COLUNA DA TERÇA



(publicada ontem, no Lance!)

O DIFERENTE

1 – Em uma sádica rodada de abertura para os favoritos teóricos na Copa América, a Seleção Brasileira não demorou a sofrer no Chile. David Luiz e Jefferson tomaram decisões erradas na primeira oportunidade que tiveram, acossados por Guerrero na área. Cueva marcou para o Peru e o conhecido “peso da estreia” ganhou outra dimensão.

2 – Por pouco tempo. Um gol do Barcelona logo igualou as coisas em Temuco, quando a zaga peruana ignorou a presença de um dos melhores jogadores do mundo no meio da área. Ótimo cruzamento de Daniel Alves para o cabeceio de Neymar.

3 – Menos de cinco minutos e dois gols que contradizem tudo o que foi treinado e conversado na preparação para o jogo. O futebol tem vontades próprias e uma saudável resistência a ser dominado.

4 – Jogo bruto entre Guerrero e os defensores brasileiros, especialmente Miranda. Contato adicional de ambos os lados, do tipo que fica dentro do campo quando o jogo acaba. O temperamento discreto de Miranda esconde um zagueiro que não admite bullying, seja de quem for.

5 – Formidável Neymar, exercendo protagonismo e iludindo marcadores com superioridade técnica. Mas um pouco exagerado na irritação com a arbitragem. O problema é que árbitros hoje em dia tendem a perder a razão com toda a sorte de bobagens. Neymar levou um cartão amarelo por limpar a espuma usada para marcar a posição de bola nas cobranças de falta.

6 – Comandantes da arbitragem nacional, entusiastas do juiz-estrela, já estudam a importação do mexicano Roberto García para apitar no Campeonato Brasileiro. Na espuma dele ninguém toca.

7 – O Peru teve sucesso na tentativa de dificultar a saída da Seleção desde trás, mas falhou repetidas vezes na marcação em seu próprio campo. O Brasil não deveria perdoar esse nível de liberdade.

8 – O segundo tempo trouxe sérias dificuldades do Brasil para controlar a posse, o que gerou no Peru a certeza de que poderia vencer o jogo. O tímido número de ocasiões criadas foi tão preocupante quanto os defeitos de finalização, até mesmo com Neymar, que falhou em um chute de pé esquerdo já nos minutos finais.

9 – Mas o astro do Barcelona não precisa fazer gols para desequilibrar partidas. O que se percebe nesta Seleção é a falta de outros jogadores que tenham visão para construir lances como o que determinou a vitória do Brasil. O passe para Douglas Costa, desmarcado e beneficiado pela atenção defensiva que Neymar provoca, simplesmente decidiu o jogo.

10 – A estreia deixou impressões conhecidas: Neymar é, hoje, a distância entre o Brasil e adversários historicamente inferiores. Também é um jogador que não encontra similares em sua própria seleção. Solução e, indiretamente, problema. Dar a ele a companhia que merece e que o time necessita é uma questão de oferta e escolha. Na Copa do Mundo, ficou evidente que quem precisava de ajuda para ativar Neymar era Oscar. No torneio que começou ontem para o Brasil, nem Oscar está disponível.

11 – Na frieza dos números: todos os candidatos sofreram, nem todos venceram.

ACIDENTE

O primeiro tempo de Argentina x Paraguai poderia ter terminado com vantagem de 4 x 0 para os vice-campeões mundiais, e não seria nenhum exagero. Técnicos que recuam suas equipes para proteger um placar favorável, e pagam o preço pela postura medrosa, são criticados merecidamente por falta de ambição. Não foi o que fez Gerardo Martino, que mandou Tevez e Higuaín a um jogo que vencia por 2 x 0. O empate em 2 x 2 se explica porque a Argentina jogou mal no segundo tempo, e porque o futebol é um raro esporte em que o resultado nem sempre condiz com o desempenho. Em termos de jogo, o encontro teve um claro vencedor. Essa é uma das situações em que um placar decepcionante desafia as convicções de um técnico, provocando-o a supervalorizar um acidente. Aqueles que deixam de aplicar os conceitos nos quais acreditam costumam se arrepender.



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