CAMISA 12 



(publicada ontem, no Lance!)

AMPULHETA

Hoje faz oito dias que o império da FIFA começou a cair. Eventos que no passado recente pareciam impossíveis marcaram a última semana, com desdobramentos em sequência, como mostrou a ótima capa deste diário em sua edição de ontem. Em meio ao desabamento do modo de administrar o futebol por intermédio do enriquecimento pessoal, as coisas na CBF seguem iguais.

Calcule. Joseph Blatter renunciou e a FIFA terá um novo presidente; José Maria Marin está preso em Zurique, sem perspectiva de evitar a extradição para os Estados Unidos, onde enfrentará a segunda corte mais importante do país; a Justiça argentina está investigando a fortuna do falecido Julio Grondona; deputados paraguaios querem cassar a imunidade da CONMEBOL; e Marco Polo Del Nero quer que você acredite que ele jamais viu ou soube de corrupção no futebol.

Del Nero foi vice-presidente de Eduardo José Farah na Federação Paulista, antes de comandar a entidade por doze anos, a partir de 2003. Na CBF, deu ordens junto com Marin desde 2012, período que consta na investigação do Departamento de Justiça americano como próspero para as contas bancárias do ex-presidente (e de outros dois espécimes da cartolagem nacional). Mas o atual presidente da confederação não sabia de nada, motivo pelo qual não vê razão para sair de cena. Ao contrário, Del Nero angaria apoio entre os presidentes de federações, convocados para uma reunião na semana que vem.

Os pedidos de renúncia chegam de todas as partes. De Romário, em Brasília, a Tostão, na Folha, passando por Ronaldo. O posicionamento do Fenômeno, hoje um jogador dos negócios do esporte e por isso atento ao que lhe é vantajoso, chama especial atenção. Quando aqueles que são próximos do poder lhe viram as costas, é porque o poder não está mais ali.

Enquanto Del Nero questiona por quais motivos deveria deixar a CBF, a pergunta do lado de fora da ex-sede José Maria Marin é como ele ainda está lá.

PAUTA

Se Del Nero quer mesmo uma “nova” CBF, só há um caminho: tomar as providências para democratizar a entidade e seu processo eleitoral, de modo a permitir a chegada de pessoas não contaminadas pelo ambiente. Posicionar a confederação a favor da aprovação da Medida Provisória do futebol, que altera os métodos de governança de entidades esportivas. E se retirar.

PREJUÍZO

O nonsense repetido há anos por Vanderlei Luxemburgo precisa parar, pois age contra ele. Ferguson foi treze vezes campeão nacional, o que diz mais sobre o trabalho de um técnico do que vencer a Liga dos Campeões. Mourinho é campeão inglês e foi campeão espanhol. O último título nacional de Luxemburgo aconteceu há mais de uma década. A relação não o ajuda.



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