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(CAMISA 12, publicada hoje, no Lance!)

CAFAJESTES

Às vésperas do segundo jogo das finais da Copa Libertadores de 2000, contra o Boca Juniors, circulou entre os jogadores do Palmeiras uma informação assustadora: uma arbitragem favorável no Morumbi dependia do pagamento de 200 mil dólares. A quantia garantiria a colaboração do árbitro paraguaio Epifanio González, escalado para a finalíssima.

O Palmeiras não pagou. Mas não demorou para que se instalasse, dentro de campo, uma sensação estranha. A atuação de González na noite de 21 de junho, diante de 75 mil pessoas, foi dessas que chamam a atenção de quem acompanha futebol pela tendência a escolher um lado. Jogadores palmeirenses – pelo menos dois, de forma inconfundível – se lembram de ouvir González dizer que “não marcaria nada” a favor do time brasileiro.

Aos 3 minutos e meio de jogo, um gol de Palermo foi mal anulado por González, que apontou impedimento de Arruabarena. Além de o lateral (atual técnico do Boca) estar na mesma linha do último defensor do Palmeiras, a bola foi tocada por Galeano, não por Riquelme. Mas o responsável pela marcação foi o auxiliar. A decisão de González que marcou a partida foi deixar de apitar um claro pênalti de Samuel em Asprilla, no início do segundo tempo. Ao receber um passe de Euler, diante do gol vazio, o atacante colombiano do Palmeiras foi empurrado pelo zagueiro que teria longa carreira na Europa.

Como se sabe, o jogo terminou em 0 x 0 e o Boca foi campeão nos pênaltis. Na semana em que a divulgação de uma conversa telefônica de Don Julio Grondona lançou suspeitas sobre a arbitragem de Carlos Amarilla em um Corinthians x Boca Juniors, em 2013, é impossível acreditar que se trata de um episódio isolado. Histórias semelhantes à da final da Libertadores de 2000 ganham força pelo continente.

Os dois últimos presidentes da CONMEBOL estão presos. As escutas telefônicas de Grondona exalam o mau cheiro da cafajestagem que sempre gerou desconfiança. A entidade que controla o futebol na América do Sul precisa ser refundada.

DONO…

Por décadas, Julio Grondona tratou o futebol como se fosse uma fazenda de sua propriedade. Em sua última coluna para o site Canchallena (canchallena.lanacion.com.ar), o jornalista Ezequiel Fernández Moores revela uma história que aconteceu em 2010, por ocasião de um amistoso entre Irlanda e Argentina. Grondona prometeu a Joseph Blatter levar Messi a Dublin…

… DA BOLA

… como parte da “indenização” pela mão de Henry que tirou a Irlanda da Copa do Mundo da África do Sul. Mas Messi estava em pré-temporada na China e o Barcelona pediu um seguro de 5 milhões de dólares para cedê-lo. Não havia como pagar, mas mesmo assim Messi viajou e jogou. Grondona deu 10 mil dólares a cada jogador irlandês para que nenhum deles o machucasse.



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