CAMISA 12



(publicada ontem, no Lance!)

LINHA EVOLUTIVA

Ver jogar um time como o Celta deve ser um suplício para quem crê que o futebol coletivo, técnico e ofensivo é uma quimera que só está ao alcance das equipes recheadas de craques. Sérgio Álvarez, Hugo Mallo, Sergi Gómez, Cabral, Jonny, Augusto, Radoja (Pablo Hernández), Wass, Orellana, Aspas (Guidetti) e Nolito. Não se sinta mal se todos forem estranhos, se sua memória só for capaz de recuperar a passagem de Aspas pelo Liverpool, ou uma vaga lembrança da habilidade e da inteligência de Nolito.

Pois esses foram os jogadores que ontem impuseram ao atual campeão espanhol – com todos os titulares disponíveis – uma indiscutível derrota por 4 x 1. Esqueça o placar, a forma importa mais. Quando se pensa em similares à ideia de futebol que o Barcelona patenteou, a pesquisa se restringe a outras grandes equipes europeias. O time de Vigo talvez tenha causado espanto por marcar os catalães em seu campo, discutir a posse com seu proprietário e atacar sem medo. Nas palavras do jornal El País, o Celta tem o orçamento de um time modesto e o jogo de um grande.

Os índices do primeiro tempo (2 x 0) exibem a realização das intenções de uma equipe que acredita que as doses certas de conhecimento, prática e ambição podem levar a um tipo de futebol que os conformados consideram inatingível. O Celta ficou com a bola por 48% do tempo e somou nove finalizações ao gol do Barcelona. A vitória parcial fez com que, após o intervalo, o time exercesse uma pressão um pouco mais baixa e acionasse o contragolpe, o que resultou em menos posse (43% ao final), mas produziu outros nove chutes e mais dois gols.

Times como o Celta (treinado pelo argentino Eduardo Berizzo, ex-zagueiro do Newell’s Old Boys, River Plate e seleção argentina) comprovam que o futebol está se transformando. Qualidade técnica e padrões de associação são conceitos de primeira necessidade, que não dependem só de dinheiro. Técnicos que se limitam a trabalhar “com o que têm” serão abandonados pela linha evolutiva do jogo.

EVIDÊNCIAS

No fim de semana passado, o Banfield marcou um dos gols (http://youtu.be/wUbtO1M4WgI) mais belos do ano no mundo inteiro. Um espetáculo de movimentação coletiva e toques de primeira. A jogada tem semelhanças com o gol do Grêmio contra o Atlético Mineiro, na rodada 18 do BR-15. Times que não têm astros internacionais, mas são capazes de jogar como se tivessem.

PALMAS

Todos os aplausos para Rafinha pela postura ao pedir para ser desconvocado da Seleção Brasileira. Os defensores “da pátria” rapidamente esqueceram que o mesmo Rafinha desafiou o Schalke 04, em 2008, para jogar as Olimpíadas de Pequim. À época, como agora, ele tomou a decisão que lhe fazia mais sentido. Futebol não é guerra, Seleção não é serviço militar.



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