COLUNA DA TERÇA



(publicada ontem, no Lance!)

CENÁRIOS

Ao final do domingo, a parte de cima da classificação do Campeonato Brasileiro confirmava a impressão sugerida pelo encerramento das oitavas de final da Copa do Brasil: Corinthians e Atlético Mineiro dividem o caminho menos complicado para o título, enquanto seus perseguidores, todos eles, têm a Copa do Brasil como objetivo mais realista.

Claro que é uma ideia que não corresponde aos fatos (mesmo porque, no caso do Atlético, a eliminação do torneio em mata-mata se materializou apenas nos últimos minutos do jogo contra o Figueirense), mas uma olhada nos seis primeiros lugares do BR-15 convencerá o observador menos atento de que os jogos do meio da semana passada deixaram os envolvidos satisfeitos. Até alguns dos eliminados.

Além do Corinthians e do Atlético, que almejam um troféu e não precisam mais dividir forças, o Cruzeiro e o Coritiba podem ser dedicar sem distrações ao que está realmente ao alcance de seus elencos no restante do ano: evitar o rebaixamento para a Série B. Nesta, o Ceará tem a mesma pretensão, enquanto o Paysandu pensa no acesso à primeira divisão. Ao Flamengo, de fato, não há consolo. A queda para o rival foi, em si, suficientemente constrangedora, e a perspectiva no BR-15 não empolga.

Para os classificados às quartas de final da Copa do Brasil, exceção feita ao Vasco e ao Figueirense, a possibilidade de uma conquista e de um fim de ano em alta mantém times e torcidas animados. Grêmio, Palmeiras, São Paulo e Fluminense – do terceiro ao sexto no Brasileirão, nesta ordem – podem, mesmo considerando evidentes diferenças de desempenho no momento, sonhar com o troféu da CB, enquanto estabelecem o G-4 do Campeonato Brasileiro como alvo.

O raciocínio não se aplica a Vasco e Figueirense porque pode-se afirmar, sem risco de levar uma – mais uma – lição do futebol, que nenhum deles será campeão da Copa do Brasil. Sobre o Vasco, especialmente, pesa o fato de que nem essa improbabilíssima alegria compensaria um 2016 na Série B, de modo que seria melhor se concentrar no que é mais importante. Ainda há cinquenta e um pontos a serem disputados.

Internacional e Santos provavelmente inverterão o eixo de suas temporadas. Situados do meio para baixo na classificação do Brasileirão, o bom senso indica que a Copa do Brasil será a prioridade. Aqui é preciso abrir parênteses para o time dirigido por Dorival Júnior, cuja posição não é compatível com o nível de jogo demonstrado nas últimas semanas. Nenhuma equipe deveria querer encontrar o Santos nas quartas de final da CB, pois isso significará ter de superar um adversário que domina os conceitos de competição em jogos de dupla eliminatória. O Santos adoraria não ser visto como um candidato, um equívoco que os demais classificados não podem cometer.

Quanto aos líderes do Campeonato Brasileiro, a corrida continua após vitórias cruciais como visitantes, na Arena Condá e no Maracanã. A manutenção deste cenário está nos pés de Corinthians e Atlético Mineiro, que nada mais têm a fazer.

P DA VIDA

O Chelsea, vigente campeão inglês, faz péssimo início de temporada, com quatro pontos após quatro rodadas. O mau momento vem acompanhado de uma dessas coincidências que parecem ser algo mais: as sete últimas derrotas do técnico José Mourinho na Liga Inglesa aconteceram para times dirigidos por técnicos cujo sobrenome começa com a letra P: Pullis, Poyet (duas vezes), Pardew (duas vezes), Pochettino e Pellegrini.

P DE “PARDAL”

Não é inédito, mas também não é comum. No sábado, um time dirigido por Pep Guardiola jogou sem nenhum zagueiro de ofício. A escalação inicial do Bayern de Munique na vitória por 3 x 0 sobre o Bayer Leverkusen, pelo Campeonato Alemão, tinha um goleiro, três laterais, três meio-campistas e quatro atacantes. Ok, Guardiola é um treinador reconhecidamente inventivo, mas não há motivo para rotular de “professor pardal” quem bebe da mesma fonte.



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