CAMISA 12



(publicada ontem, no Lance!)

CATRACA

Não existe exame mais importante para um campeonato do que a radiografia do público. A ocupação de estádios revela como é a relação das pessoas com o futebol onde vivem, o que é um resultado dos esforços feitos pela indústria do esporte para se apresentar. A média de presença de torcedores da última rodada do Campeonato Brasileiro, digna de competições mais bem organizadas e mais respeitosas com suas razões de ser, foi um testemunho do que poderemos ver quando, e se, evoluirmos no aspecto estrutural.

O número de 28.512 pagantes merece ser devidamente valorizado. Se estivéssemos falando de todo o campeonato, o Brasileirão estaria entre os três primeiros do ranking mundial de público, e não atrás da Liga Japonesa ou da segunda divisão da Alemanha e da Inglaterra. É o melhor número de uma rodada do Campeonato Brasileiro nas últimas três temporadas, puxado para cima pela marca alcançada no Maracanã, de quase 52 mil pagantes em Flamengo x Santos.

Cerca de um ano após a depressão dos 10 x 1 (não esqueçamos dos holandeses, que levam quase 20 mil pessoas em média a cada jogo de seu campeonato), o que parece é que o apelo do futebol recuperou seu poder de sedução e, auxiliada pela aparelhagem que a Copa do Mundo deixou, a experiência do jogo visto a olho nu voltou a tirar as pessoas de casa. A cautela com as aparências é obrigatória, pois é evidente o caminho que ainda precisa ser percorrido para que se possa dizer que a ocupação dos estádios brasileiros é mais fruto de facilidades oferecidas do que de dificuldades superadas.

Condições para receber e acomodar o público; valores de ingressos; programas de sócios-torcedores e produto apresentado. Aspectos intimamente interligados que precisam seguir avançando para que o futebol no estádio seja atraente e as pessoas queiram voltar. Haverá obstáculos, como as discussões sobre a mudança no sistema de disputa do campeonato, sempre à espreita.

BOM FUTEBOL

As últimas rodadas do Campeonato Brasileiro também têm mostrado, além de partidas elogiáveis do ponto de vista competitivo, uma aparente intenção de jogar bem por parte de certos times. De novo, é preciso ter cuidado com as impressões, mas a ideia da vitória como resultado de um jogo bem desenvolvido é um sinal animador. Que seja uma ideia compartilhada.

ORIGINAL

A temporada europeia está prestes a começar e há muitos times interessantes para ver, conforme as preferências de cada um. Pep Guardiola entra no último ano de seu contrato no Bayern com injeção de futebol latino em um clube orgulhoso por ser alemão, algo que ele considera necessário para praticar o jogo que deseja. Ele continua querendo ser diferente, ainda bem.



  • Thiago Mariz

    Essa será talvez a mais interessante temporada de Pep a frente do Bayern. A meu ver, na temporada passada, ele apresentou o traço mais comum dos obcecados pela vitória (depois, obviamente, da obsessão pela vitória): a incapacidade de lidar com derrotas. O jogo de posição efetuado por Pep Guardiola tem o seu antídoto óbvio na aproximação entre as linhas de quatro e, eventualmente, naquele homem entre elas.

    A Alemanha e o Barcelona de Luis Enrique mostraram alternativas viáveis para sair desse aparente fecho intransponível. Contudo, o que notei na temporada passada foi uma teimosia de Pep e, aparentemente, um descontrole ao lidar com as adversidades, vide a quantidade de desafetos que já foram feitos em apenas duas temporadas à frente do clube alemão. Não acredito que somente exista essa alternativa, do tiki-taka, como futebol bem jogado. Vide, repito, Alemanha e Barcelona 14/15. Acredito que ele também precise se utilizar de tais alternativas. Esse ano será interessante para ver o que ele pode fazer ainda.

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