CAMISA 12



(publicada ontem, no Lance!)

VOZ DE COMANDO

Você conversa com Tite sobre o time dele e, acredite, ouve pouco a respeito do jogo em si. É óbvio que o técnico do Corinthians tem muito a dizer sobre o que tem funcionado bem e o que ainda pode funcionar melhor. Mas essa não é a questão. A questão é o que você ouve quando Tite escolhe o assunto e fala livremente. E você ouve um técnico falar sobre jogadores que… ouvem.

“Este é um grupo que sabe ouvir, o que é muito difícil”, pondera Tite. “Tem alto nível de concentração, é consciente da importância da sua preparação”. Dirigir um time que joga como treina é, ao mesmo tempo, um orgulho e um desafio para um treinador. Cabe a ele a tarefa de seduzir os jogadores a ponto de convencê-los do valor do ensaio, sob o ponto de vista da prática, da mentalização e até do descanso. O amadurecimento chega quando todos estão na mesma página, convictos do processo, de seu custo e seu prêmio. O que se vê em campo é o produto desse ambiente.

A dez rodadas do fim do Campeonato Brasileiro, o Corinthians gera em seu técnico o prazer de comandar um time maduro, o que talvez seja mais significativo do que a vantagem em pontos sobre seus perseguidores na classificação. A diferença só será protegida se o desempenho se mantiver alto, algo que está tão ligado à bola rolando quanto à maneira de encarar dificuldades, pressões e oportunidades.

O Corinthians se distancia dos concorrentes no aspecto técnico, porque é o único time que tem três jogadores dotados da capacidade de controlar jogos. Jadson, Elias e Renato Augusto, juntos, abrem portas, decidem rotas, dão vida a encontros e os colocam para dormir. Manter esse trio de meio-campistas a salvo das ameaças inerentes a cada jogo é uma proposta ousada, porém vital.

No fim de semana, o Campeonato Brasileiro de 2015 entra no território em que títulos são vencidos e perdidos. Tite não tenta ampliar o curto calendário dos técnicos. “Passo a passo, jogo a jogo”, ele diz, certo de que seus jogadores ouvem.

HÁ VAGAS

Cristiane Paquelet, a diretora do COB que criou uma farsa para se incluir no livro que conta a história dos atletas olímpicos brasileiros, não terá problemas para se reposicionar no mercado. Há clubes de futebol que valorizam muito a capacidade de manipular fatos, como se a opinião pública fosse composta por tolos. Não será preciso enviar currículo.

E O JOGO?

Enquanto valorizarmos técnicos que vociferam na linha lateral, que acham que a bola é um mal necessário e que a vitória ocasional é sinal de inteligência, teremos times que “trabalham”, jogadores que “lutam”, torcedores que aplaudem o “esforço”. O futebol bélico e bruto é outro esporte, disputado com outra bola. O que conhecemos precisa ser jogado.



  • Teobaldo

    Prezado AK, permita-me alguns comentários (ou heresias, talvez!) dos pontos abordados neste post.

    VOZ DE COMANDO – Em 2005 o Tite treinou o meu Galo que, naquele ano foi rebaixado. Chego à triste conclusão que além de muito ruins, todos os jogadores eram surdos… ou o técnico era mudo?

    HÁ VAGAS – É certo que a Sra Cristiane Paquelet teve uma atitude abjeta, assim como o ex-nadador José Cláudio dos Santos (Zequinha dos Santos), apesar de que, deste último, eu não tenha visto nenhum comentário (eu sei, a Sra Cristiane Paquelet é um agente público e, na posição dela, deveria dar o exemplo). Apesar do exposto entendo que uma das funções de quem publica uma obra semelhante àquela publicada pela Profª Kátia Rúbio seja, também, conferir as fontes e informações. Obviamente não estou condenando a vítima, mas que houve uma falha no processo é inegável. E lamentável, apesar do brilhante trabalho.

    E O JOGO? – Eu gostaria de estar na sua cabeça (dentro dela, óbvio) para saber quem você considera que sejam os técnicos “valorizados por vociferam na linha lateral, que acham que a bola é um mal necessário e que a vitória ocasional é sinal de inteligência”. Tenho certeza que eu daria boas rizadas!

    Um abraço!

    • Ricardo

      Improvável que há 10 anos Tite tenha trabalhado como o faz hoje em dia. É notável o quanto evoluiu tanto na montagem dos times, como na gestão de pessoas.

      • Teobaldo

        Depende, Ricardo, de qual período podemos considerar como “hoje em dia”. Um ano? Um mês? Uma semana?

        • Ricardo

          Podemos considerar o período que você quiser, ou pra ser mais exato, desde que ele passou a ser considerado treinador de ponta, sempre cotado pra Seleção Brasileira. Ou sei lá… de 5 anos pra cá. De uma maneira geral, o que quero dizer, é que não da pra considerar os trabalhos de caras estudiosos do futebol como ele, da mesma maneira, num espaço de 10 anos.
          Então, não acho que os jogadores do seu galo eram surdos, nem ele mudo. Quanto a ser muito ruins… já dá pra discutir rs

          Um abraço!

          • Teobaldo

            Eu só admito discutir se os caras eram ruins se as opções forem RUINS OU PÉSSIMOS. Kkkkk! Eu só vi o Tite sendo cogitado para a seleção logo após a Copa-14. Ou estou enganado? E vale lembrar que na saída dele do Corinthians, a menos de 5 anis, o tiMÃO estava quase “visando” a segundo. Lembra?

            AK: Tite foi cogitado para substituir Mano Menezes na Seleção Brasileira, como escrevi aqui. Sua evolução como técnico nos últimos anos é evidente. Um abraço.

            • Teobaldo

              Você, por óbvio, é melhor informado sobre os bastidores, mas eu não percebi, nem naquela época, um movimento significativo pró-Tite na seleção. E admito a evolução dele; não ao ponto de considerá-lo tão acima dos demais, como muitas vezes parece transparecer. Outros do mesmo nível, na minha opinião, é claro: Levir; Mano; Marcelo Oliveira; Osvaldo Oliveira; Abel. Um abraço!

              • Adriano

                Mano e tite no mesmo nivel tecnico? Descordo totalmente. Comparaçao descabida para quem acompanha futebol

              • Rodrigo-CPQ

                Cara, o Levir quando perde sempre culpa o juiz. No domingo, na entrevista pós-jogo ele solta a pérola “mas o Atlético foi prejudicado no primeiro tempo. Foi lateral, e o jogador deles que já tinha cartão amarelo impediu a cobrança rápida do lateral, era pra ser expulso”. Ele adora tirar o mérito do time adversário e colocar o resultado adverso na conta da arbitragem. Respeito sua opinião, mas colocar Tite no mesmo patamar que Levir, Abel Oswaldo Oliveira… sei não…

    • Rodrigo-CPQ

      Teobaldo, trecho da entrevista do Tite, na época do rebaixamento do Galo:

      – Não sou demagogo e tenho a noção exata da responsabilidade. Tenho minha parcela não de culpa, mas sim de responsabilidade – afirmou o técnico à “Rádio Itatiaia”, ressaltando que gostaria de um colaborar novamente com o clube. – Seria um grande orgulho profissional retornar ao Atlético. Talvez para resgastar e devolver a confiança que depositaram em mim. Mas tem de passar um tempo, até mesmo para eu me reciclar.

      Acho que a última sentença responde sua dúvida.

      Se o AK me permitir, segue o link para a matéria completa:

      http://globoesporte.globo.com/ESP/Noticia/Arquivo/0,,AA1081827-4276,00.html

      • Teobaldo

        Prezado Rodrigo-CPQ, apenas para pontuar: 1 – O que propus discutir aqui nunca passou por erros de arbitragem, embora eles aconteçam e não “são diluídos e por isso são menos prejudiciais tanto quanto em jogos eliminatórios” como muitos acreditam. 2 – Eu não entendi a qual dúvida você se refere com “a minha dúvida”. 3 – Eu gostaria no meu Galo em 2015, um treinador que nunca tenha dirigido o nosso time principal. Os da minha preferência são Ney Franco e Léo Condé (ex-Caldense, atualmente no Sampaio Correia) que começou, salvo engano, como auxiliar do Levir Culpi e do Marcelo Oliveira, no próprio Atlético.

        • Rodrigo-CPQ

          Ô, Teobaldo, é por isso que gosto daqui!! O blogueiro escreve bem, a audiência é educada e inteligente e isso gera boas conversas!! Mas vamos lá:
          – citei esse fato do Levir porque eu o acho um treinador mediano, incapaz de analisar uma partida com critérios, descambando sempre pro lado da arbitragem. Não acho um bom treinador e o considero limitado. Sobre os pontos corridos e os erros de arbitragem, percebo que os erros influem tanto em um como em outro. E não vejo erros direcionados. Vejo ruindade e falta de critérios mesmo;
          – sobre a declaração do Tite, entendi que você questionou o papel do Tite no rebaixamento, algo como “se ele é tão bom assim, por que o time caiu?”. Me desculpe se entendi errado. Se foi isso mesmo, ele se situa bem no contexto do rebaixamento, assumindo parcela de “responsabilidade” e enfatizando o fato de ter que se reciclar;
          – Ney Franco é um cara que respeito. Me parece que não é um cara pra dar resultado no primeiro ano e, se tiver tempo e tranquilidade para trabalhar, rende bons frutos em qualquer equipe. Desconheço o Léo Condé. Procurarei saber mais à respeito;
          – Só pra citar, treinadores que “torço” para que tenham sucesso: Tite, Dorival Jr., Oswaldo Oliveira, Osório, Gilson Kleina e mais alguns menos cotados. Gosto do jeito que trabalham…

  • RENATO77

    Manter Jadson e RA no mesmo time custou várias derrotas/empates, principalmente em clássicos, no decorrer do ano. O time fica frágil demais na marcação e quando o jogo fica “corpo a corpo”, que é comum em clássicos ou com uma arbitragem mais permissiva ao jogo bruto, a equipe geralmente acabava perdendo pontos…derrotas ou empates. Esse tipo de resultado, jejum em clássicos regionais, pode por em risco um trabalho. Tite é uma rara exceção, pois tem credito com a torcida.
    Por outro lado, não se pode negar que tal opção, Jadson+RA, mostra claramente uma busca pelo “jogo”, toque de bola produtivo. É bom que se destaque isso para quem tem a fama de retranqueiro e a equipe dele de “burocrática”, sonolenta…etc..
    Coincidência, acho que não, a partir da contusão de B.Henrique e o retorno de Ralf ao meio campo, deixou a equipe mais equilibrada. Saiu um jogador mais técnico e com menor poder de marcação e entrou outro, um “craque” na função mais defensiva do meio campo.
    O “acaso” deu uma mãozinha nessa hora. Tenho minhas dúvidas se o meio campo sem Ralf e com BH, teria chegado aos pontos atuais…

    Considero Tite um dos melhores do Brasil, mas nada além disso. Os últimos anos tem nos mostrado que treinador, assim como jogador, tem “boa fase” e “má fase”. Vide Luxemburgo, Murici…entre outros.
    Tite está em grande fase.
    Basta fazer as contas de quantos jogadores sairam, ou por contusão ou por transferências neste ano. Claro que ele tem seus méritos, mas considero uma boa dose de “acaso” neste tipo de situação. Também há de se dar crédito à diretoria que tem feito contratações no mínimo razoáveis o que tornou o elenco do SCCP bastante equilibrado e homogêneo. Mesmo com as saídas, não há elenco melhor atualmente.
    Na mesma linha, mérito também da categoria de base.

    Não consigo entender as contas dos matemáticos que dão chance de titulo de quase 90% ao Corinthians. Nas minhas contas, a diferença a ser tirada é de 4 pontos(dois empates do SCCP e duas vitorias do CAM), pois quem quer ser campeão tem que contar com a vitoria no confronto direto que acontecerá na casa do galo.
    7 pontos é uma boa vantagem, mas 90% acho muita coisa.
    Abraço.

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