CAMISA 12



(publicada ontem, no Lance!)

VAI FICAR CARO…

Dunga deu uma declaração conveniente à revista Istoé 2016, que chegará às bancas no fim de semana. O técnico da Seleção Brasileira depreciou a geração de jogadores com a qual trabalha, ao estilo do mecânico esperto que já avisa que o conserto do seu carro ficará caro, cinco segundos após abrir o capô.

O comentário textual de Dunga: “O Brasil era acostumado a ter três ou quatro jogadores de referência, isso acabou. Temos um vácuo na geração de 23 a 28 anos. No Brasil, eles eram fantásticos, mas na Europa não vingaram por diversos motivos, inclusive porque ficam muito tempo no banco de reservas. Não temos jogadores de ponta, que decidem, habituados a ser a marca dos seus times”.

Cansativo, não? A queda na produção de jogadores brasileiros fora de série não é um assunto novo, e é algo bastante evidente para quem presta atenção. Um exercício simples mostra o cenário com o qual convivemos hoje: diga quantos jogadores brasileiros, atuando na elite da Europa, são considerados os principais nomes de suas equipes. É impossível começar a lista, pois não há nenhum. Zero. Nem Neymar, o melhor jogador nascido no Brasil com enorme distância, pode dizer que é o astro de seu time.

Daí a falar em “vácuo” e que há jogadores que “não vingaram na Europa”, o exagero é grave. Há brasileiros titulares e estabelecidos em grandes times europeus, à disposição da Seleção. Jogadores que frequentemente se destacam em suas equipes, que podem ter rendimento compatível no time nacional, e que não merecem ser responsabilizados previamente por fracassos ou exibições de futebol feio. Quantos “jogadores de ponta, que decidem, habituados a ser a marca dos seus times” há na seleção do Chile?

O mecânico que já assusta o cliente antes de descobrir o problema se coloca em posição privilegiada. Se cobrar um preço razoável, será visto como um mágico. Se cobrar alto, não poderá ouvir que não avisou. Discursos convenientes acalmam, aliviam e protegem. Mas não enganam. Pelo menos não a todos.

FANTASIA

Não deveria surpreender a ninguém que Rinaldo Martorelli se posicionasse contra a Primeira Liga. Ele apenas deveria cuidar das aparências e não surgir em um vídeo da CBF, mas talvez já não ligue para isso. Martorelli sempre foi e será um serviçal de cartolas. O disfarce de representante dos direitos de jogadores futebol lhe serve para defender o próprio pescoço.

COMÉRCIO

A Fifa confirmou que Ricardo Teixeira está sob investigação na entidade, ao divulgar os nomes de onze dirigentes – entre eles Joseph Blatter e Michel Platini – enroscados nos escândalos do futebol. Na ótica da Fifa, a simples publicação dos investigados é uma medida que mostra transparência. Transparente é a facilidade para enriquecer “negociando” a paixão alheia.



  • Alisson Sbrana

    Adoraria saber do Dunga o que ele acha dos treinadores brasileiros que “vingam” na Europa.

  • Renato Rasiko

    Caro André, é no mínimo estranho que jornalistas como você e seu pai, paladinos da moral no futebol, respeitado por todos que anseiam por um futebol limpo, não manifestem apoio à candidatura do ZicoFifa. Não sei, sinceramente, se tenho direito ou não de lhe fazer essa cobrança, mas reitero meu desapontamento com essa incoerência. Grande abraço.

    AK: Nunca foi minha intenção, e jamais será, ser visto como representante de ideias ou comportamentos. Tento fazer meu trabalho da maneira que entendo ser correta. Neste ponto, não creio que seja papel de um jornalista manifestar apoio a um candidato à presidência da Fifa. Pessoalmente, adoraria que Zico tivesse sucesso. Um abraço.

  • Juliano

    A lista de razões pela queda na produção de foras-de-série é grande. Mas é uma grande oportunidade para deixar de depender exclusivamente do talento e pensar em formar um TIME. Exemplos não faltam, o paralelo com o atual Chile é preciso. Outro paralelo poderia ser feito com o Corinthians, virtual campeão brasileiro de 2015. Ou ainda com o Detroit Pistons de 2004.

    Mas a visão obtusa de Dunga não permite enxergar as coisas desta maneira. Derrotas acachapantes nas Eliminatórias seriam muito bem vindas para a troca de treinador, desde que o sucessor não seja ninguém além de Tite.

    Abraço!

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