CAMISA 12



(publicada ontem, no Lance!)

RAÇA…?

As palavras estavam frescas na memória de Hulk, na véspera de Brasil x Venezuela. “Raça”, “não pode tirar o pé”, “se tirar vai custar caro”. Não eram cobranças do treinador venezuelano, assustado diante do Everest técnico que separa as duas seleções. Eram ordens de Dunga.

Não. Não cometeremos a injustiça de sacar uma pequena declaração de um contexto muito mais amplo. Mesmo porque um técnico não comete um crime ao exigir disposição de seus jogadores, ainda que este seja um conceito de difícil identificação. A questão é a ênfase e a hierarquia do que se cobra. Defina “raça”, por favor. Do que se trata? É encarar cada disputa de bola como a última, e se alguém fraturar a tíbia, que seja o outro? É correr desordenadamente, se lançar em carrinhos na linha lateral e vibrar com a torcida após uma dividida? Jogar futebol com raiva, é isso?

Porque se for, a Seleção Brasileira não precisa reunir jogadores que atuam nos melhores times do Brasil e da Europa. Rachar todas a bolas, correr sem saber para onde e babar para satisfazer a massa formam um padrão de comportamento que está ao alcance de qualquer um. A não ser que realmente se acredite na fantasia que seduz tantos inocentes: “se igualarmos na pegada, nossa técnica aparecerá”. Contra a Venezuela?! Sério? A derrota para o Chile por acaso se explica por falta de “pegada”?

Não seria razoável esperar um time exemplar a esta altura, levando em conta as dificuldades que caracterizam o trabalho do técnico da Seleção Brasileira. Mas seria interessante ver um time que procurasse fazer as coisas do jeito certo, com base em virtudes, não em latidos. Mas o que temos é uma Seleção que aceita ser incluída em uma vala comum cujo nome é “Não Há Mais Bobos”. Uma Seleção que acredita que superioridade técnica é o subproduto de uma subjetividade à qual se convencionou chamar de “raça”.

Já notou que não se cobra “raça” de times que jogam bem?

DIPLOMA

Veio de Eurico Miranda – de quem mais? – a chancela que faltava à Liga Sul-Minas-Rio. Se o presidente do Vasco, figura que personifica tudo o que é retrógrado e deve ser combatido no futebol brasileiro, qualificou a nova liga como “imoral”, é porque o movimento está no caminho certo. A Sul-Minas-Rio deveria agradecer a Eurico pelo atestado de qualidade.

OPÇÃO ERRADA

Roberto de Andrade, presidente do Corinthians, pode ser considerado um cartola discreto. Não se notabiliza por cenas espalhafatosas, talvez por não ser a pessoa que realmente dá as cartas no clube. Andrade também fala pouco, o que é saudável. Suas críticas à Democracia Corinthiana explicam por quê. Não existe pior tipo de ignorância do que a voluntária.



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