse o Rodrigo: “Paciência”. Afinal, emocionante é receber título por fax, às vezes ocorrem “duas” conquistas emocionantes no mesmo ano. Talvez tudo isso seja mesmo algum incomodo com a maioria, em ” alguns lugares”.

            • Alisson Sbrana

              Não em “alguns” lugares. Em “qualquer lugar”, você escreveu!!!

              Ok, confesso que não resisti a ironia. Mas não sou anti-seu-time, juro. Só torço para o meu. Gosto de pontos corridos, apesar de saber que emoção de uma final é maior (para quem ganha).

              E realmente a CBF é ridícula. Não entendo o motivo de não modificarem as datas de jogo. Acho que era só colocar o do Palmeiras e Vasco no sábado. Mas dessa gente, não se espera sabedoria. Imagina o problema pra são paulo, se o corinthians resolve abrir o estádio para os torcedores assistirem ao jogo do Atlético num telão?

              • José Henrique

                Alison, de torcedores rivais eu aceito até chamar o estádio do Corinthians de qualquer adjetivo que criarem, porém de jornalista, não engulo. Como torcedor e telespectador, nesse caso, sinto que a insistência em usar o apelido, tem a clara intenção de prejudicar, pois a ” entidade Sccp” enviou pedido por escrito solicitando, pois tem os seus motivos, uma vez que tem a intenção de vender o Naming Rights, como amplamente divulgado, é fundamental no pagamento da Arena.
                A propósito, na época, Rosenberg pediu ao pai do André, o Juca, expondo os motivos, e esse jornalista, escreveu que achava justo o pedido.
                E, se ele achava justo, e entendeu assim, eu posso entender que o não atendimento desse pedido, é absolutamente injusto. Apenas isso. Porém como dizem, cada cabeça uma sentença. E as vaias no bar, certamente também entenderam assim.

                • RENATO77

                  Trajano tem problema com o SCCP…óbvio desde os tempos do Cartão Verde na Cultura. E deixa uma cria…MCP…argh…
                  Abraço.

    • Rodrigo-CPQ

      A informação pode ser interessante ou não, depende do leitor. Nesse caso, o que mais chama a atenção é um cara (que respeito muito) cobrar, dia após dia, profissionalismo dos dirigentes. Aí, quando um clube envia um comunicado a todos os órgão de imprensa, informando que o nome atual é “Arena Corinthians”, o cara posa de rebelde sem causa. “Ah, mas por que pode Morumbi, Vila Belmiro, Pacaembu e não pode Itaquerão?”. A hipocrisia impede o cara de enxergar que os tempos são outros, que se o Morumbi ou a Vila fossem lançados hoje, não levariam os nomes de seus bairros. Da ESPN tem o Antero e o Trajano, que insistem nisso (que me lembre). Paciência.

      • Alisson Sbrana

        Desculpe, não era a intenção comentar o assunto “itaquerão ou Arena”. Considero o assunto muito importante para o corinthians, consequentemente para os corinthianos. Gostaria muito que o Santos construísse um estádio com um nome comercial, nem tão grande quanto as novas arenas, apenas com maior capacidade. Não somos maioria em todo o lugar, mas a arquibancada da vila é pequena para qualquer faturamento “com espetáculo”. No caso do Trajano, talvez seja muito pouco para usar a palavra hipocrisia em um dos mais importantes (apago o que escrevi antes de publicar)… Ele não precisa de defesa, e nem acho que seja um “ataque”.

        Ainda assim, espero que entenda que, numa conversa comum para pessoas que não são corinthianas, é muito difícil falar arena corinthians. Não sei porque, juro. Não é, no meu caso, nem um ato de rebeldia quanto a qualquer pedido oficial do time. Não é nem pensado. O nome popular, antes mesmo de existir o estádio, parece realmente o que ele é… além de parecer muito mais corinthians também.

        Mas acho que isso vai mudar com o tempo. A diretoria fez bem o trabalho, além da justa pressão na mídia para conseguir seus objetivos. Mais algum tempo e ninguém na TV estará falando o nome do bairro. No fim, sobrará só arena. Espero que seja uma mudança para melhor.

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