COLUNA DA TERÇA



(publicada ontem, no Lance!)

TOM MODERADO

A nova CBF, aquela que se comunica com a opinião pública por intermédio de notas oficias que “não confirmam e nem desmentem”, ou por colunas de jornais que desafiam as regras do idioma, deveria se preparar para um conflito de gente grande. Isto é, se as figuras que tomam decisões na ex-sede José Maria Marin forem prepotentes a ponto de procurar o caminho do desentendimento. Levando em consideração seus históricos, é bem provável que sejam. Se forem, se arrependerão.

Os clubes que fundaram a Liga Sul-Minas-Rio estão decididos a realizar o torneio no início do ano que vem, com ou sem o aval da confederação ou o olhar reprovador das federações estaduais. Como se não bastassem os argumentos relativos ao desejo de tais clubes, à estruturação de uma competição que gerará atenção e receitas, às conversas com emissoras de televisão dispostas a transmiti-la, convém lembrar que a legislação brasileira dá a clubes o direito de formar ligas. Os treze clubes que compõem a Sul-Minas-Rio têm todo o interesse de fazer seu torneio em acordo com os envolvidos, respeitando o calendário e os contratos em vigor, porém não precisam pedir autorização a ninguém.

Marco Polo Del Nero, o alter ego do navegador veneziano que sofre de fobia de voar, já tem problemas suficientes com o colapso da estrutura do futebol a partir de Zurique, mas se encontra, também, em situação delicada no organograma doméstico. O presidente da CBF precisa do apoio das federações para se sustentar em sua cadeira na Barra da Tijuca, o que sugere um posicionamento alinhado com os “donos” de cartórios esportivos assustados com a perda de espaço/influência/poder e outras coisas mais que a Sul-Minas-Rio representa. Mas o avanço inevitável vem na direção contrária, com o peso de clubes representativos e unidos, e começa a ganhar velocidade.

A escolha de Alexandre Kalil para a posição de CEO da nova liga é uma péssima notícia para todos que cogitarem enfrentá-la. O ex-presidente do Atlético Mineiro ainda não respondeu definitivamente àqueles que o elegeram, por unanimidade, na última sexta-feira, mas está propenso a aceitar a responsabilidade de defender os interesses da Sul-Minas-Rio, provisoriamente comandada pelo cruzeirense Gilvan Tavares. A diferença de estilo entre Tavares e Kalil é equivalente à distância entre uma bicicleta e um tanque. Kalil, por vezes, não pensa antes de falar. Por outras, diz o que não pensa. Mas não conhece esforço grande demais em nome do que considera correto e, desde que deixou o Atlético, está descansado.

A liga já procurou a CBF para agendar uma reunião de apresentação do torneio, na qual será discutida a melhor forma de inclui-lo na programação da próxima temporada. A conversa não deve ser um exercício de subserviência, especialmente se Kalil estiver em um dos lados da mesa. Do outro estará Del Nero, acompanhado por seus estrategistas, gente que “trabalha incansavelmente para que o futebol brasileiro volte a brilhar”. Digamos que não estejam em posição de falar muito alto.

ACABANDO

É simples detectar a origem da aversão das federações estaduais aos movimentos de emancipação dos clubes. Se os verdadeiros donos do produto forem capazes de se organizar e tratar dos próprios assuntos, todos os intermediários estarão à procura do que fazer. O estado atrasado do futebol no Brasil está intimamente ligado a esses cartórios que só existem por aqui. Manter o atraso é questão de sobrevivência, por isso não se deve esperar que as federações assistam quietas ao processo de extinção ao qual estão condenadas.

COMEÇANDO

Uma das chaves para o avanço está nas mãos dos patrocinadores, que parecem convencidos da necessidade de um novo ambiente, com novas práticas. Se aqueles que assinam os cheques compartilharem uma nova maneira de fazer as coisas, nem que seja inicialmente por vergonha, a reciclagem se encarregará do resto.



  • Kessya

    Caro Andre Kfouri
    Como este ano está tão cheio de polêmicas com arbitragens no Campeonato Brasileiro porquê a imprensa esportiva no final do ano não faz um simpósio com ex-árbitros (Simon, Gaciba, Sálvio, Arnaldo, etc.), ex-jogadores (Junior, Edmundo, Alex, Zé Elias, etc.) e comentaristas esportivos (Você, Tostão, Juca, Calçade, PVC, etc.) utilizando como estudo de caso alguns jogos polêmicos, os quais o uso da tecnologia poderia ter evitado as polêmicas.
    Como amante do futebol, com um pouco de conhecimento sobre as regras, acho que o jogo Atlético 4 e Flamengo 1 daria um excelente estudo de caso apesar de não ter sido tão polêmico, como é um estudo de caso podemos ver as possíveis polêmicas no lance do pênalti a favor do Flamengo:
    1) Impedimento:
    O juiz poderia ter marcado impedimento no lance. (o vídeo mostraria que o Cirino estava na mesma linha ou antes dos defensores)
    2) Pênalti não marcado
    O juiz poderia não ter marcado pênalti e dado cartão amarelo para o Cirino por simulação. (o vídeo mostraria que o Cirino não dobra as pernas)
    (opinião do Carlos Alberto Torres – não foi pênalti e sem cartão amarelo)
    3) Pênalti com expulsão do Victor (a única polêmica)
    O juiz marca pênalti e expulsa o Victor. (o vídeo mostraria que o Cirino tem controle da bola, não havia defensores fazendo cobertura e drible para fora (não em direção ao gol) mas com a possibilidade clara, ainda, de gol)
    (opinião do Edinho, do Renato Mauricio Prado – pênalti e cartão vermelho)
    (opinião do Sálvio e do Zé Elias – pênalti e sem cartão vermelho)
    Existe um lance em 2011 Corinthians 2 x 2 Palmeiras (https://www.youtube.com/watch?v=V8sf4JhBEcM) que o Marcos é expulso após o Jorge Henrique driblá-lo, pois na interpretação do árbitro havia uma situação clara e manifesta de gol do adversário.
    Caro André para os amantes do futebol será que você não poderia organizar este simpósio, provavelmente as empresas que gostariam de ver a maior lisura possível no futebol brasileiro patrocinaria este evento. Este simpósio poderia ajudar já no Rio-Sul-Minas a viabilização do uso da tecnologia no futebol.

  • Paulo Pinheiro

    André, a Liga Sul-Minas – ainda que sutilmente – não representa também uma resposta aos clubes de SP, já que desde que o sr. Marco Polo (sem acento mesmo?) assumiu o comando da CBF, esta “paulistou” um pouco?
    Gostaria de ver uma coluna sua sobre o caso Iago no SPFC. Está bombando lá no Morumbi!

    AK: Sobre a liga ser “uma resposta”: raciocínio incorreto. Sobre a contratação do Iago, escrevi a respeito na última coluna dominical. Um abraço.

  • kessya

    Caro André

    O simposio eh possível?
    Abraços

    • Gabriel Gobeth

      Com todo o respeito, caro Kessya: pelo amor de Deus, não. Mais conversas infindáveis sobre arbitragem, não. Há tempos já não se fala mais na TV em dribles, grandes lances, movimentação dos atletas ou variações táticas… Os árbitros e suas mazelas já são os personagens preferidos de praticamente todo programa de debates… Um abraço,

      • Kessya

        Caro Gabriel

        Enquanto houve polêmicas sobre arbitragens, haverá sempre programas esportivos utilizando o maior tempo possível para falar deste assunto. Acho que você deveria fazer coro comigo e solicitar que André intermediasse a organização de um simpósio. Se eu tivesse um espaço num jornal, um site, um espaço na televisão, se o meu pai fosse comentarista esportivo há mais de muito anos, eu no final do ano tentaria organizar um simpósio com os vídeos polêmicos de arbitragens, os quais o uso da tecnologia se não evitasse pelo menos diminuiria.
        Quando eu usei o jogo do Atlético e Flamengo nas televisões que houver debates sobre lance do pênalti houve 3 opiniões distintas sobre o mesmo lance e tudo momentos depois de analisar o vídeo.
        Se a nossa imprensa esportiva não levantar essa bandeira de como seria a análise dos vídeos, quais seriam os critérios, se não houver um impedimento de 1m, mesmo com vídeos continuará havendo programas esportivos só falando da arbitragem.
        Se é isso que você quer eu me calo, se não for junte a mim e faça um coro.
        Andre Kfouri organize um simpósio sobre o uso de vídeo no lances polêmicos do brasileirão de 2015.
        Abraços

        • José Henrique

          Poderia acrescentar nesse “simpósio” os lances polêmicos na Copa do Brasil. Porque, embora não alardeados, tem muitos lances que decidiram classificações.

  • Adriano

    Belissimo post! Sempre muito bem escrito!
    Parabens, Andre!
    Parece que finalmente estamos evoluindo, ainda meio que aos trancos e barrancos, mas evoluindo.
    Um abraco,

  • Edouard

    Pô, André! Organiza aí o simpósio!

  • José Henrique

    André. Quais serão as possíveis consequências ante a informação do Estadão, com a conclusão do MP, de que a Portuguesa recebeu para escalar o jogador irregular? O Gaeco, vai rastrear o caminho financeiro para ver quem comprou a vaga para a seria A. É daí? Esportivamente como fica o campeonato brasileiro em andamento?

    • Nilton

      Acredito que fique no mesmo jeito, pois duvido que a portuguesa recebeu algum dinheiro, quem recebeu pode ser membros da Lusa mas não foi parar em uma conta oficial da Lusa e o $$ também não deve ter sido usado para pagar dividas oficiais ou extra-oficiais.

      A Lusa resta, após as investigações, entrar com processo de danos contra quem foi subornado dentro da própria lusa e quem subornou.

      Se ficar comprovado que alguém “comprou a vaga para a seria A” provavelmente este time vai sofre sanções apenas no ano seguinte.

    • Teobaldo

      Prezado José Henrique, eu não vi essa notícia. Você poderia enviar o link? Grato!

      • José Henrique

        Desculpe Teobaldo, não é permitido colocar links neste espaço. Coloquei mas não foi publicado por regras para comentários. Pesquise no Estadão que achará.

  • Teobaldo

    Prezado AK, não sou daqueles que passam o tempo vociferando contra a Globo, como se somente a mesma representasse todas as mazelas do futebol brasileiro mas ela, certamente, estará “do outro lado mesa’, previsivelmente do lado oposto ao da Liga e isso, por si só, é um problema. Mesmo porque, penso que os pretensos patrocinadores querem seus produtos aliados ao melhor divulgador, aquele que tem os melhores recursos tecnológicos e a maior audiência. Não acho que esta Liga, com qualquer CEO à sua frente, tenha disposição para um embate contra a Globo, mesmo porque os clubes devem a ela (é isso que ouvimos) e entendo que a ideia só vai pra frente com o apoio dela. Eu, como torcedor, e isso pode ser entendido como uma heresia (ou ignorância mesmo, sei lá!!) aposto muito mais num calendário racional para os Campeonatos Estaduais, que são competições locais onde a rivalidade esportiva (infelizmente acompanhada das imbecilidades habituais) se mostra mais exacerbada, o que não deixa de ser mais motivador. Um abraço!

MaisRecentes

A vida anda rápido



Continue Lendo

Renovado



Continue Lendo

Troféu



Continue Lendo