CAMISA 12



(publicada ontem, no Lance!)

Ó VIDA…

Reclamar da vida é um direito de todos. Até daqueles que têm a barriga satisfeita e são incapazes de perceber que, ao contrário, deveriam ser gratos. Dias difíceis? Pense que poderia ser muito pior. Você poderia ser um político profissional octogenário, com tempo livre e dinheiro para gastar de todas as formas, traído pela ganância e pelo pouco apreço ao que é correto. E agora, no lugar de uma relaxante aposentadoria, eis o “pacote turístico” ao qual você não pode dizer não: um voo transoceânico em classe econômica e algemado a seu assento, na companhia de agentes federais americanos. Na chegada, tornozeleiras eletrônicas, um encontro sincero com um juiz nova-iorquino e prisão domiciliar, opcionais garantidos por uma fiança milionária.

Ou você poderia ser um cartola septuagenário, com uma queda por companhias décadas mais jovens (de cujos sentimentos obviamente não se deve duvidar), impossibilitado de oferecer a elas o luxo descompromissado de viagens internacionais frequentes à Suíça, ou para onde os destinos da Seleção Brasileira de futebol apontarem. Nem mesmo os estonteantes resorts do nordeste brasileiro têm sido opção doméstica, e a fobia de voar é tamanha que não se pode tocar no assunto em suas raras aparições públicas. O consolo é a chance de verificar a sinceridade das abordagens sedutoras: qualquer aproximação nesta época de baixa será amor verdadeiro. Realmente não está fácil para ninguém.

Marco Polo Marin ou José Maria Del Nero, você escolhe, são criaturas siamesas. No comunicado sobre a extradição de Marin para os Estados Unidos, a Justiça da Suíça informou que o ex-presidente da CBF é acusado de lesar a entidade (além da Conmebol e da Concacaf) ao aceitar e compartilhar propinas referentes às negociações de direitos sobre edições da Copa América e da Copa do Brasil. Del Nero, o Marco Polo que não viaja, elegeu-se na CBF representando uma chapa que tinha o nome de “Continuidade Administrativa”.

COMPARTILHAR

Declaração de Del Nero, em abril de 2014, após ser eleito: “A ideia é continuar a excelente administração do Marin. Não vai ter muita diferença de gestão. A continuidade será mais ou menos nessa linha. Pode ser que mude alguma coisa, mas é só uma questão de como conduzir, não do perfil”. Talvez a diferença na condução seja uma economia nos gastos com viagens.

IMPLACÁVEL

O único argumento atenuante em relação à escalação suicida do São Paulo, abrindo-se diante do time mais perigoso do Brasil em confrontos de dupla eliminatória, é que as chances de sucesso na Vila eram ínfimas independentemente da formação. Repetindo o que foi escrito aqui, no início de setembro: ninguém deveria querer ser adversário do Santos na Copa do Brasil.



MaisRecentes

Virtual



Continue Lendo

Falante



Continue Lendo

Vencedores



Continue Lendo