COLUNA DOMINICAL



(publicada ontem, no Lance!)

ONZE PASSES

O primeiro gol do Grêmio no Mineirão, anteontem, não foi apenas uma preciosidade do futebol brasileiro em 2015. Foi uma maravilha do futebol mundial. Tivesse sido construído por um dos times mais famosos da Europa, seria assunto por dias, e merecidamente. Fosse mais uma obra do Barcelona, de um extremo ao outro do campo em onze passes, e a escola catalã seria novamente glorificada ao redor do mundo.

Mas é ótimo que a jogada – mais até do que o gol – tenha acontecido no Campeonato Brasileiro, competição disputada com notável equilíbrio, em que não se pode prever o campeão, mas considerada uma espécie de Série C do futebol do planeta. O fato de um time doméstico ser capaz de se mover com a bola dessa maneira, reunindo os conceitos de jogo coletivo que estamos mais acostumados a ver pela televisão, comprova que não é necessário ter craques internacionais para trocar passes hipnotizantes e, usando uma expressão muitas vezes mal compreendida, jogar bem.

O Grêmio fez tudo certo em vinte e cinco segundos de esplendor coletivo. Do início ao fim, o movimento obedeceu aos mandamentos estabelecidos por holandeses e catalães, professores de evolução com a bola dominada: associações em dois toques, trocas de posições, quem recebe a bola de frente para o gol adversário toca sempre para frente, quem a recebe de costas a entrega a quem está de frente. Organizar-se para desorganizar. Não houve um drible sequer desde o primeiro passe, de Rafael Galhardo, até a conclusão de Douglas. O Grêmio se transportou como uma unidade, com jogadores próximos e toques rápidos. Um espetáculo.

O conformismo que se disseminou pelo futebol no Brasil gerou a falsa verdade de que “técnicos trabalham com o que têm”. Os problemas do calendário e as dificuldades que se apresentam para a montagem de equipes colaboram para que se aceite que tenhamos times que não jogam, apenas competem. Técnicos que se satisfazem com este cenário ficam confortáveis para fazer mais do mesmo, e a roda segue girando sem sair do lugar. Roger Machado aparentemente quer algo mais, pois, se não quisesse, o Grêmio continuaria a entregar a bola ao adversário quando pressionado em seu campo. O time gaúcho não subiu na classificação por acaso, sequência de jogos fáceis ou o infame “fato novo”. O nível de jogo apresentado é evidentemente superior.

O desfile gremista no Mineirão sorriu para os acomodados, mostrando a eles o que acontece quando se trabalha com ambição e outro padrão de exigência. Para tanto não basta querer, é preciso dominar ideias e ter a intenção de ensiná-las. É preciso aplicá-las e repeti-las até que se automatizem. Nem que seja como resultado da frustração por ver times incapazes de levar a bola de um campo a outro, no país que sempre se orgulhou da qualidade técnica de seus jogadores. A jogada do gol de Douglas é uma síntese da convicção de que a vitória deve ser produto de coisas bem feitas. Que seja um objetivo dos indignados.

AULA

Conversar sobre futebol com Juan Carlos Osorio é uma experiência impactante. A falta de fluência em português não prejudica a clareza dos raciocínios, que sempre revelam o alcance da formação pessoal e profissional do técnico do São Paulo. É muito interessante ouvi-lo discorrer sobre métodos de treinamento, maneiras de dialogar com jogadores e como convencê-los a fazer o que nem sempre enxergam como necessário. A troca de conhecimento é o maior benefício que um ambiente pode almejar quando recebe alguém de fora. Ser refratário a compreender e aprender é uma das formas mais dramáticas de ignorância. Osorio fará muito bem ao futebol no Brasil se tiver suporte para trabalhar.

IDA E…

Marco Polo Del Nero disse a verdade na entrevista após a convocação da Seleção Brasileira. Ele pode mesmo ir a qualquer lugar do mundo. O problema é voltar.



  • Me lembrou o Tite falando dos times que “jogam de memória”.

  • Matheus Brito

    “Marco Polo Del Nero disse a verdade na entrevista após a convocação da Seleção Brasileira. Ele pode mesmo ir a qualquer lugar do mundo. O problema é voltar.”
    kkkkkkkkkkkk MITOU.

  • José H

    Assistindo o Linha de Passe de hoje, onde se discutiu soluções para melhorar a arbitragem, a conclusão que cheguei, analisando os debates, que a proposta seria a extinção da entidade SPORT CLUB CORINTHIANS PAULISTA. Fim da picada.

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