COLUNA DOMINICAL 



(publicada ontem, no Lance!)

SENHOR CAPITÃO

Xavi Hernández, o meio-campista que todos os meio-campistas queriam ser, anunciou anteontem que deixará o Barcelona ao final da temporada europeia. O intérprete da mais corajosa, mais difícil e mais valiosa forma de jogar futebol vai encerrar a carreira no Catar, onde também se formará como técnico. Quando chegar o momento da aposentadoria, Xavi merecerá uma coluna – será pouco – que tratará da capacidade de não só controlar seu time, mas também os outros vinte e um jogadores em campo. Esta, por ora, se ocupará de algo que passou quase despercebido em sua entrevista de despedida.

Perguntado sobre a transformação pela qual o Barcelona passou desde a derrota para a Real Sociedad, no dia 4 de janeiro, o capitão minimizou sua atuação em um pacto firmado pelos jogadores para resgatar uma temporada que parecia destinada à mediocridade. “Não sou um bombeiro, não estou aqui para apagar incêndios. Em um vestiário sempre há problemas e o de janeiro foi muito fácil de resolver”, disse. É verdade, o que não significa que a correção de rumo àquela altura não seja interessante, justamente pela simplicidade que desmistifica os momentos em que as vozes mais importantes de um grupo de atletas se fazem ouvir.

No dia seguinte à derrota em San Sebastián, Messi – poupado do jogo pelo técnico Luis Enrique – alegou uma indisposição estomacal para não participar de um treino aberto a torcedores. À tarde, o diretor esportivo Andoni Zubizarreta perdeu o cargo e Carles Puyol anunciou o encerramento de seu período como assistente da diretoria. A crise institucional acompanhou os problemas do time, nenhum tão grave quanto o escancarado descontentamento do jogador sem o qual seria impossível retomar o bom caminho.

De acordo com o jornalista Luis Martín, que cobre o Barcelona para o diário El País, a conversa dos líderes do elenco com Messi não foi um pedido, mas um alerta. Xavi exerceu sua obrigação de capitão. “Temos que resolver isso. Não pode acontecer o mesmo que na temporada passada, e você sabe. Quer que Cristiano volte a ganhar a Bola de Ouro?”, perguntou. A reunião terminou com uma mensagem explícita, comum a tentativas de solucionar problemas em qualquer ambiente: “Leo, não f…”.

A partir de então, Messi reencontrou sua forma genial, o trio de atacantes sul-americanos do Barcelona passou a atormentar os adversários dentro e fora da Espanha e o primeiro troféu de três possíveis já foi conquistado. Tudo com participação limitada de Xavi, um ícone que compreendeu as adaptações necessárias para acomodar as peças ofensivas do time e aceitou um papel secundário em uma campanha que pode marcar época.

Se isso acontecer, a história da temporada terá obrigatoriamente de ser contada com imbróglios políticos, processos judiciais, um ataque irresistível e uma conversa de vestiário que mudou tudo. Na qual o capitão prestes a se despedir fez o que faz em campo: controlou seu time para levá-lo à vitória.

ATENÇÃO

O Cruzeiro se aproximou das semifinais da Copa Libertadores com uma vitória merecida no Monumental de Nuñez. Mas Marcelo Oliveira tem toda razão ao minimizar a vantagem de seu time. As boas equipes argentinas não costumam alterar sua postura quando jogam fora de casa, o que as torna mais perigosas. O River Plate atual é inferior ao time que conquistou a Copa Sul-Americana no ano passado, mas capaz de se classificar no Mineirão, onde o conheceremos melhor. É preciso considerar que os eventos do clássico argentino que não terminou certamente prejudicaram a preparação do River. O que anima em relação ao Cruzeiro é a solidez defensiva, que faz do time mineiro o que menos gols sofreu (4) entre os que sonham com o título continental.

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O que se diz sobre o planejamento de um time que se desmancha após ser eliminado de uma competição em maio?



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