COLUNA DA TERÇA



(publicada ontem, no Lance!)

AMOR X GUERRA

1 – Vaiar Paolo Guerrero – um direito do torcedor – foi a reação escolhida pela maioria dos corintianos em Itaquera. A vaia é parte integrante do futebol, assim como o grito de gol. A saída de um ídolo é parte integrante do negócio, assim como a chegada de um ídolo que vestia outras cores. É preciso entender e aceitar.

2 – O jogo deveria ser muito mais do que o reencontro do herói de Yokohama com o Corinthians, mas não ofereceu quase nenhum outro atrativo por cerca de meia hora. Prevaleceu a competente marcação do Flamengo, enquanto o líder tentava encontrar maneiras de sair e jogar.

3 – Uma delas foi dar um passo atrás e convidar o Flamengo a avançar, para reagir com espaço. Não é um expediente habitual de Tite como mandante, o que diz muito sobre o balanço de virtudes e defeitos durante o primeiro tempo. O gol do Flamengo não foi ameaçado até os instantes finais, …

4 – … quando o primeiro movimento ofensivo corintiano foi completo. Uma das características mais marcantes do Corinthians 2015 é a “teimosia” de insistir no que faz bem, mesmo quando o dia parece desfavorável. A jogada coletiva construída aos 48 minutos, por Jadson, Malcom e Vagner Love, é mais um testemunho de um time que sabe o que quer, e como.

5 – O primeiro momento de vibração na Arena, no segundo tempo, foi um cartão amarelo para Guerrero, logo aos três minutos. Se a seca de gols do atacante rubro-negro é motivo de satisfação para apaixonados pelo time que ele deixou, comemorar uma advertência da arbitragem é uma tentação irresistível.

6 – Cerca de dez minutos depois, outro cartão amarelo, desta vez acompanhado de um vermelho, foi celebrado como um gol. Jonas foi violento ao fazer uma falta infantil em Renato Augusto, e converteu as chances de empate do Flamengo em uma dessas injustiças do futebol.

7 – Pois em vantagem numérica, o Corinthians pôde proteger a vantagem no placar com o absoluto controle das ações. Times organizados sabem pressionar sem correr riscos desnecessários, tarefa naturalmente mais simples contra adversários inferiores do ponto de vista coletivo. O Corinthians dominou o Flamengo com linhas aproximadas, reduzindo o campo de jogo, de fato.

8 – O vencedor estava definido antes do primeiro terço da segunda parte. A questão era o resultado. Se uma reprimenda pode ser feita ao Corinthians, é não ter sido incisivo o suficiente para chegar ao segundo gol, retirando das mãos do acaso uma surpresa desagradável.

9 – A vitória garantiu ao líder do campeonato uma vaga na Copa Libertadores do próximo ano, objetivo de várias equipes nesta reta final, mas não de quem está mais perto do troféu a cada rodada. Desde a derrota para o Internacional, o Corinthians fez dezesseis pontos em dezoito possíveis.

10 – Neste domingo, a manchete era o retorno do Guerrero que se foi e a perspectiva da aplicação da “lei do ex” em Itaquera. Paolo, visto como o nome que faria o Flamengo subir de categoria, não foi um fator. Quem aplicou a lei foi Love, rotulado como reposição inferior. Ele tem onze gols.

AIDAR FALA

Em entrevista ao Estadão, Carlos Miguel Aidar sustenta que a conversa gravada por Ataíde Gil Guerreiro não revela nenhum indício de irregularidade. Ao contrário, a conversa era um engenhoso plano para ajudar Ataíde, um amigo em dificuldades financeiras. Aidar amplia o mistério em torno da contratação de Iago Maidana, jogador que ele não sabia em que time atuava. Na conversa com o Estadão, o ex-presidente do São Paulo afirma não saber quem fechou o nebuloso negócio que surgiu em sua mesa, à espera de uma assinatura. Ele ainda sugere que sua renúncia foi resultado de um complô em um clube que mais parecia uma central de fofocas. É saudável que Aidar tenha decidido oferecer sua versão dos fatos. É incrível que tal versão gere mais perguntas do que respostas.



  • José Henrique

    Sobre o jogo COR X Mengo, ouvimos algumas pérolas na transmissão na TV paga.
    Repórter: “A torcida Corinthiana lotou o estádio para ver seus ex ídolos Sheik e Guerrero”.
    Ou é ingênuo, ou não sabe de nada. Corinthiano vai para ver o Corinthians
    Comentarista:”Apesar de dominado o Flamengo controla o jogo” ??????
    Na TV. Casagrande indignado com o Presidente Corinthiano que disse:” A democracia não trouxe benefícios (financeiros) para o Corinthians” . Incrível a incapacidade de alcance de raciocínio de algumas pessoas preocupadas em polemizar, sem analisar o contexto, e as condições em que essa declaração foi feita. A pergunta na CPi, era sobre o aspecto financeiro para o clube.
    Muita maldade, ou vontade de apontar o dedo.

  • murilo sc

    Ola Andre, desculpe o off topic, decidi comprar e ler o livro de Pep Guardiola ao ler aqui em seu blog o primeiro capitulo do mesmo. Acabei de ler o livro do Phill Jackson Onze Aneis, apos ler no blog do Mauro Cesar um texto sobre o Wallace e ver um video em que Cícero Mello o indica ao zagueiro flamenguista. Disto isso, voce tem algum outro livro pra sugerir para uma boa leitura? Abc e parabens por seu trabalho.

  • RENATO77

    Item 8. Porque Tite?
    Beirou o inaceitável ver o SCCP “brincar” com o resultado numa partida FUNDAMENTAL na tabela. A vitoria diante do Flamengo tira o peso de uma derrota(provável) diante do AT/MG.
    Risco tão alto quanto desnecessário.
    Abraço.

  • Paulo Pinheiro

    Que o Corinthians era o favorito na partida não há a menor dúvida.
    Só tenho dúvidas mesmo sobre o mérito da expulsão do Jonas. Considere que o primeiro cartão amarelo foi (conforme gesto da arbitragem) pelo excesso de faltas, mas ele não tinha feito mais faltas que o Ralf, por exemplo, e acabou pendurado, ao contrário do corintiano.
    Fato é que após o erro no lance do pênalti o árbitro perdeu a moral e deixou o Elias apitar a partida. E foi o Elias que expulsou o Jonas. O Corinthians tinha a posse de bola após a falta, mas o Elias chutou para fora e encarou o árbitro… que obedeceu. Que pena. Poderia ter sido uma bela partida.
    Eu vi uma grande atuação do Guerrero. Poucos atacantes recebem a bola como pivô tendo os dois excelentes zagueiros corintianos às suas costas e mantém a posse até a chegada do companheiro. O Guerrero perdeu poucas bolas nas disputas com seus adversários. Mas também não tinha o Sheik pra ajudá-lo. O Paulinho tem muitas virtudes, mas a força física não é uma delas. E força física era a chave para a partida de domingo.

    • Rodrigo-CPQ

      Paulo, pelo que li e vi à respeito, o Jonas fez o mesmo número de faltas até o primeiro amarelo que o Ralf fez durante todo o jogo (salvo engano, o Ralf fez uma a menos, até – alguém tem os números corretos?). O Elias “apitou” tanto o jogo que tomou o amarelo e está suspenso do jogo contra o Atlético (jogo para fora porque a entrada no Renato Augusto foi forte).

MaisRecentes

É do Carille



Continue Lendo

Campeão de novo



Continue Lendo

Inglaterra 0 x 0 Brasil



Continue Lendo