COLUNA DA TERÇA



(publicada ontem, no Lance!)

AVANÇO

A formatação de uma liga brasileira de futebol está muito mais próxima do que se imagina, incluída aí a esmagadora maioria dos dirigentes dos grandes clubes do país. Gente séria, capaz e interessada, de diferentes setores de atividade, tem se reunido há meses para conversar sobre os diferentes aspectos da evolução do futebol no Brasil. Dessas discussões surgirá uma proposta que abordará todos os ângulos e será apresentada aos principais interessados, aqueles que deveriam estar empenhados neste processo, mas não fazem ideia de como iniciá-lo: os clubes.

A conjuntura do futebol no Brasil tem revelado a capacidade de descobrir novos subsolos a cada vez que atinge o que parece ser o fundo do poço. A recusa a compreender o significado do 7 x 1 – uma combinação de incompetência generalizada e péssimas intenções – levou a Seleção Brasileira ao estado de penúria exposto pela eliminação na Copa América. Os clubes não conseguem honrar os próprios compromissos, apesar de viver uma era sem precedentes em termos de injeção de receitas. Devem bilhões à União, mas rejeitam as contrapartidas de governança previstas na Medida Provisória do Futebol, porque seus cartolas pretendem continuar a ser os únicos espertos. E como um símbolo desse modo de operar, o ex-presidente da Confederação Brasileira de Futebol acaba de completar um mês como hóspede involuntário do governo suíço.

De acordo com o Departamento de Justiça dos Estados Unidos, ainda não conhecemos metade da missa. Mas já temos o suficiente para finalmente dar razão a quem diz que o futebol não é um ambiente recomendável para gente correta. Até pessoas bem intencionadas, bem sucedidas e dotadas de conhecimento e visão se encontrarem para desafiar essa noção e mostrar à indústria do futebol no Brasil o seu próprio futuro. É um futuro baseado na boa gestão, em um calendário coerente, na valorização do produto e de seus verdadeiros proprietários. Um futuro inatingível se o modelo que está aí desde sempre, sustentado por nomes diferentes e práticas iguais, não for dramaticamente reformado.

A viabilidade do futebol no Brasil atravessa um momento decisivo, o que não é necessariamente ruim. Não é complicado perceber a urgência para encontrar um caminho que conduza o produto a um tratamento semelhante ao que se vê nos países onde o futebol prospera. Se por um lado é obrigatório temer as forças do atraso, por outro é fácil identificar quem as representa e por quê. A tarefa mais fácil de todas é concluir que a classe dirigente que se perpetuou em nosso futebol, figura simbolizada à perfeição por Marco Polo Del Nero, não se aproxima das condições para comandar essa transformação.

A boa notícia: enquanto a cartolagem e seus carregadores de malas se preocupam com a manutenção de suas cadeiras e com o repugnante jogo político (levaram uma humilhante caneta durante a semana, em Brasília) que os conserva, há quem esteja de mangas arregaçadas e trabalhando. Mais do que nunca, é hora de torcer pelo avanço.

O QUE É CERTO É CERTO

A Seleção Brasileira jogou até chegar ao gol de Robinho, fruto de um lance tão elogiável quanto, infelizmente, raro. Depois, optou pelo expediente de quem prefere não ser o protagonista que determina o que acontece em campo. Pior: de quem acredita que esse é o caminho que leva à vitória. Dos 14 minutos do primeiro tempo aos 26 minutos do segundo, momento em que o Paraguai empatou, o Brasil se dedicou a especular. Neste período, a seleção paraguaia, cuja composição e forma de atuar não têm nada de especial, foi levada a crer que poderia conseguir seus objetivos. Parte da responsabilidade recai sobre a Seleção Brasileira, que emprestou coragem a um adversário tecnicamente inferior. A busca pela vitória sem jogo é a miragem que continua a iludir os medíocres. Se o resultado é só o que importa, o que sobra quando ele não vem?



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