DANIEL SEM FILTROS



Programas de entrevistas em televisão, por mais interessantes que sejam, jamais são melhores do que seus intervalos.

Quando as luzes das câmeras não estão acesas, os entrevistados se soltam de todas as amarras e dizem o que não podem/devem/querem dizer ao mundo.

E mesmo quando estão dispostos a falar com elaboração sobre os temas mais sensíveis, o que vai para o ar nunca se compara, em peso, ao que se conversou fora.

Ou quase nunca.

A entrevista concedida ontem por Daniel Alves ao programa Bola da vez, da ESPN Brasil, foi uma dessas situações raras em que o ON terminou sendo tão bom quanto o OFF. O que sobrou da gravação foram alguns poucos comentários sobre pessoas e fatos que ajudam a entender certos momentos, mas que, honestamente, não fazem falta para a compreensão correta de suas declarações.

Mas a parte da conversa que rodou o mundo, em praticamente todos os portais importantes de noticiário esportivo, só viu a luz da câmera por causa de algo que Daniel disse no intervalo do primeiro para o segundo bloco.

Dan Stulbach havia perguntado sobre o trabalho com Pep Guardiola no Barcelona, já nos minutos finais do segmento. Daniel elaborou sobre a preparação para jogos, a forma como o técnico catalão o ensinou a jogar sem a bola, a facilidade com que Guardiola mostra a seus jogadores como vencer cada partida.

Fomos para o intervalo sob o clima dos detalhes que ele expôs, quando ouvimos: “e pensar que esse cara queria treinar o Brasil na Copa e não quiseram…”.

Sim, não se tratava de uma novidade absoluta. O Lance!, em 2012, publicou com destaque a intenção de Guardiola de ser o técnico da Seleção Brasileira. Mas tínhamos ali um jogador que trabalhou com Pep e demonstrou ter conhecimento e mais informações.

A expressão no rosto de Dan era de “temos que explorar isso na volta”. E assim foi feito.

E Daniel falou.

Claro, não ficou nisso. As críticas sobre o atraso do futebol brasileiro e seu reflexo na Seleção compuseram um depoimento corajoso, ainda mais oferecido por um jogador em atividade.

Acho difícil que Daniel Alves volte a jogar na Seleção Brasileira, e ele sabe disso.

Nesse caso, muitos dos defeitos que ele apontou sobre a forma como as coisas são conduzidas serão comprovados.

O Bola da Vez com Daniel Alves terá as seguintes reprises:

Hoje, quarta-feira, às 19h30 na ESPN +.

Nesta quinta-feira, às 19h45, na ESPN Brasil.

No sábado, às 18h45, na ESPN Brasil.

E no domingo, às 10h20, na ESPN Brasil.

O programa também está disponível no WatchESPN.



  • Anna

    Programa histórico. Que bom que você fez parte dele junto com o Mendel e com o Dan. Sensacional. Grande abraço, Anna.

  • felipe

    O dunguismo é algo tão cretino e tão bem assessorado por neros, dungas e gilmares que o Daniel Alves pode ser convocado várias vezes nas eliminatórias para ser reserva ou sair de campo pra ser vaiado quando estiver jogando mal.

  • Gilson

    O programa foi muito bom ontem e valeu a pena ouvir o que o Daniel Alves tinha a dizer. Fora a parte sobre o Guardiola, gostei muito da parte em que ele disse que os jogadores atuais da seleção sentem medo de errar e perder a vaga de titular e até da seleção, mostrando que ao contrário do que o Dunga diz há um temor entre os convocados. Não há time que conseguir surpreender o adversário se não há confiança para poder arriscar. Interessante também ouvir que de certa maneira os jogadores são forçados a adotar uma cartilha de comportamento, que sabemos muito bem qual é. Ou seja, além de termos que sofrer com a limitações profissionais de Dunga, sua visão do que é um seleção, sabemos que os jogadores estão travados comportamentalmente e em campo também.

    Pena que o programa foi pequeno. rsrs

  • Klaus

    André, primeiramente parabéns pelo furo!

    Só uma dúvida sincera, e talvez soe até boba: em programas de TV gravados, o intervalo muitas vezes é só uma deixa (apaga-se as luzes, acende-se as luzes e continua a gravação). No caso do Bola da Vez como são os intervalos? O objetivo principal da parada chega a ser jornalístico, como nesse caso de “soltar o entrevistado”, ou é mais técnico e se aproveita para interagir?
    Obrigado e parabéns novamente!
    E que timing para o lançamento do livro, hein?
    Um abraço!

    AK: Os intervalos nas gravações do BdV são rápidos, mas suficientes para essas conversas. Às vezes demoram mais justamente porque o papo está bom. Um abraço.

    • Klaus

      Legal! Interessante saber disso, André! Era uma curiosidade antiga sobre os bastidores, instigada por este contexto com o D.Alves.
      Obrigado pela resposta!

      Um abraço!

  • Erinalva

    Assisti hoje no Pelas quadras no ESPN e adorei sua participação. Falou muito bem!
    Federer é meu tenista preferido 🙂

  • Matheus Brito

    Eu assisti a entrevista, imaginava que você iria postar sobre isso. Hilária sua reação quando ele disse que Guardiola queria o Brasil, tinha a estratégia pra ser campeão, o time na cabeça e em caso de fracasso o trabalho sairia de graça. Ontem no BP o Dan destacou exatamente essa sua reação de perplexidade, tipo “não estou ouvindo isso”.
    Daniel Alves pode até voltar à Seleção, mas também acho muito difícil que isso aconteça por dois motivos:
    1 – Todas as críticas ao cenário, aos desmandos, à desorganização.
    2 – Não colocou o Dinga como um técnico TOP de linha. Bom, imagino o Dunga convocando ele novamente e na preleção ele tentando dizer como fazer para ganhar o jogo olhando para o Daniel Alves e sabendo que ele talvez conheça os caminhos de forma mais clara que seu
    comandante.

    O que me deixa mais intrigado é se essa intenção de vê-lo fora da Seleção já não era algo que vinha sendo trabalhado. Ele só foi na Copa América porque o Titular da posição se contundiu. Detalhe, ele foi direto para o time titular. Olha o tamanho da incoerência pra não dizer do absurdo. Se o cara não ia nem para o banco, como virou titular? E quem estava lá no banco, como entendeu isso? imagino ele pensando “se eu sou reserva até de quem não é convocado, quando irei jogar nesse time?”

  • silas

    Caro André,

    Enquanto uns estão saudando a mandioca, nós saudamos a competência e o destemor de se dizer verdades!
    A qualidade de uma entrevista depende, obviamente, da inteligencia, sagacidade, veracidade e oportunismo das respostas do entrevistado, porém, se as perguntas não forem inteligentes e também oportunas, pouco contribuem para o resultado final.
    A bancada do Bola da Vez estava muito boa e, principalmente, temos que destacar como o Dan é oportuno, inteligente e sensível nas suas participações. Grata surpresa jornalistica!
    Abraço

  • Grisalho

    Como são as coisas…Daniel Alves sempre passou, talvez pelo jeito de se vestir…ou nas poucas palavras que tinha a oportunidade de falar ao vivo, um caro meio fora do prumo… alienado… ou, como cansei de escutar, mascarado. Bom, vi a entrevista todo e fiquei surpreso e confesso chateado comigo mesmo, por comprar as idéias sem nunca ter ouvido ele falar com mais profundidade. O cara passou franqueza, sinceridade. Gostei…e mudei meu conceito sobre ele.

    AK: Recebi várias mensagens semelhantes. Um abraço.

    • José Henrique

      Daniel Alves, mostrou que tem personalidade e ser uma pessoa absolutamente livre. Gostei demais do programa. E os entrevistadores permitiram que o entrevistado ficasse a vontade, ao contrário de alguns programas do tipo, mais semelhantes a cenas da inquisição.
      Parabéns a todos.

  • Erik Kim

    Um dos melhores Bola da Vez que vi!
    Que timing e que bomba de informações vindo de um jogador de ponta em atividade.
    A ver.. a ver.. se a CBF anda.

  • Sorte do Guardiola, mancharia seu nome, com esses ridículos jogadores brasileiros, que ganham muito pelo seu futebol tacanho e hilário.

    AK: O Chile tem jogadores melhores?

  • Ailton

    Caro Alberto

    Se Guardiola treinasse a Seleção o Fred não seria mais poste, o Thiago Silva não choraria e o Neymar não seria o único craque da seleção e aquela não seria a pior seleção de todos os tempos na opinião de muitos.
    O Guardiola é um excelente treinador, mas reunindo a seleção uma vez ao mês sem tempo de treinar não faria milagre, mas muitos acham que sim.
    Será que se São Paulo tivesse perdido para o Vasco, o Osório não seria questionado pela mídia esportiva?
    Gostaria que houvesse um mundo paralelo e se fosse o Guardiola tivesse perdido de 7 a 1 o que a nossa mídia esportiva teria dito.
    Não esqueçamos que no agregado o Guardiola perdeu de 5 a 0 para o Real em 2014.

    Abraços

  • Ailton

    Caro Alberto

    A campeão do Mundo de 2014 não foi a Alemanha, a Argentina vice e a Holanda 3º lugar?

    Estas 3 seleções pelos entendidos tem jogadores melhores que o Brasil.

    Abraços

  • Gustavo

    AK, mas essa história de que a briga entre o Messi e Luis Henrique aconteceu só por causa de um treino não foi muito convincente… A sinceridade do Daniel tem limites…

    AK: Foi isso o que aconteceu. Um abraço.

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