COLUNA DA TERÇA



(publicada ontem, no Lance!)

MUITO CORINTHIANS

1 – Os desafios diante de cada técnico eram claros. A oferta de pontos disponíveis estimulava Levir Culpi a escalar o melhor Atlético que conhecemos: elétrico, rápido e ameaçador. Para Tite, a questão era identificar a oportunidade embutida no problema de visitar o Independência: congelar o campeonato com três pontos fora de casa.

2 – Por não poder ser diferente, a postura do Atlético nunca esteve em dúvida. Era a escolha do Corinthians – o único time em campo que podia se dar ao luxo de perder o jogo -, entre a especulação e a ambição, a resposta que os primeiros minutos dariam. Sabedor de que esperar o Atlético equivale a encomendar dissabores, Tite optou por jogar. Mas com a organização e a solidez de quem não precisava se abrir, uma alternativa que Levir não tinha.

3 – Domínio atleticano nas iniciativas e nas ocasiões; bom comportamento da defesa corintiana quando pressionada. As jogadas pelo alto e a procura por Pratto na área exigiram máxima concentração de Gil e Felipe, forçados a trabalhar a cada vez que o Atlético chegou pelos lados. A temperatura do time mineiro talvez tenha ficado alguns graus abaixo do que se poderia imaginar.

4 – Nota obrigatória sobre o primeiro tempo: a reprovação de Levir aos torcedores que, à base de água e outros líquidos, tentaram impedir Tite de trabalhar próximo à linha lateral. O futebol brasileiro precisa de mais Levires.

5 – Bote salvador de Marcos Rocha, impedindo um chute frontal de Malcom nos primeiros segundos do reinício. Desvio salvador de Edílson, após linda jogada de Luan do lado direito, pouco mais tarde. Um zero a zero preservado pelas intervenções de defensores atentos.

6 – O ímpeto controlado do Atlético talvez tenha sido reflexo da noção do perigo. Algo que você já leu aqui: uma das marcas deste Corinthians é precisar de pouco para fazer muito. Isso não significa que se deva esperar que Felipe inicie uma jogada de gol pelo lado direito do ataque. Mas, sim, que Edcarlos não pode falhar dentro da área, aos pés de Jadson. O leve tapa para o cabeceio de Malcom é próprio dos jogadores superiores.

7 – Permita outra lembrança: não havia motivo para crer que Vagner Love perdeu seu futebol em local desconhecido. O retorno a um ambiente competitivo custou atuações ruins e críticas frequentes, mas Love chegou. O corte em Edcarlos, armando o chute rente à trave, só é possível a jogadores cujos atributos estão em dia.

8 – O gol de Lucca foi o ponto de exclamação que encerrou dúvidas sobre o jogo, sobre os méritos do líder do campeonato e sobre o destino do troféu. Só não encerrou a espera do corintiano pelo grito de campeão. Isso tem de obedecer à matemática.

9 – Independentemente de cálculos e datas: muito Corinthians.

10 – Nota obrigatória, e surpreendente, sobre a arbitragem: trabalho exemplar de Héber Roberto Lopes. Sempre próximo ao lance, disposto a manter a calma e permitir que os jogadores decidissem o encontro. Teria sido triste se houvesse interferência do apito em um jogo tão esperado.

DETALHES

O Corinthians teve compostura e foco em um dos estádios mais assustadores para visitantes no futebol brasileiro. Controlou o jogo a ponto de se apoderar do ambiente após o primeiro gol e não recuou para defender a vantagem, um equívoco comum. Ao contrário, avançou para decidir um jogo em que o empate era excelente, mas a vitória seria uma declaração. Rodriguinho foi muito bem no papel de Elias, o que não é um detalhe sem importância, mas pode facilmente passar sem ser notado em uma atuação tão concentrada e competente de todo o time. Outros “detalhes”: Guilherme Arana e Malcom têm dezoito anos de idade. Sim, haverá quem fale em arbitragem para (tentar) desmerecer o time que se mostrou melhor em tudo. Não por coincidência, são os mesmos que, por mais escancarada que seja a diferença na quantidade de jogo, não conseguem enxergá-la.



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