COLUNA DA TERÇA



(publicada ontem, no Lance!)

É… QUARTA-FEIRA!

Que triste deve ser olhar para o que está acontecendo no São Paulo e “concluir” – à distância, sem conhecer o assunto, e com teimosia, pois as informações estão disponíveis – que Juan Carlos Osorio está dirigindo um espetáculo de cinismo e falta de ética, em que converte o clube que lhe paga em refém de uma oportunidade profissional vantajosa. Escolher como verdade uma impressão sem embasamento, além de um equívoco, é um lamentável sinal de visão estreita. Próprio de quem é incapaz de aceitar a existência de virtudes e toma os outros por si.

Osorio tem oferecido lições de comportamento público desde que chegou ao Brasil. Seu esforço para ser compreendido com clareza é indiscutível, sua disponibilidade para tratar de assuntos que muitos técnicos normalmente evitam, louvável. A leitura distorcida de sua conduta diante da possibilidade de deixar o São Paulo é um reflexo do estereótipo consumido no país: a demonstração de sinceridade ao microfone ou é artificial ou tem segundas intenções. Ou ambos. Assim, uma pessoa em evidente angústia, que não se furta a expressá-la e expor seus motivos, é transformada em um manipulador mentiroso. Quer mais dinheiro do clube, ou já assinou com seu futuro empregador e não pode revelar. Quanta miséria.

Essa caracterização fantasiosa ignora o termômetro mais importante sobre o trabalho de um treinador: a opinião daqueles que vivem sob seu comando. É óbvio que nenhum deles viria a público para reprovar a postura de Osorio e exigir que resolva logo seu futuro. Mas quando um vestiário deseja que detalhes de seu ambiente sejam conhecidos, eles se tornam conhecidos. E rápido. Por outro lado, não é difícil identificar as mensagens que acompanham declarações aparentemente protocolares, em especial a de uma voz associada ao São Paulo nos últimos vinte e cinco anos. Recados claros para o torcedor – mas só para aquele dotado de senso crítico e que se recusa a chacoalhar pompons para cartolas – e para quem opera acima do técnico.

Insistindo: a seleção mexicana escolheu Osorio. Ele sabe o que isso significa em termos de realização profissional e que uma chance semelhante pode não se apresentar novamente. Mas ele também sabe o quanto gosta de trabalhar no São Paulo, calcula o passo adiante que o time pode dar no próximo ano, pondera a rápida adaptação de sua família à cidade. A perspectiva de que a situação política do clube esteja radicalmente diferente em um espaço de tempo que pode ser surpreendente é outro aspecto que interfere em seu processo decisório. Em resumo, a sensação de corrosão interna que suas palavras sugerem é verídica.

Viver é escolher, escolher é perder, perder é sofrer. O resto é o ruído de quem acha possível fazer diagnósticos sem conversar com o paciente, e/ou prefere esquecer o tratamento dado a Muricy Ramalho ao final de sua passagem pelo mesmo São Paulo. A narrativa oficial se alimentava de sua fragilidade e o minava de forma enojante. Muricy não teve saúde para suportar. Osorio tem.

EXIBIÇÃO

O Bayern de Munique fez mais do que golear o Borussia Dortmund por 5 x 1, neste domingo. Bem mais. Os atuais campeões alemães mostraram que possuem vários times diferentes em um, e que todos são ótimos. Por momentos que se provaram cruciais, como no primeiro e no terceiros gols, a tradicional elaboração do jogo foi substituída por uma mortal ligação direta zagueiro-atacante. Passes longos, espetaculares, de Boateng, criaram os gols de Muller e Lewandowski, fazendo ruir a preparação de Thomas Tuchel para enfrentar Pep Guardiola. Um fato: em jogo, o Bayern parece insuperável. A questão é se isso será um fato no trecho decisivo da temporada.

SENTENÇA ESPECIAL

Rejeitar a Seleção Brasileira de 1982 é um crime tão hediondo, mas tão hediondo, que Mané e Pelé são capazes de voltar ao campo para aplicar a punição.



  • Anna

    Boa, André. Mexer com a seleção de 82 é mexer com o sagrado. rs Pelé e Mané não poderiam deixar impunemente tamanha heresia. Fora, Mourinho!! 😉

  • Fernando Itirapuã/SP

    Quem não reconhece a realmente Seleção da Pátria em 82, perdoe-me não conhece futebol!

    • Ricardo

      “Seleção da Pátria” me soa tão estranho…

      • Fernando Itirapuã/SP

        em 82 quando a ditadura ruía em cinzas…não era estranho! História Ricardo, alimenta a alma! Quem não conhece a própria história, desconhece a própria!

        • Ricardo

          Uau! Eu só disse que me soa estranho. Esse patriotismo exacerbado só atrapalha.

  • Bruno Fernandes

    Se Mourinho fosse menos egocêntrico, talvez ficasse mais fácil tentar ver as qualidades como técnico que ele mesmo tanto exalta, mas do jeito que ele é mala e marrento, os defeitos dele nesse sentido também ficam evidentes, como o desrespeito que ele tem com alguns companheiros de profissão como no caso de declarações que ele já deu em relação ao Wenger, taxando-o como perdedor. De certo Wenger será muito mais lembrado pelos times que ele montou, que fazem do Arsenal a mais de uma década um time sempre agradável de ver jogar na maioria das vezez, enquanto os times de Mourinho ganham muito, mas não estão nem aí para o jogo bem jogado, se importando mais com outros aspectos que influenciam o resultado do jogo, e criando caso até com a médica do clube, faltando com respeito com a profissional sem o menor pudor.

    Ele pode ser um cara que já ganhou muito, mas acho que um cara com a visão que ele tem do futebol e si mesmo, um mal para o esporte, mesm que com esse jeito e métodos ele venha a ganhar mais um monte de títulos importantes…ele se identifica com a seleção italiana apenas por um aspecto: ela ganhou um título. O resto pra ele não importa.

    Temos um técnico bem menos capaz e preparado que Mourinho na seleção brasileira, que certamente compactua muito mais com as ideias do treinador português, do que com Wenger (ou Guardiola se é pra citar alguém que se preocupa em jogar, e que ao mesmo tempo conquista títulos). Esses caras infelizmente estragam o esporte na minha visão.

  • Ricardo

    Você disse Boateng? Não foi esse que se tornou imprestável depois que um alienígena lhe deixou estirado no chão? Ah, o futebol…

  • Ricardo

    Você disse Boateng? Não foi esse que se tornou um imprestável depois que um alienígena lhe deixou estirado no chão? Ah, o futebol…

  • José Henrique

    Crime hediondo também comete a Alemã Volks. Quase nos suicidamos pelos 7×1, que eles justifiquem 1.8 milhões de veículos adulterados , em todo mundo. Já deu esse endeusamento de ingleses e alemães. Já acho um absurdo as Tvs brasileiras remeterem divisas comprando campeonatos estrangeiros. Em parte temos que concordar que parecemos vira-latas mesmo.
    7×1 ou 8×1?

  • Paulo Pinheiro

    Notícia agora das 17h dá conta de que o Aidar demitiu toda a diretoria e vai recomeçar do zero. Fim da confusão ou o ápice dela?

    Em tempo… acho que estou desinformado. Quem teria cometido a heresia de rejeitar a Seleção de 82?

    • Teobaldo

      Salvo engano, Paulo Pinheiro, foi o Mourinho.

  • João Henrique Levada

    Bom, o André não deu nome ao detrator. Todavia, deve ser mesmo o Mourinho.

    Se num primeiro momento, também fiquei indignado, pude entender melhor o que ele quis dizer, reparando neste trecho aqui:
    “Caso tivessem me perguntado, um mês antes se gostaria de treinar esse grupo de azul ou esse grupo de amarelo, eu, durante um mês, pegaria o grupo de amarelo e tentaria fazer deles uma grande equipe, porque a Itália era uma grande equipe, com um treinador quadrado, pragmático objetivo. Se eu tivesse que escolher naquela altura (já na Copa do Mundo), escolheria a Itália”.

    Mourinho não é brasileiro, e imagino que não sinta-se em débito algum com nosso futebol nacional.

    Ele foi pragmático (demais, talvez?) e prefere guiar a equipe que julga mais forte, contando que não houvesse tempo.

    Não acho que caiba punição terrena, tampouco mitológica.

    • Alisson Sbrana

      Pois é, também não vi nada de tão dramático no trecho recortado da tv. Discordo dele no que se refere ao Brasil de 82 não ser uma grande equipe (e ser apenas um grupo de grandes jogadores). Talvez isso se deva a ignorância de muitos quanto aos nossos treinadores. Se bem que, depois de Telê são muito poucos os que se fazem notar fora do Brasil. Pobreza essa nossa que não é pior que a limitação de nossos dirigentes. Enfim, se me perguntarem, eu também prefiro que o Mourinho treine a Itália.

  • Thiago Mariz

    Concordo totalmente com o caso do Bayern. Guardiola, numa declaração do Barcelona, disse que ele era um time de uma nota só. E de fato era. Só que essa “simples” nota, era imparável. Acho que foram os sistemáticos enfrentamentos contra Mourinho que foi mostrando ao mundo o antídoto ao tiki-taka.

    O Bayern funcionava mais ou menos da mesma forma. Acho que Guardiola pecou por não utilizar plenamente o potencial dos seus jogadores. Mas tenho acompanhado um pouco mais de perto o Bayern nessa temporada e notei isso aí que você comentou, André. Um time que varia mais, acelera, em 2-3 toques chega ao gol. E eles têm elenco pra acelerar e depois destruir psicologicamente o adversário não entregando a bola nunca. Estava vendo o Barça de Guardiola e pensei que se a UCL estivesse na reta final, hoje o Bayern seria campeão. Só espero que eles não sofram no fim da temporada. Mas notei que ele tem revezado mais seus jogadores, acredito que essas duas mudanças foram influenciadas pelo que ele viu do próprio Barcelona. Olha, um novo Barcelona x Bayern seria fantástico demais.

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