CAMISA 12



(publicada ontem, no Lance!)

REENCARNAÇÃO

O medidor de desfaçatez na ex-sede José Maria Marin quebrou. Essa é a única explicacão palatável para o anúncio feito ontem pelo coordenador técnico Gilmar Rinaldi. A CBF, conforme declarou Rinaldi no programa “Seleção Sportv”, pretende fazer um diagnóstico do futebol brasileiro e criar o que ele chamou de “plano de ação”.

O plano prevê ouvir sugestões e críticas de pessoas convidadas. A CBF quer chamar “os treinadores de futebol para conversar sobre o futuro” e “treinadores estrangeiros para debater com os nossos e buscar soluções”. De acordo com Rinaldi, representantes da mídia e profissionais do esporte e tecnologia também serão ouvidos. Uma revolução.

Ontem deve ter sido o “dia internacional do nonsense no futebol”, pois, além dessa explosão de arrojo de planejamento da CBF, Joseph Blatter mandou avisar que não é corrupto e vai para o céu. Sabe-se que o presidente da FIFA vive em realidade paralela, situação na qual agora enfrenta séria concorrência dos comandantes do futebol brasileiro.

Diagnóstico?! Quem precisa de um painel de notáveis para descobrir o que está errado? Gilmar Rinaldi e Dunga, o técnico que mandou a Seleção Brasileira proteger o 1 x 0 contra o PARAGUAI, foram escolhidos por José Maria Marin, provavelmente durante um intervalo entre uma e outra reunião para acertar o pagamento de propinas. É suficiente? Repetindo: a comissão técnica da Seleção Brasileira foi formada por um corrupto certificado que não pode ler este diário por estar preso em uma cela na Suíça.

E com relação ao “futebol brasileiro”, esse ente querido por todos nós que jamais fez parte das preocupações da CBF, quais serão as pessoas responsáveis pela análise e aplicação das informações coletadas pelo “diagnóstico”? Quem elaborará o “plano de ação”? Marco Polo Del Nero? Há quem garanta que ele não passará o Natal como presidente da entidade.

Diagnóstico? O futebol brasileiro precisa nascer de novo.

NO LIXO

A chance foi perdida cerca de um ano atrás. O 7 x 1 deveria ter sido aproveitado para trazer gente competente para trabalhar, não para dar sugestões a quem não tem preparo. Mas Marin estava ocupado com outras oportunidades e resolveu que Rinaldi e Dunga “recuperariam o respeito” da Seleção. Em termos de perspectivas, o quadro atual consegue ser mais feio.

DESCONTO

Um importante patrocinador da CBF se incomodou muito com os estilhaços locais do escândalo na FIFA. Encomendou um parecer profissional sobre a possibilidade de encerrar a associação de sua marca à corrupção. A reunião com a confederação foi rápida e pacífica. Terminou com a redução dos valores investidos e a mesma exposição. A parceria está em observação.



  • Matheus Brito

    Discordo de você que a chance de mudar as coisas surgiu naquela tarde no Mineirão. Ela surgiu quando o Santos levou uma aula de futebol do Barcelona na final do Mundial. Aquele time Santista era tido como o melhor time do Brasil, e não conseguiu tocar na bola naquele jogo. Futebolisticamente falando, levamos uma aula e não aprendemos nada. O que veio depois dali foi consequência de termos perdido essa oportunidade. A Seleção já não jogava muito mais que aquele Santos, e não mudou um centavo de seu forma de jogar desde então. Estamos atrasados há décadas na ideia de propor o jogo e alternativas à melhoria do esporte Bretão, mas aquela aula que o Barcelona de Guardiola nos deu não deveria ter sido negligenciada.
    Quanto a Marin, melhor que ele continue sem a possibilidade de ler este diário.

  • Fernanda

    Coincidência ou não, esse interesse em discutir o futebol surge exatamente quando a galinha dos ovos de ouro perde valor de mercado. A CBF tá interessada que a seleção brasileira volte a vencer, não em melhorar o futebol nacional.

  • Alisson Sbrana

    Puxa vida, AK… Fiquei pensando enquanto lia sua coluna, como sou um idiota em acompanhar com interesse as notícias da seleção brasileira. Como somos idiotas, aliás, por gostar tanto de futebol que não largamos o osso. Fiquei pensando no Juca, por exemplo, pelo tamanho de sua luta diária em divulgar fatos e deitar opiniões sobre o assunto, por tanto tempo, incessante e incansavelmente, batendo na mesma tecla desde antes dos Ricardos Avelanges.

    Como deve ser frustante acordar com uma divulgação dessas, de que ouvirão opiniões…

    Eu adoro futebol. Torço pro Santos e acho que é o melhor time do mundo para se torcer (como todos os torcedores dos outros times) e não entendo porque alguém pode torcer para outro time, sendo o Santos tão maravilhoso. Como se isso fosse a plena verdade, também torço para o Brasil. Vejo a seleção de amarelo perfilada no hino e esqueço, no jogo, que o treinador é aquilo que é, um bruto, talvez até racista ou pelo menos completamente despreparado para qualquer comentário sobre temas da alma humana (não tem a miníma noção do que pode ofender ao outro e se exaspera ao sentir-se ofendido por uma opinião contrária)… e que de futebol, jogou bem até, mas talvez nem soubesse que bem jogava, tamanha a tacanheza que tem para montar uma ideia de time. Vejo a seleção perfilada e esqueço dos Marins e Dels. Penso que a bola vai chegar no Neymar e ele vai dar uma carretilha e quero ver alguém fazer mais bonito que isso. Haverá dribles bobos, porém nossos, e objetivos, como se precisasse para justificar o ato fora do padrão.

    Enfim, ainda torço para um time de encanto que não é capaz de se gerir, nem de enfrentar a mazela do nosso futebol. E ainda torço para que o time de amarelo se faça admirar pelos outros. Mas sei que é completamente idiota.

    Não sei se preguntasse ao Juca, diretamente, ele responderia. Talvez seja aquela sensação do guerreiro que defente sua tribo, suas ideias até o fim, mesmo que ideias não sejam palpáveis e que sua tribo esteja extinta… Mas eu perguntaria a você, que segue o mesmo não sei se heroico, talvez homérico, trajeto do pai, se é possível um dia se acostumar com essa angústia, de esmurrar a faca todos os dias em todas as letras publicadas, e os donos da bola continuarem ali, impenetráveis, tomando a bola para si e levando pra casa porque tomou um drible bobo.

  • José Henrique

    Não sei onde iremos parar. Patrocinador com receio em investir em futebol, isso é gravíssimo.
    Hoje, um clube já arrebentado por leis pelés e trabalhistas obtusas, vai se perguntar até onde vale aceitar um patrocínio de uma empresa, envolvida em escândalos e sonegação.
    Ou seja, quem afinal está limpo? Parece que estamos jogando o bebê fora da bacia, junto com a água do banho.
    Acho que quem vive do futebol, deve se preocupar em arrumar uma outra atividade para sobreviver.

    • Nilton

      José Henrique, não foram as “Leis pelés e trabalhistas obtusas” que arrebentaram com os Clubes, se não me engano as leis inglesas, espanholas, germânicas e etc, não são muito diferente das nossas e em alguns pontos até mais rigorosas que as nossas (e bem mais respeitadas), mas lá quem manda são os clubes, aqui quem manda é o presidente do clube (os Sanches, Mustafás, Euricos e etc.), e isto é a diferença mais básica.

      • José Henrique

        Péssimos exemplos. De uma olhada melhor sobre quem manda no futebol inglês, nas fraudes germânicas, sem falar nas falcatruas espanholas.
        Uma coisa você disse certo, lá quem manda são os clubes, e aqui quem manda é empresário e intermediário, menos os clubes, todos falidos.
        Empresário mais rico que clube só foi criado depois dessa porcaria de lei Pelé.

  • edison_jr

    aposto uma bala juquinha que o inesgotável parreira terá um cargo relevante nesta “comissão”, “painel de notáveis” ou qualquer outra denominação que queiram utilizar.
    esta corja que se alimenta do futebol brasileira seria cômica se não fosse trágica.

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