COLUNA DA TERÇA



(publicada ontem, no Lance!)

ESPERANDO POR NEYMAR

1 – O gramado do Allianz Parque, faz tempo, não está à altura do estádio e dos pré-requisitos para o futebol de alto nível. Se o Palmeiras merece melhores condições, o mesmo se aplica à Seleção Brasileira em um amistoso preparatório para a Copa América. Mas é só lembrar que o Brasil já se apresentou em gramados muito piores, prova de que algumas coisas não mudam na CBF.

2 – A ausência de Neymar se faz sentir em todos os aspectos, em especial na impressão que a Seleção Brasileira causa em seus adversários. Sem o principal jogador nascido no país, o time de Dunga tem o caráter de uma seleção de base, um time que a versão B do México não teme. Não há como evitar a sensação de que algo está errado.

3 – Philippe Coutinho iluminou um encontro que se aproximava da meia-hora sem praticamente nada a oferecer. O drible de corpo em Ayala foi metade do gol. A outra metade foi a finta no goleiro, ludibriado pelo gesto de um passe para trás, disfarce para a finalização rente à trave. Alguns dos recursos de um jogador diferente, possivelmente o mais promissor deste grupo.

4 – Ótima participação de Elias no segundo gol. A caneta em Rafa Márquez abriu o espaço para o generoso passe para Tardelli marcar. A triangulação do lado esquerdo do ataque, com Filipe Luis e Willian, também merece um registro elogioso. Sem ela nada teria acontecido.

5 – É interessante que os passes mais arriscados a partir do meio de campo do Brasil saiam dos pés de Elias, um jogador – apesar de certamente capaz desse tipo de ação – mais associado às funções defensivas e às aparições no ataque como surpresa. O time tem uma coleção de meias-atacantes importantes para a sequência de movimentos, mas é carente na geração de jogadas. A questão maior é se há oferta para ser diferente. Aparentemente não.

6 – Entrada feia de Rafa Márquez em Willian, do tipo que deixa más lembranças quando a perna do alvo está presa ao chão. Lance absolutamente desnecessário em um treino com uniformes, em que não há justificativa para correr o risco de machucar um adversário. Willian teve sorte.

7 – Para usar um termo da atualidade, o jogo ficou menos intenso no segundo tempo. A “ola” chegou aos vinte minutos, anunciando a queda de interesse de boa parte do público de quase 35 mil pagantes. A impressão foi de que os dois times também não se importariam se o amistoso terminasse mais cedo.

8 – A vitória manteve o histórico perfeito de Dunga no retorno à Seleção, próximo ao primeiro teste competitivo de seu time. Um time que marca bem, tem rápida transição e deve brilhar no ataque pelo aspecto individual, combinação que para muitos entendidos traduz o que é o “futebol moderno”. Técnicos de outros países dariam tudo pela chance de dirigir uma equipe com essas características. O Brasil sempre se deu o direito de almejar um pouco mais.

9 – O rendimento de Neymar será determinante. Vejamos o que ele terá condições de fazer após o final da temporada europeia.



  • Silva

    André,

    Vejo que você se equivoca quando avalia o Elias, ele não tem bola pra jogar na seleção, veja que ele não vingou na Europa, e estamos falando de Portugal. O mesmo equivoco você cometeu quando avaliou Diego Cavalieri quando ele surgiu no Palmeiras e se transferiu pra Inglaterra.

    A seleção Brasileira tem: Danilo (médio), Thiago Silva (Excelente), David Luis (bom), Marcelo (Bom), logo falta um Goleiro a altura da seleção, eu iria de Julio Cesar; No meio Luiz Gustavo (médio), Oscar (médio), William (médio) e Hulk (médio), faltam 4 jogadores a altura da seleção Brasileira para o meio campo e no ataque Firmino (médio) e Neymar (Excelente), logo temos uma seleção mediana (nota 5,5). Como nem todos estão na copa America, temos um time Nota 4,0. Não chegará a semi.

    Abraços.

    AK: Tanto Elias quanto Cavalieri podem jogar tranquilamente na Seleção Brasileira atual. Um abraço.

    • Silva

      André,

      Para completar o grupo sim, para ser titular não. Nenhum tem nível técnico para ser titular da Seleção Brasileira.

      Você também escreveu que o Barcelona Campeão da Champions em 2010/2011 foi o melhor time que você viu jogar (eu prefiro a Seleção de 82), ainda mantem a afirmação?

      Abraços.

      AK: Na Seleção Brasileira de hoje, ambos podem ser titulares sem problemas. Sobre o Barcelona, por que eu não manteria a afirmação? Um abraço.

    • Juliano

      Silva, peço licença para opinar sobre suas notas e colocas as minhas, apenas alguns pontos:
      – Thiago Silva: excelente? pra mim, bom.
      – Davd Luiz: bom: pra mim, médio, bem médio.
      – Oscar e Willian: avalio como bons, não como médios.
      – Julio Cesar: não dá mais. Mesmo.

      De resto concordo, a seleção brasileira é das mais medianas das últimas décadas. Muitos jogadores que compõem o elenco sequer seriam lembrados em outra época.

      Acredito que, em termos de talento, a seleção sentirá falta de Lucas e Oscar. Pra um futuro muito próximo, Felipe Anderson e Lucas Lima precisam ser testados. E rápido.

      Abraço!

      • Silva

        André,

        Você afirmou que eles podem ser titulares da atual seleção, não atentei a esse ponto, aí concordo contigo. Quanto ao Barcelona, aquele time mesmo com Pedro era fantástico.

        Juliano,

        Seja bem vindo a discussão, havendo respeito às diferenças de opiniões, o debate é agregador. Acho o Tiago excelente por que não vejo zagueiro acima dele no futebol mundial, ele é titular em qualquer time ou seleção, exceção à Brasileira. Não se pode dizer o mesmo de Oscar e Willian. Veja, ele supera Miranda (mediano apenas) em todos os fundamentos do futebol (técnicos s táticos). Mas o Dunga anda com essa coisa de grupo, que é importante, mas há momentos que a qualidade deve ter prioridade. Que não se repita copa 2010.

        Abraços.

        • Juliano

          Silva, concordamos mais do que discordamos. Lembrando que, “essa coisa de grupo”, que Dunga teve como lembrado na Copa de 2010, Scolari também teve com a chamada “família”. No final, as seleções de 2010 e 2014 acabaram priorizando “grupo” ou “família” em detrimento da qualidade.

          Ainda sobre T. Silva: eu acho ele muito bom zagueiro, mas não compactuo da ‘ode mundial’ em classificá-lo como o melhor zagueiro do mundo, o tal “Monstro”.

          E nessa geração não tem mais jeito: vamos de Coutinho, Willian, Oscar, F. Anderson e L. Lima. E há 4 anos as esperanças eram todas depositadas em PH Ganso… não vingou.

          No momento a Argentina parece mais rica de ‘grandes nomes’ enquanto temos vários ‘nomes médios’. Vai ser interessante observar.

          Abraço!

  • ailton

    Prezado André

    Nessas discussões de cartão amarelo por reclamação, porque não viabilizar o cartão azul e dois cartões azuis equivaleria um amarelo?

    Att,

    Ailton

    AK: Isso aumenta o problema.

    • Alisson Sbrana

      O que seria dos daltônicos!

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