COLUNA DOMINICAL



(publicada ontem, no Lance!)

A REVOLTA DAS MARCAS

A mensagem de um dos patrocinadores mais importantes do futebol não poderia ser mais clara. Em carta endereçada à Confederação Sindical Internacional, correspondência que se tornou pública na semana passada, a Coca-Cola confirmou que procurou a Fifa no início do mês para exigir reformas na entidade mergulhada na corrupção.

A demanda da empresa de refrigerantes conhecida em todo o planeta, cuja marca está associada à Copa do Mundo desde 1978, é por uma comissão independente, liderada por um ou mais líderes imparciais e notáveis, para ajudar a Fifa no processo de reconstrução de sua governança. A Coca-Cola não enxerga outro caminho para que “a casa do futebol” – expressão difundida por Joseph Blatter – possa recuperar a confiança que jogou na lixeira. Foi o primeiro ato de uma campanha aberta de pressão sobre a Fifa, à qual já se juntaram outros gigantes do mundo corporativo, como o McDonald’s, a Adidas e a Visa.

Durante uma conversa com jornalistas e analistas de mercado realizada ontem, o executivo-chefe da Visa foi ainda mais incisivo na cobrança a Blatter. Charlie Scharf utilizou sua posição na empresa que investe 30 milhões de dólares por ano em patrocínio à Fifa para pedir a saída das pessoas que dirigem a entidade. Além de apoiar a formação de uma comissão para transformar a Fifa de fora para dentro, a Visa quer a substituição do comando. “Acreditamos que nenhuma reforma significativa pode ser feita sob a liderança atual da Fifa”, disse o executivo.

Não surpreende que as prisões no Baur Au Lac e a opulência dos donos do futebol tenham incomodado as corporações que associam seus nomes à Fifa. Que a ingenuidade não nos faça crer que as práticas dos senhores dos anéis eram desconhecidas e a ação do FBI causou espanto em quem negocia com eles. O problema real é o dano à imagem, e não é complexo entender que ninguém está disposto a gastar milhões de dólares para aparecer de braços dados com figuras que exalam desonestidade e fedor de caviar. Quando quem assina o cheque perde a paciência, mudanças acontecem.

Mas tudo depende do nível de indignação e da capacidade de conviver com o constrangimento. Enquanto pesos pesados internacionais enquadram a Fifa, a crise de imagem da CBF ainda é uma marolinha. Na mesma época em que a entidade brasileira anunciou um acordo de trinta anos com a Ultrafarma, um de seus patrocinadores mais visíveis acusou incômodo semelhante ao que levou a Coca-Cola e a Visa a agir. Em vez de se manifestar publicamente, a empresa em questão aproveitou a ocasião para renegociar seu contrato e conseguiu reduzir o investimento sem perder exposição. Os próximos capítulos da investigação que corre nos Estados Unidos e os potenciais desdobramentos no Brasil podem alterar as posturas, mas não parece que quem se sentou com Teixeira e Marin tenha problemas para sorrir ao lado de Del Nero, o Marco Polo que não viaja.

Em todo caso, aproxima-se, ainda que longe da velocidade ideal, o dia em que marcas brasileiras de alta visibilidade perceberão que podem mudar o futebol no país, e que isso faz todo o sentido não apenas no ponto de vista da imagem, mas no aspecto do investimento. Quem enxerga bem já se convenceu.

DE NOVO

E o futebol brasileiro não chegou à final da Copa Libertadores pelo segundo ano seguido. No caso da eliminação do Internacional pelo Tigres, sim, ficou a impressão de que faltou ambição em Porto Alegre e futebol em Monterrey. Mas prevaleceu a certeza de que o time mexicano é superior e se classificou por isso. Estamos falando de uma equipe que está em início de temporada e, mesmo assim, revelou-se mais entrosada do que o Inter, na metade do ano.

DESPERTAR

Flamengo e Fluminense querem disputar a Copa Sul-Minas. Os clubes começam a notar que não precisam de cartórios. Algum dia notarão que não precisam de ninguém?

ADAPTAÇÃO

Rubén Magnano não ganhou três campeonatos brasileiros. E nem a Copa do Brasil.



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