COLUNA DA TERÇA



(publicada ontem, no Lance!)

BOM EMPATE

1 – A intenção do São Paulo de controlar o clássico ficou evidente desde o apito inicial. Juan Carlos Osorio é merecedor de aplauso por não negociar suas convicções e apostar no caráter protagonista que seu time deve ter, mesmo expondo-se às críticas e eventualmente arriscando seu emprego. Não faria sentido contratá-lo para ser mais do mesmo, assim como é um equívoco avaliá-lo antes do final da temporada. No mínimo.

2 – O Corinthians avisou aos 12 minutos, com Malcom. A finalização foi defeituosa, mas a mensagem chegou com sucesso. A única maneira de competir, de fato, com um time que domina as iniciativas é penalizar a oferta de espaço. A jogada mostrou o gatilho rápido do time de Tite para se aproximar da área de Rogério.

3 – O mesmo lado esquerdo do ataque foi a rota escolhida por Uendel, ativado por Malcom. Grande finta em Tolói e passe sob medida para a conclusão de Luciano, desmarcado, inaugurar o marcador. Assim como se deu no jogo contra o Atlético Mineiro, o São Paulo teve a comida roubada quando segurava os talheres. A questão mais importante da tarde era de que forma o time responderia a mais essa punição.

4 – Respondeu com agressividade, mantendo-se no ataque. Luis Fabiano chutou duas bolas na trave de Cássio, a segunda após um desses passes de primeira que nos lembram que Ganso está em campo. Não se notou o baque emocional que costuma afetar quem se sente vítima das injustiças do jogo, ainda que esse conceito esteja aberto à discussão.

5 – A falta de sorte mencionada por Luis Fabiano na saída para o vestiário se redimiu com o atacante são-paulino no reinício. A bola amortecida por Cássio se apresentou com o gol vazio e, desta vez, a trave não apareceu no caminho. O 1 x 1 era condizente com o que o clássico contava, e praticamente um segundo tempo inteiro por disputar prometia um jogo ainda mais interessante no Morumbi.

6 – Campo aberto para os dois times. Sinal de certa falta de organização e oportunidades para o que se pode chamar de “contra-contra-ataque”, quando um passe errado na fase ofensiva de um contragolpe expõe uma equipe à necessidade de se defender com menos jogadores do que o adversário. O desfrute do público é proporcional à angústia dos técnicos.

7 – Na metade do segundo tempo, o jogo recuperou sua dinâmica normal e o Corinthians passou a viver perigosamente. Não por ser mais pressionado, mas por desperdiçar seguidas situações de mano a mano com a defesa são-paulina.

8 – As chances do São Paulo aumentaram consideravelmente após a expulsão de Felipe. Um erro de passe de Elias no campo de ataque obrigou o zagueiro a conter Centurión com falta, e ele já tinha um cartão amarelo. Elias esteve abaixo de sua capacidade no clássico, particularmente no trabalho ofensivo. O Corinthians sofre quando isso acontece.

9 – Nos acréscimos, lance controverso na área corintiana. A bola chutada por Wesley na direção do gol tocou claramente no braço de Uendel. Lance difícil para a arbitragem, que precisa decifrar movimentos e intenções em um milisegundo. No replay, pênalti.

RETORNO

No trecho decisivo de um clássico bem disputado, quando a vitória poderia pender para qualquer lado, Breno retornou ao futebol após quatro anos. Que os minutos vividos neste domingo, talvez mais cedo do que ele imaginava, alimentem seu desejo de olhar para a frente. E que não se ignore a atitude de Osorio, ao recorrer a um jogador inativo por tanto teimpo.

CRISTOVÃO

O programa Linha de Passe, da ESPN Brasil, exibirá hoje uma entrevista corajosa e necessária de Cristovão Borges. O técnico do Flamengo abordará com honestidade o que enxerga como perseguição preconceituosa a seu trabalho. Temas delicados precisam ser expostos, conversados, debatidos. A entrevista de Cristovão oferecerá um ponto de vista que nem sempre tem o espaço que merece, muitas vezes por causa do receio de falar e se deparar com a repercussão. É um material valioso.



  • Willian Ifanger

    Ótimo clássico. Osório é o grande investimento do São Paulo esse ano, independente da classificação final. Que ele possa ano que vem montar o seu elenco pra suas propostas de jogo. Aliás, estamos tendo grandes jogos, não, André? Cruzeiro x Palmeiras foi sensacional. E já tivemos tantos outros.

  • RENATO77

    A opinião geral é a de que foi um grande jogo. A princípio também achei. Mas aos poucos fui relembrando mais friamente o que vi nesse jogo, e desfazendo um pouco a magia provocada após assistir a um clássico regional “movimentado”.

    – As tres bolas na trave atiradas pelo SPFC no primeiro tempo. Duas delas foram graças a qualidade de L. Fabiano, ainda colocada em dúvida por alguns torcedores, infelizmente. A maioria dos atacantes mandaria a bola na arquibancada….como se viu quando as chances estiveram nos pés de Luciano ou Malcon. O que quero dizer? Que o SFPC teve 4 ataques, produção normal em 45 minutos, 3 deles chegaram na trave, aproveitamento acima da média pois tinham um atacante acima da média em uma tarde acima da média. Isso nos deu a impressão de um “massacre” que na verdade, não houve. Claro, não vamos esquecer do domínio territorial e de posse de bola do SPFC, mas isso é “comum” quando se joga em casa e o adversário aposta suas fichas no contra ataque. Aqui me refiro ao primeiro tempo de jogo.

    – O jogo “pegou fogo”…ficou bom…quando vimos um jogo de ligação direta, onde o meio campo de ambas as equipes pouco participou dele. Jadson e Ganso pouco fizeram. O gramado ficou gigante. Sinal de times mal postados.

    -Tite, o treinador mais “festejado” do pais, aceita a pressão do adversário mesmo vendo que a proposta de contra ataque é mal executada pelos seus jogadores. Também assiste passivamente o adversário com mais ‘sangue nos óio” durante os 90 minutos. O time não ganhava uma dividida. Faltava força num jogo pegado. Mesmo assim mantém Jadson, Luciano e R. Augusto, 3 jogadores que não se destacam pela força física e marcação, mais tempo em campo do que deveriam. R.A. tendo passado a semana com problemas físicos. Se o árbitro tivesse interpretado como penalti o ultimo lance do jogo, a gordura de credito de Tite junto com a torcida, diminuiria bastante.

    – Não acompanho o dia a dia do SPFC e nem sei bem quais as opções de Osorio para compor o sistema defensivo. Mas uma linha de 3 zagueiros com Toloi, Lucao e um estreante…protegidos por Hudson…me pareceu arriscado demais. Ví ao longo da partida que Wesley começou no banco.
    Deu sorte pela ineficiência e apatia do adversário. Um time com mais apetite e um pouco mais de qualidade no ultimo passe poderia abreviar a carreira de Osorio no tricolor. A esperança de “algo novo” cairia por terra diante de uma derrota mais elástica para o arquirrival.

    Resumindo…temos boa vontade quando vemos um jogo “movimentado”, até “eletrizante”…mas com baixa qualidade técnica e tática.
    Treinadores que cometem erros claros…mas que a bola não os pune. Deu tudo certo. O empate acaba mantendo o clima morno. Osorio, por desconhecimento da realidade do futebol brasileiro no que diz respeito ao perigo que os classicos representam, não foi punido e permanece podendo mostrar seu trabalho. Não se vai para o ataque quando se tem um sistema defensivo de baixa qualidade e, supostamente contra um time de qualidade igual ou superior ao seu. Isso é básico. Seja aqui ou na Alemanha. A inocência de Osorio poderia ter custado caro. LF não terá tardes como a de ontem com a frequencia necessária para compensar um sistema defensivo desequilibrado. A colocação de Breno na cabeça de área foi a cereja do bolo. O que seria dito caso perdesse o jogo?

    Um time desequilibrado que queria vencer contra um time equilibrado que se contentava em empatar.
    Como entretenimento foi ótimo. Mas muito pouco para as aspirações e tradição do futebol brasileiro.

    Dia após dia vamos entendendo os porquês do 7×1.
    Oremos.
    Abraço.

    • Ronaldo

      Onde assino???
      comentário perfeito!!!!
      Pelo jeito, a nossa imprensa esportiva brasileira também precisa se explicar… As explicações para os 7X1 são muitas…
      Abraço.

  • José Henrique

    André. Você como jornalista imparcial, dê uma olhada no lance do pênalti reclamado pelo São Paulo, e observe por favor. No cruzamento, Ganso se apoia em Danilo, (tudo bem se não tiver sido falta) mas ele cabeceia para quem? Para o Toloi, em completo impedimento.
    Acho que a seletividade da crítica em alguns casos, parece que cega alguns comentaristas esportivos. Omitir esse fato é lamentável.

    • José Henrique

      Desculpe minha falha. “No cruzamento de Ganso…..jogador se apoia”. O vídeo está no youtube prá quem quiser ver e souber usar “pause”. Toloi está impedido sim. E volta do impedimento para tocar na bola.
      Cego não sou, embora tenha errado no comentário, mas cegos seletivos com certeza existem muitos.

      • Klaus

        Seja como for, se cada Fifa-Grandpa (não confundir com grampo) tivesse 30 anos a menos e meio neurônio a mais, o uso do recurso eletrônico evitaria essas discussões e debateríamos o embate entre os conceitos de dois times, cujos técnico estão três degraus acima da média nacional, por exemplo.

        “Imagine um mundo em que o apito eletrônico deixaria jornalistas ter opiniões em paz” – LENON, John.

        Um abraço.

        • José Henrique

          Aliás por falar em comentarista comentar em paz, ex-jogador nessa profissão, ao que parece o único acerto das Tvs foi o Alex, que sabe o que fala e é coerente.
          Ouvir o William Capita, dizer : “Foi pênalti, mas o juiz não deveria ter marcado” é de rezar pelo Lennon inspirar mesmo.
          E mais, ao final do primeiro tempo dizer: “O Sport esteve mais com a bola…etc” e ser repreendido pelo narrador, que acabara de receber a informação de que o Corinthians estivera com a posse de bola em 55% contra 45% do Sport, e tentar se safar com uma justificativa pífia. Dói, e fica bem melhor assistir o jogo sem som.

          • Rodrigo-CPQ

            William foi um baita jogador, mas como comentarista é muito fraco. Lembra muito o Muller, que também não deu muito certo nessa função. Pior foi quando o locutor disse que tinha torcedor corintiano chamando o Luciano de “Luciano Ronaldo”. Aí o William solta algo como “é, é engraçado, mas eu prefiro o Fenômeno mesmo”. Caramba, será que ele não percebeu que a referência era ao Cristiano Ronaldo?

  • Klaus

    Uia, sô. O Ganso foi quem cobrou a falta, correu pra área, fez a carga no Danilo e ainda cabeceou pro Toloi? Td no mesmo lance? Trem bom, sô! Depois reclamam que ele não aparece no jogo… Ah, sou mineiro, portanto sou imparcial também.

    Brincadeiras à parte, acho q o Toloi estava na mesma linha quando o Luiz Eduardo cabeceou – mas não vi nenhum replay que ateste isso (ou desminta).

    P.S.: O primeiro lance teria sido uma “linda” trama entre Luiz Eduardo, Toloi e gol de Breno. Já imaginou?

    Um abraço!

  • José Henrique

    Ridícula também essa discussão sobre a arbitragem do jogo de hoje. A insinuação de favorecimento ou prejuízo por antecipação, é o fim da picada. Isso nem é “builling”, mas beira a irracionalidade e a mais pura discriminação. Não racial, mas moral. Lamentável o que estão fazendo com o árbitro, já julgado e condenado por antecipação a se revelar uma criatura despreparada e suspeita. Só a inquisição faria melhor na sua caça as bruxas. Em Maio, Leandro Vuaden, que é gaúcho, apitou Inter x São Paulo, não lemos ou ouvimos qualquer critica ou queixa.
    Ainda em Maio, Daronco, que é Goiano, apitou Goiás x Grêmio, também não se levantaram problemas.
    Mas quando se trata de Corinthians, tudo é estranho. Depois chamam torcedor que vê isso acontecer de modo seletivo, de se sentir “eterno perseguido”. E é. Fato.

  • Paulo Pinheiro

    Bem… não vi a entrevista do Cristóvão Borges, mas desde já rechaço o vitimismo de dizer que ele sofre perseguições racistas. No país inteiro, de norte a sul os treinadores são xingados, exigidos e “perseguidos”. Que treinador já foi poupado de críticas por ser branco?
    O Cristóvão fez ótimos trabalhos por onde passou e é muito cedo pra alguém querer a cabeça dele no Flamengo, mas as críticas podem e devem ser feitas. Eu, por exemplo, não entendi como ele chega aos 44 minutos do segundo tempo com duas substituições a fazer e o time empatando em casa.
    Esse vitimismo está tentando cercar a liberdade de expressão dos outros. Fica nas entrelinhas que qualquer treinador pode ser criticado, exceto o treinador afro-descendentes, porque aí é racismo…

    • Klaus

      Ah, não! Nem eu me aguento mais, mas tive que voltar.

      Paulo, alguns apontamentos para nossa reflexão:

      1 – Sofrer qualquer tipo de preconceito não pode ser encarado como vitimismo;
      2 – O CB não se refere à torcida do Fla, ele deixa isso explícito. Trata-se de pessoas específicas que o atacaram e o atingiram na esfera pessoal;
      3 – Críticas sempre cabem, xingamentos, não. Não consigo me acostumar a ver uma criança de 5 anos num estádio xingando a mãe do juiz, do goleiro, do técnico…
      4 – O fato de estarmos em um bando em um estádio e, portanto, potencializados em nossa valentia, não nos dá o direito de vaiar o hino de outros países nem chamar ninguém de macaco, veado, “puto”… É normal? Ok, mas são também atitudes primitivas ao extremo. Faz parte? Continua sendo atitude de bagrecéfalo, como diz o AK.
      5 – Para finalizar: o limite entre a crítica e a injúria é transposto quando se deixa de mirar o profissional e atinge o pessoal. Nenhum argumento sustenta o fato de um ser humano ter de aceitar agressões de cunho racista só porque não exerceu a função conforme o desejo do agressor. Era assim que se motivava cada açoite, até 13 de maio de 1889. A diferença é que hoje a chibata é o dedo no teclado.

      Sinto-me um tanto ridículo expondo visões tão óbvias, mas talvez seja útil.

      Um abraço.

      AK: Absolutamente nada a acrescentar. Um abraço.

      • RENATO77

        Boa Klaus.

      • Klaus

        Obrigado, André!

        Uma correção: 13 de maio de 1888, pois 1889 foi o ano da Proclamação da República.

        Um abraço.

      • Paulo Pinheiro

        1. Concordo: sofrer qualquer tipo de preconceito não pode ser encarado como vitimismo. O que é vitimismo é enxergar esse preconceito “velado” em qualquer atitude.
        2. Mesmo? Que bom. Como disse antes, não vi a entrevista. Li matérias a respeito. E eu me baseio em frases como esta: “O racismo existe e ele é camuflado, como tem sido aqui comigo em relação a essas críticas”. Sim, Cristóvão, o racismo existe. É óbvio. E deve ser combatido. E ele não tem nada a ver com as críticas. Houveram ofensas racistas também? Que se processe quem fez isso. E não misture essas pessoas com quem apenas criticou.
        3. Também acho que críticas são válidas e xingamentos não deveriam fazer parte da nossa cultura.
        4. Concordo com tudo isso também. Sempre fui contra e continuo sendo.
        5. Novamente: também não acho que se deva aceitar a injúria como sendo um “direito”. Não é. É falta de educação e reflexo de uma cultura a ser combatida.

        Normal que você se sinta ridículo expondo tudo isso, porque falou o óbvio que concordamos e não acertou o ponto em que discordamos: sou contra o racismo, mas também sou contra usar o argumento do racismo como blindagem contra críticas.

    • felipe

      “Bem… não vi a entrevista”

      É isso aí champs, parabéns!

    • Rafael

      O Cristóvão teve bons resultados no Vasco, continuando um trabalho do Ricardo Gomes. Nunca realizou um bom trabalho. Foi péssimo no Bahia e no Fluminense e está sendo pífio no Flamengo.
      Que bom que está expondo o racismo em sua profissão. Óbvio que existe. Não é a toa que nunca houve um negro entre os treinadores top.
      Mas como técnico, o Cristóvão é péssimo.

  • Carlos

    Contra o SCCP,não foi penalti,mas no jogo do SCCP contra o Sport, aí foi? Muito engraçado,não?
    Teria que tirar trez pontos de sua classificação.

    • José Henrique

      No jogo da Vila, 1×0 Santos e Corinthians teve um pênalti indecentemente não marcado, e não se viu tanto mimimi. A seletividade crítica hoje, é uma realidade absolutamente visível.

      • Rodrigo-CPQ

        Caro José Henrique, é a tal da “memória seletiva”. Sem contar a expulsão do Felipe. Acho vergonhoso jogador ser tocado no braço e cair como se tivesse levado uma cotovelada mortal, quase um “fatality” do Mortal Kombat.

        • RENATO77

          Último lance do jogo. Falta do atacante do Coxa no zagueiro Felipe antes de fazer o gol. No pós jogo, Felipe relata o fato em algumas entrevistas mas não repercute do mesmo modo com se fosse a favor do SCCP. Indignação seletiva é o mal do seculo.

          https://www.youtube.com/watch?v=4rtIJzkc2PY

          Abraço.

  • José Henrique

    Até tu Levir? E tu Luan? Que absurdo estamos presenciando nesta semana sobre teorias conspiratórias pró Corinthians. Há pouco tempo, o papo era de que “estava quebrado”, que estava falindo, direitos atrasados, de repente, voltamos a ficar ricos, e a “comprar” o campeonato. CBF, árbitros, e até o Grêmio pelo visto compramos.
    Resumindo, o juiz não deveria ter apitado o jogo do Corinthians, o penalti não deveria ter sido marcado, ou seja, tudo deveria ter sido feito de acordo com os interesses particulares de “outros”. Fim da picada.
    ​”A Internet é esse mundo estranho onde os fatos são considerados opiniões, as opiniões são tratadas como fatos e onde todo mundo afirma ser o dono da verdade.” Stephane Giroux, Jornalista.

MaisRecentes

No banco



Continue Lendo

É do Carille



Continue Lendo

Campeão de novo



Continue Lendo