CAMISA 12



(publicada ontem, no Lance!)

REPUTAÇÕES

A pessoa que escreveu em nome de Marco Polo Del Nero o “artigo do presidente”, publicado anteontem no site da CBF, não poderia ter cometido o desrespeito de envolver Antero Greco em um exercício de charlatanismo retórico que mistura assuntos para confundir opiniões.

Outros jornalistas – todos honrados e respeitados – foram citados na peça dramática sobre intolerância no futebol, mas as palavras de Greco em sua despedida do Twitter serviram de ponto de partida para o raciocínio assinado pelo presidente da CBF. Um caso de apropriação da indignação alheia para simular posturas, um gesto de oportunismo que não fica bem até para quem lida com assuntos de padrão elevado de gravidade.

Antero é um jornalista impecável e uma pessoa ainda melhor. Incapaz de uma falta de educação e de deixar de expressar o que pensa, combinação que torna a interação nas redes antissociais – especialmente quando o tema é futebol – uma experiência, infelizmente, desagradável. Cansado do abuso covarde dos valentes virtuais, Antero desistiu de perder tempo com quem não merece. Isto é uma coisa. A crise de credibilidade do futebol brasileiro é outra, e não há nada que as aproxime.

A forte repercussão das recentes interferências da arbitragem em resultados de jogos do Campeonato Brasileiro não é um exemplo de intolerância ao erro. É uma prova da desconfiança generalizada em relação a quem comanda o futebol no país. A única relação que pode ser feita com o desgosto de Antero Greco é que o cansaço chegou ao limite. No caso, o cansaço de quem vê o jogo ser tratado sem a seriedade que merece.

A CBF e Del Nero, o Marco Polo que não viaja, simbolizam essa crise de confiança, por motivos evidentes. A Seleção Brasileira acaba de voltar de uma visita aos Estados Unidos, outra vez sem a presença de seu principal dirigente, subitamente alérgico a aeroportos. Este é um problema de verdade, que merece um “artigo do presidente”. A reputação de Antero Greco seguirá intacta.

GRAMA DUPLA

Os organizadores de amistosos entre seleções em estádios de futebol americano continuam expondo alguns dos jogadores mais importantes do mundo ao risco de lesão. A cobertura de grama natural sobre o gramado artificial gera buracos como o que quase abocanhou a perna de Lionel Messi, no Texas. A CBF e a AFA continuam fingindo que não percebem o perigo.

CORRETOR

A quantidade de versões sobre o valor da dívida do São Paulo nos apresentou uma nova modalidade, que promete encantar os analistas financeiros. Agora, além da dívida bancária, da dívida operacional e da dívida tributária, conhecemos a dívida retórica. É usada para acalmar os crentes e animar os iludidos, mas não resiste ao contato com a realidade.



  • Marco Antonio

    Impecável foi o seu texto. Mençao honrosa para “O Marco Polo que não viaja”, espetacular.
    Parabéns André, abraço!

  • Matheus

    Ontem foi criada a liga-sul minas. Seria essa a liga que estava sendo preparada a qual você se referiu em uma de suas colunas?
    Nao é estranho que Delfim Peixoto, um cartola bastante conservador, esteja apoiando a liga? Ricardo Teixeira estaria por traz disso?

    AK: Não, aquela coluna não era sobre a Liga Sul-Minas, que é um tema público há um bom tempo. Um abraço.

  • RENATO77

    Quem planta vento, colhe tempestade.
    Enquanto a imprensa esportiva, principalmente a do futebol, continuar acirrando os ânimos e cultuando o ódio, ninguém que faça parte dela poderá reclamar das consequências.
    Já deu a hora de encarar com seriedade o trabalho de jornalismo, com J maiúsculo. Sem sensacionalismo e muito menos endossar teorias conspiratórias, acusações na base do “achismo”, sem o mínimo de responsabilidade.
    Seria pedir muito, jornalista “sério” se colocar PUBLICAMENTE contra os jornalistas “marrons”? Sentar a mesma mesa de um MCP, só pra citar UM exemplo, sem deixar claro que se tem pensamentos, filosofia e um modo de encarar a profissão totalmente diferente, é de uma fraqueza que coloca em risco toda a categoria.

    A m… tá chegando atrás dos microfones, teclados e cameras?
    Os vampiros que se mordam.

    A imprensa precisa ser passada a limpo. E só ela mesma pode fazer isso. É preciso dar nome aos bois, separar o joio do trigo. É cômodo ficar entre as paredes protegidas dum blogue excluindo comentários inconvenientes e continuar disparando irresponsabilidades via satelite.
    As pesquisas de credibilidade da imprensa apontam números que envergonhariam qualquer profissional bem intencionado, acredito que poucos se interessam por isso ou mesmo tenham dado importância para tais pesquisas.

    Sair do twitter é pouco.

    Abraço.

    AK: A coisa é bem menos complicada do que parece. Como digo, cada jornalista cuida das suas palavras, das suas opiniões, do seu trabalho. Essa visão de “categoria” é fictícia. Um abraço.

    • José Henrique

      Perfeito Renato. Nem precisa dar nome aos bois. Infelizmente alguns desses “formadores de opiniões” graças a uma concessão pública que receberam, não honram a profissão. Vestem uma camisa, e pouco se importam com as consequências. E, o ódio estimulado acaba se voltando contra pessoas sensatas como Antero, sensatez aliás, que demonstrou ao comentar o “chororô”, de pessoas com o objetivo claro de constranger arbitragens para beneficiar o seu clube futuramente. Mas, o pior não é o chororô. Isso é recorrente. O pior é o resultado desastroso que isso causa nas cabecinhas ocas das redes antissociais.
      Daí, para agressões, e atos violentos, é um passo. E quem puxou gatilho?

      • RENATO77

        O terreno midiático é estéril para quem espera algo que nos engrandeça e as “cabecinhas” que recebem a informação negativa são extremamente férteis. O resultado é sempre mau cheiroso.
        Mas ainda temos alguns oásis de moderação e bom senso como este aqui.
        Me lembrei duma frase que ouvi em algum filme brasileiro:
        “quem mata é Deus, eu só puxo o gatilho…”rsrsrsrsrsrs…
        Abraço.

  • Anna

    Ótimo texto! Tb não entendi pq Del Nero citou Antero. Grade abraço, Anna.

  • Antero Greco

    Querido André,
    Com atraso, permita-me registrar o abraço e o agradecimento por palavras tão gentis. As décadas de trabalho me ensinaram o seguinte: nós estamos do lado de cá do balcão, e assim é que tem de ser. Eles estão do lado de lá. Divisão clara, em nome da independência do Jornalismo. Não pode haver zonas obscuras nessa relação. Respeito, sim; distanciamento, idem.
    Abraço, e é um orgulho ser seu colega de profissão e, mais do que isso, tê-lo como amigo.
    Antero

    AK: Em frente, Antero. Um abraço.

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