CAMISA 12



(publicada ontem, no Lance!)

DISTÂNCIA

1 – A blitz santista começou no primeiro apito e revelou ter energia para longa duração. Baseou-se na ocupação do campo de ataque e na notável capacidade de movimentação dos três atacantes, constantemente trocando de posição para confundir a vigilância corintiana.

2 – O Corinthians se sentiu preso na Vila. Não conseguia sair, tampouco marcar. Um defeito de encaixe no meio de campo provocou aflitivos – para Tite – encontros entre Ricardo Oliveira e Felipe e Geuvânio e Fágner. A bola rondava a área de Cássio com o volume que oferece perigo mesmo sem ocasiões claras.

3 – Na primeira jogada precisa, gol. Os zagueiros corintianos provavelmente ficaram maravilhados com o passe de Lucas Lima, pelo alto, à procura de Gabriel. Enquanto admiravam a trajetória da bola, permitiram que o jovem atacante se erguesse para cabecear sem ser incomodado.

4 – O domínio do Santos era tal que dava a impressão de que o Corinthians tinha um jogador a menos, ou que estava proibido de ficar com a bola.

5 – Lucas Lima criou outro gol para o Santos, no terceiro minuto do segundo tempo. Para Ricardo Oliveira, que não costuma perdê-los e, de fato, não perdeu. Foi Cássio quem evitou que a vantagem santista dobrasse de tamanho.

6 – Como é o normal em jogos deste tipo, o Corinthians se adiantou e passou a conservar a bola. Era a única maneira de realmente disputar um clássico até então desequilibrado. Faltava ser competente na região do campo em que o Santos era absoluto.

7 – Mas falhar atrás não era uma opção. A tabela entre Marquinhos Gabriel e Lucas Lima ficou óbvia a partir do momento em que Lucas foi esquecido pela marcação próxima à área. O Corinthians deu espaço e tempo a um jogador que faz muito com pouco: 2 x 0, placar merecido.

8 – O Corinthians se recusou a jogar por muito tempo. Quando tentou, não foi capaz. O Santos fez tudo certo para construir uma vantagem larga entre equipes de potencial semelhante.

APITANDO COM…

A crise do apito no futebol brasileiro chegou ao ponto em que os árbitros se voltaram contra a televisão. Cansados de ser expostos pela tecnologia de transmissão, que mostra o jogo com um nível de realismo inatingível para olhos humanos em campo, eles protestam contra as análises feitas a cada rodada. De fato, uma covardia flagrante, mas a TV não é o problema.

… O INIMIGO

O problema é quem teima em não colocar a tecnologia a serviço da arbitragem, para supervisionar o trabalho dos apitadores e assistentes, e corrigi-lo quando necessário. É a única maneira de garantir a lisura do resultado do campo e eliminar a indignação seletiva alimentada pelas teses conspiratórias. O futebol é, há muito tempo, um jogo diferente daquele que o árbitro vê.



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