CAMISA 12



(publicada ontem, no Lance!)

LUTO

1 – Na Copa do Mundo, foi a Seleção Brasileira quem estabeleceu o clima bélico que culminou com a lesão de Neymar ao final do jogo contra a Colômbia. A arbitragem autorizou o expediente de rodízio de faltas violentas sobre James Rodríguez, no primeiro tempo.

2 – No reencontro, em Santiago, o Brasil se empenhou em marcar com lealdade. Um exagero de Teo Gutiérrez contra Daniel Alves logo foi retaliado por Fernandinho, e ambos os times se preocuparam em jogar.

3 – Só a Colômbia conseguiu. Para a surpresa de Dunga, Pekerman determinou a pressão sobre a bola próxima à área de Jefferson e se aproveitou da incapacidade da Seleção de levar o jogo ao ataque. Durante todo o primeiro tempo, o meio de campo do Brasil simplesmente inexistiu.

4 – Mais grave: ser pressionado no próprio campo é tudo o que deseja um time que se orgulha de sua transição. Mas os colombianos praticamente trancaram o Brasil na defesa. Apenas uma ocasião cedida, com Neymar, de cabeça.

5 – O controle foi tal que, no intervalo, era a Colômbia quem lamentava o placar parcial. Jogou para vencer por mais de 1 x 0.

6 – Firmino jogou por cima do travessão um empate embrulhado de presente para o Brasil, após um recuo defeituoso para o goleiro Ospina. Até então, era alarmante a dificuldade da Seleção para atuar coletivamente.

7 – O panorama não mudou, mesmo com a entrada de Philippe Coutinho e uma maior presença no campo ofensivo. Neymar, incomodado, pouco contribuiu para ao menos equilibrar um encontro em que o Brasil foi superado pela Colômbia em todos os aspectos do jogo, inclusive o técnico.

8 – A verdade inconveniente: o Brasil não conseguiu contragolpear quando não teve a bola. Quando teve, não soube o que fazer com ela.

9 – Na data de aniversário do título mundial de 1962, a Seleção Brasileira jogou de luto pela morte de Zito. Merecedor de todas as homenagens, onde estiver, “o gerente” deve ter ido dormir antes do jogo terminar.

EXPLOSIVO

A confusão após o apito final começou porque Neymar chutou a bola em Armero. Típica reação de quem não soube lidar com a frustração, compatível com o comportamento do astro brasileiro desde que levou um cartão amarelo por um toque de mão na bola aparentemente involuntário, no primeiro tempo. Irascível, Neymar pareceu farto, com a cabeça em outro lugar.

AUSENTE

Em campo, Neymar não estará tão breve. A suspensão da próxima rodada da Copa América, pelo amarelo, provavelmente será mais longa por causa do cartão vermelho recebido na saída do gramado. E o pesadelo da Copa do Mundo pode retornar um ano mais tarde, no primeiro torneio oficial de Dunga: um time desequilibrado, sem confiança e sem seu principal jogador.



  • Fabio Hideki

    Eu vi certo?
    Os jogos da última rodada serão em horários diferentes ?

    • Matheus Brito

      Sim, você viu certíssimo. Piada pronta. Quando você imagina que tudo de bizarro já aconteceu com o futebol sulamericano surge isso.

  • Matheus Brito

    O Brasil não tem mais os principais jogadores do mundo, isso é fato. Continua sendo o maior exportador de jogadores no mundo, também é fato. A diferença pra outras épocas é que criávamos candidatos à bola de ouro, ficavam pouco tempo aqui e eram vendidos rapidamente. Quem são os principais protagonistas dos times Europeus? Algum Brasileiro pode ser considerado o principal nome de algum time grande? Talvez no Liverpool. O único craque extra classe que temos está com sérios problemas fora de campo por conta de escolhas financeiras erradas. Neymar assinou o acordo com o Barça às vésperas de uma decisão de mundial pelo Santos contra esse mesmo Barça. Não dá para culpar apenas o pai dele. Ele hoje está pressionado de várias formas, seja dentro de campo com a obrigação de ser o grande nome do time, seja fora dele com a justiça espanhola em seus calcanhares e a proximidade de ser descoberto o verdadeiro valor de sua transferência. O Valor que o Santos perdeu e o valor que o DIS perdeu. Essa operação obscura começa a cobrar seu preço e vai cobrar pesado. Ele não vai render o esperado até esse pesadelo acabar.
    Voltando ao início, não temos os principais jogadores do mundo, mas temos jogadores para fazer o time jogar muito mais que isso. Não fosse o Neymar “achar” o Douglas Costa no último minuto de jogo contra o Peru estaríamos hoje, pasmem, com um ponto em dois jogos e praticamente eliminados. Se tem uma coisa que a Copa ensinou ao mundo do futebol foi que o jogo coletivo pode fazer equipes inferiores serem competitivas. Não me lembro de um jogo ruim na Copa. Times como Grécia, Argélia, USA, Suíça, COSTA RICA e outros, deixaram o mundo do futebol de boca aberta. Eu estava no Castelão para a estréia de Uruguai e Costa Rica. Estava ao lado de alguns Costa-Riquenhos que gritavam sem parar “Si, se puede”. E o que eu vi foi um time com um grande goleiro, um bom lateral, um bom meia e um atacante veloz e habilidoso, mas uma obediência tática impressionante. A forma como as linhas se agrupavam, e dançavam de um lado para outro parecendo um exército em um ataque estratégico.
    O Brasil ficou para trás AK. Estamos apostando que o Neymar vai decidir e não estamos apostando que com um forte jogo coletivo o talento fará ainda mais diferença. Não consigo imaginar o Brasil perdendo esse jogo contra a Venezuela, porque convenhamos, é muito esforço pra ir embora cedo. Mas que fique o alerta de que as eliminatórias prometem ser as mais duras de todos os tempos. Com o futebol de hoje, se não houver uma melhora coletiva significativa, o 1 x 7 na copa pode vir a ser um vexame pequeno frente a uma não classificação para a Copa de 2018.

  • Ou a seleção se organiza em tempo recorde, ou teremos outra eliminação traumática. A seleção está “fora do ar”.

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