ATAÍDE X AIDAR



O presidente do São Paulo, Carlos Miguel Aidar, foi agredido na manhã desta segunda-feira pelo vice-presidente de futebol do clube, Ataíde Gil Guerreiro, em um hotel paulistano.

A briga aconteceu no hotel Radisson, onde membros da diretoria do São Paulo se encontraram para uma reunião.

A cena se deu diante de hóspedes e funcionários do hotel.

Duas pessoas com quem conversei relatam que Guerreiro acertou Aidar com um soco no rosto, derrubando o dirigente, e depois jogou-se sobre ele e apertou seu pescoço, gritando ameaças. Funcionários do hotel agiram para conter o vice-presidente, um homem consideravelmente maior e mais forte do que Aidar, e evitaram consequências piores.

Uma terceira pessoa descreve o entrevero de maneira um pouco menos violenta: enfurecido, Guerreiro levantou-se de sua cadeira gritando com o presidente são-paulino. Chegou com o dedo em riste próximo ao rosto de Aidar, ameaçando lhe “quebrar a cara”. Aidar ficou sentado, imóvel. Guerreiro fechou o punho e o encostou na bochecha de seu chefe e o empurrou, mas não desferiu o golpe com violência suficiente para machucá-lo fisicamente.

Aidar e Guerreiro podem esclarecer o nível de violência envolvido. Especialmente porque Ataíde disse a pessoas próximas a ele, logo após os fatos, que deu “um murro na cara de Carlos Miguel”. Aidar, por sua vez, nega tudo.

O motivo do desentendimento ainda é nebuloso. Fala-se em uma discordância sobre o substituto do técnico Juan Carlos Osorio, mas o que apurei é diferente.

Aidar pediu para Ataíde chegar ao hotel um pouco mais cedo do que o horário combinado com outros presentes, como o vice-presidente Julio Casares e o vice-presidente de comunicações e marketing, Douglas Schwartzmann. A discussão que levou às agressões não foi testemunhada por eles, mas conselheiros importantes do São Paulo sabem do que se trata.

É o tipo de assunto que um jornalista não pode publicar se não tiver provas documentais ou uma gravação, e que, por conta da gravidade, deveria ser objeto de deliberações no clube.

Indo quase ao limite, o que posso dizer é que Guerreiro se sentiu extremamente ofendido pelo que ouviu de Aidar antes de se levantar.

O episódio aconteceu pela manhã, mas só se tornou conhecido à noite, quando a jornalista Vera Magalhães, do blog Radar On-Line, publicou a notícia.

Este post é resultado de apurações posteriores.

Talvez não só por causa do que aconteceu no hotel, mas certamente também por isso, diretores do São Paulo se reuniram à noite. Parece óbvio que um fato como esse terá repercussão na relação profissional entre Aidar e Guerreiro.

Aguarda-se a manifestação de ambos.

Negar a agressão brutal, apesar do testemunho de quem estava no local, talvez permita – até por temor – a Carlos Miguel desviar-se da obrigação de demitir Ataíde. Seria mais um desdobramento quase inacreditável em uma gestão que se encontra em sérios apuros.



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