TERÇA GORDA



Terça-feira turbulenta no São Paulo. Fazia tempo que um clube do futebol brasileiro não era premiado com um noticiário tão farto no mesmo dia.

Recapitulando:

Este Lancenet! tem uma entrevista com Gustavo Vieira de Oliveira, na qual o ex-gerente de futebol do São Paulo revela que foi tratado com deslealdade no final de sua passagem pelo clube.

O Blog do Menon, no Uol, conversou com Carlos Augusto Barros e Silva, presidente do Conselho Deliberativo. Leco falou sobre a demissão do executivo Alexandre Bourgeois, sobre o ambiente político do clube, e confirmou a informação publicada aqui duas semanas atrás: o São Paulo não tem recursos para honrar a folha de pagamento de outubro.

Na Folha de S. Paulo, Bourgeois detalha a reunião em que foi demitido do São Paulo pelo assessor de imprensa Olivério Júnior, que ainda o ameaçou de agressão física dentro da sala em que estava o presidente Carlos Miguel Aidar. Ambiente de alto nível.

Mas a peça mais intrigante do dia é a carta aberta a Aidar, publicada por Abilio Diniz em seu blog, também no portal Uol.

O empresário diz, textualmente, que não acredita nas razões expostas pelo dirigente para demitir Bourgeois. E se oferece para financiar, por conta própria, uma auditoria feita pela PriceWaterhouseCoopers nas finanças do São Paulo.

A oferta de Diniz deixa Carlos Miguel Aidar em uma posição desconfortável, aumentando a tensão entre eles. Se decidir recusar a proposta, Aidar terá alguma dificuldade em explicar os motivos. Primeiro porque seria uma contradição: o presidente do São Paulo tem reclamado que, em suas manifestações de colaboração com o clube, Diniz até hoje não tinha se mostrado disposto a abrir o talão de cheques. Pois bem, esse argumento não pode mais ser usado. Uma auditoria como essa custa na casa das centenas de milhares de reais, valor que um clube endividado adoraria não ter de desembolsar.

Por outro lado, aceitar a oferta de Diniz também representa um desconforto: submetidas ao Conselho Deliberativo do São Paulo, as informações sobre a auditoria devem alimentar a oposição.

Novamente, Carlos Miguel Aidar está preso ao território entre seu discurso e suas práticas. A gestão moderna exige transparência, hoje oferecida por Abilio Diniz a custo zero. Mas o custo político pode ser alto.

Esta terça-feira tem boas chances de não ser apenas mais um dia.



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