CAMISA 12



(publicada ontem, no Lance!)

NOVO FUTEBOL

A CBF mandará um enviado a um encontro do International Board, no mês que vem, em Londres, para posicionar a entidade favoravelmente ao uso de vídeo para auxiliar a arbitragem. O ex-árbitro Manoel Serapião Filho, instrutor da Escola Nacional de Arbitragem, levará aos guardiões do apito mundial um projeto brasileiro para criar o “árbitro de vídeo”. A ideia é obter autorização da Fifa para aplicar o recurso na Série A do Campeonato Brasileiro de 2016.

Todo avanço merece aplauso, ainda mais um avanço tão urgente quanto esse. Mas há entidades bem adiantadas em relação ao resgate da arbitragem de futebol da era medieval em que se encontra. Uma das principais proponentes da modernização é a Associação Holandesa de Futebol, que em fevereiro deste ano apresentou seus planos ao International Board e ouviu o pedido de continuar trabalhando com vistas a uma nova conversa, no início do ano que vem. Italianos, alemães e ingleses, já beneficiados pela tecnologia da linha de gol, também estão dispostos a remover o trio de arbitragem do papel de vilão do jogo.

Os americanos, claro, não conseguem entender como o apito eletrônico ainda não está em ação. Os quatro principais esportes do país usam o replay de vídeo, e a MLS quer seguir o mesmo caminho. Discretamente, a liga vem conduzindo testes nas últimas duas temporadas, nos jogos de três equipes, concentrados no tempo necessário para as verificações de três situações: cartões vermelhos, pênaltis e lances de gols. E a conclusão é que o intervalo – ao redor de um minuto – que geralmente precede o reinício do jogo é mais do que suficiente para que o vídeo seja analisado e o árbitro comunicado via rádio.

A MLS e a Associação Holandesa tem trocado informações e discutido a possibilidade de fazer uma apresentação conjunta à Fifa, em que se colocarão à disposição para testar o sistema em seus campeonatos. Finalmente, o futebol está a caminho de uma nova era.

CRONOGRAMA

A intenção da CBF de usar o árbitro de vídeo no ano que vem parece precipitada, a não ser em um caráter experimental, como parte de um estudo para que a Fifa tome uma decisão definitiva. Em termos de mudanças oficiais nas regras, a próxima reunião do International Board acontecerá em março de 2016. O “erro humano”, paixão dos atrasados, ainda respira.

RECADO

A nova geração de estádios brasileiros está totalmente preparada para a arbitragem eletrônica. Até mesmo utilizando os modernos telões para mostrar ao público, com total transparência, os lances revisados e as decisões tomadas pelo conjunto de arbitragem. O objetivo é minimizar equívocos e dúvidas, o que torna obrigatória a comunicação ao torcedor.

ATUALIZAÇÃO: A CBF agora informa que a viagem de Manoel Serapião Filho será em novembro.


 



  • FERNANDO ITIRAPUÃ/SP

    Precisamos urgentemente de um plano de ação para arbitragem brasileira, porém AK, sou menos romântico ainda: Enquanto a cbf for comandada por essa corja e a rede globo detiver os direitos sobre o futebol nacional incluindo a seleção não acredito em seriedade. Não acredito que ela globo tem tendência que ganhe time A ou B, mas desde que o andres sanches disse que lá só tem “gangsters”. Eu não acredito mais em nada a não ser na empresa Klefer..tão ligada na telinha (kkk).
    Como dizia uma canção do Jota Quest AK:
    “Vivemos esperando, dias melhores pra sempre!”
    Abraço

    • José Henrique

      Não concordo com acusações baseadas em ” achismos” à Rede Globo. Isso tem mais a ver com rivalidades esportivas, ou até inveja de outras emissoras. Inegável a qualidade da Globo, muito à frente das outras. Razão talvez, ou com certeza, dos ataques que recebe, sem a menor comprovação, ou apenas baseadas em “alguém disse”.

  • Fabio Hideki

    À quem interessa a não modernização da arbitragem ?
    .
    E porque jornalistas não questionam quando ouvem que as discussões e as polêmicas promovem a paixão no futebol ?

  • Teobaldo

    A última frase do ponto “NOVO FUTEBOL” ficaria melhor assim:

    O “erro” humano, paixão dos atrasados, ainda respira.

    Na minha opinião, por óbvio.

    Um abraço!

  • Rodrigo-CPQ

    Algumas breves considerações:
    – Manuel Serapião Filho!!!! É o mesmo sujeito que soltou uma recomendação proibindo os gandulas de dar a bola nas mãos dos jogadores, pois isso estava beneficiando os times da casa quando estavam em desvantagem. Ao invés de acabar com os gandulas do clubes, colocando estudantes de Educação Física, como a FPF faz nas finais do Paulistão, ele prefere retardar o reinício do jogo!!!
    – Sobre o amigo que questionou os jornalistas que gostam desses erros (Fábio Hideki), é bem aquilo: eles pensam que sem erros de arbitragem diminui a polêmica e logo cai a audiência de seus programas. Mal sabem eles que um futebol bem jogado repercute bem mais que um pênalti mal marcado, ou um gol mal anulado.

    Enfim, que venha a tecnologia pra acabar com toda essa babaquice que assola o futebol brasileiro, bem como boa parte da imprensa.

  • José Henrique

    Contra a tecnologia no futebol, está quem se beneficia de sua ausência. Isso é absolutamente certo.

  • Kessya

    Prezado Andre Kfouri

    as dimensões mínimas do campo são de 45m x 90m e as máximas 90m x 120m. Nos jogos oficiais ou internacionais, a FIFA estabelece um mínimo de 64m x 100m e um máximo de 75m x 110m
    Sendo estas as dimensões de um campo de futebol, porque ao invés de ser colocar um árbitro de vídeo, não se diminua o campo de atuação geográfica do arbitro principal? Colocaria-se mais 2 assistentes no seguinte formato: 2 do lado direito e 2 do esquerdo do campo, onde os mais próximos da linha de fundo ficariam responsáveis pela marcação de impedimento e pênalti e o arbitro com as faltas no seu raio de atuação.
    Configuração seria esta: ao inicia-se o jogo o Arbitro na posição dele usual e dois auxiliares de cada lado do campo posicionando-se sempre na linha de impedimento de cada time e o auxiliar do lado mais próximo da jogada marcaria o impedimento ou penalti (ex. o 2º gol do coritiba, caso estivesse impedimento o auxiliar perto do Samir que seria responsável p ela marcação). Suponho que não se precisaria parar a dinâmica do jogo e nem acontecer como em 98 quando a globo não vi em um primeiro momento o pênalti do Junior Baiano.
    Acho também que os árbitros em algum momento deveriam dar entrevistas sobre as polêmicas do jogo, se o jogador e o treinador podem dar entrevistas porque o arbitro que também faz parte do jogo não pode dar? A explicação de um pênalti não marcado ou marcado seria didático para os outros árbitros.
    O que você acha Andre Kfouri?

    AK: Esportes que usam mais árbitros também utilizam o vídeo. E n o futebol, já se provou que mais olhos (exemplo: árbitros ao lado dos gols) não contribuem.

  • Kessya

    Caro Andre Kfouri

    Concordo com você que árbitros parados atrás do gol não contribuem, até porque eles tem visão apenas de um lado do campo e quase a mesma do auxiliar.
    Falo de auxiliares dinâmicos de lado de campo na linha de impedimento preocupados com lances apenas de um lado de campo. A maioria dos penaltis e impedimentos não marcados ocorrem no lado oposto dos auxiliares e quando acontecem do mesmo lado é por falta de posicionamento do auxiliar.
    Você acha que não pode ter esta configuração: 4 auxiliares de lado de campo, um árbitro e a tecnologia externa ajudando?
    Este pensamento é quase similar ao do Mano Menezes ” futebol ficou muito rápido para um só árbitro apitar. O campo de jogo tem 110m por 70m, em média. Se no futsal, que o espaço é menor, nós temos dois árbitros, se no basquete, que o espaço é muito menor, nós temos três, por que no futebol vamos deixar uma pessoa correndo 110m para ainda ter que tomar uma decisão? ”
    Eu entendo a opinião de muitos: 2 árbitros, 2 critérios?
    No caso de auxiliares em lados opostos a opinião seria de quem estivesse mais próximo do lance e sua marcação não seria questão de critério, seria questão das regras do futebol.
    Existe algum esporte que usa a tecnologia que tenha a mesma dinâmica do futebol?
    O que você acha dos árbitros dando entrevistas sobre os critérios das suas marcações ou não em lances duvidosos?

    AK: NFL e Rúgbi usam. Quanto às entrevistas, seriam interessante, mas inócuo em relação ao problema do ponto de vista prático.

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