CAMISA 12



(publicada ontem, no Lance!)

FICÇÃO

A história era bizarra demais para ser verídica: o Real Madrid e o Manchester United perderam o prazo para finalizar uma negociação que começou, formalmente, um mês antes da data limite. E o goleiro David de Gea ficou na Inglaterra.

O repórter Diego Torres desvendou os fatos na edição de ontem do jornal espanhol El País. E a história real é ainda mais bizarra do que a que circulou. O que aconteceu na segunda-feira na Europa foi uma peça teatral alimentada por prepotência e cinismo, na qual a vítima é o goleiro costarriquenho Keylor Navas.

Conta Torres que o Real Madrid firmou um acordo com De Gea, na passada primavera europeia, comprometendo-se a contratar o goleiro do United por cinco anos, com salário de 5 milhões de euros por temporada. O clube espanhol se propôs a “indenizar” De Gea por eventuais problemas de relacionamento em Old Trafford se a transação não fosse concluída até o fechamento do mercado: 15 milhões de euros.

Esse mesmo valor foi oferecido ao Manchester United, há um mês, pelos direitos do goleiro. Os ingleses pediram quase três vezes mais. A demora do Real Madrid em acelerar a negociação incomodou De Gea, que deu ao clube de Madri um ultimato na segunda-feira: se não fosse contratado naquele dia, renovaria seu vínculo com o United.

A proposta chegou a Manchester por volta do meio-dia (30 milhões e Keylor Navas), e deixou os dirigentes ingleses lívidos. Eles consideraram a inclusão de Navas, àquela altura, um gesto arrogante, pois o goleiro que o técnico Louis Van Gaal pedira para o lugar de De Gea era o holandês Cillessen. Então o United decidiu sabotar a operação.

Os ingleses conversaram com Navas, solicitaram suas informações médicas e enviaram um documento de cem páginas – em inglês – quando faltavam vinte minutos para o encerramento do prazo. Os goleiros ficaram em seus clubes. Enquanto De Gea terá o salário dobrado, Navas recebeu um pedido de desculpas do Real Madrid.

ROLINHO

A forma como o Real Madrid estabeleceu um compromisso com De Gea lembra a estratégia do Barcelona em relação a Neymar. É um drible (uma caneta?) no regulamento da Fifa, uma prática ilegal do ponto de vista esportivo, mas frequente por ter valor jurídico. Se um clube pode abordar dessa maneira um jogador sob contrato, compromissos assinados perdem a validade.

ENROLADO

De contrapeso, Navas voltou a ser titular do Real Madrid em questão de horas. Mas sabe que o clube insistirá em trazer De Gea em janeiro ou julho do ano que vem. Essas situações constumam ser resolvidas com dinheiro, algo que não falta no clube espanhol. O que não é tão simples de resolver é a sensação de não ser querido, e ter sido envolvido em uma encenação.



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