NO LANCE! DE HOJE



Abaixo, minha coluna no Lance! desta segunda-feira.

O texto normalmente aparece aqui às terças, mas recebi ordens superiores.

FITA CREPE

A nova administração da CBF iniciou sua gestão com uma gafe difícil de ser superada. Na primeira rodada – mais precisamente, no primeiro jogo – do Campeonato Brasileiro de 2015, os sinais de avanço do futebol no país se depararam com as forças do atraso, que não venceram por pouco. E como é comum, as explicações pouco convincentes revelaram em que ponto as coisas estão.

O episódio da cobertura da marca da Allianz, empresa que patrocina o nome do novo estádio do Palmeiras, foi um espetáculo de desleixo e incompetência que não poderia ter acontecido em nenhum jogo do campeonato, muito menos na rodada de abertura. E o argumento de que o equívoco foi corrigido pela CBF ainda durante a estreia de Palmeiras e Atlético Mineiro não o suaviza.

Eis um estádio de primeira classe, inaugurado em novembro do ano passado, já com os direitos de nomenclatura (um dos pilares da operação que o pôs em pé) negociados. A tabela detalhada das dez primeiras rodadas do BR-15 foi divulgada pela CBF no dia 17 de março. O cruzamento das datas mencionadas mostra que houve tempo mais do que suficiente para evitar as cenas constrangedoras vistas na noite de sábado, quando a marca da empresa que dá nome ao estádio foi coberta com placas brancas improvisadas, oferecendo um aspecto sucateado a uma das arenas mais modernas do país.

A discussão aqui não é nem se a marca deve aparecer ou não. Parece óbvio que a publicidade em estádios de futebol é um assunto a ser discutido entre os clubes, a organizadora do campeonato e quem o transmite pela televisão. Se as partes entenderem que determinados nomes não podem ficar expostos em algumas ocasiões, o mínimo que se espera é que encontrem uma maneira decente de escondê-los. O futebol europeu lida com essas questões, a Fórmula 1 também, e não vemos placas remendadas às pressas com faixas ou carros cobertos por fita crepe.

Para aumentar a infâmia do que houve no Allianz Parque, o desaparecimento do nome do estádio do Palmeiras foi um erro, e a justificativa da CBF nos contou algo que é ainda mais grave: não existem regras para esse tipo de situação. Em uma reunião com os clubes sobre a organização do Campeonato Brasileiro, há quinze dias, falou-se sobre a confecção de um regulamento de marketing que abordaria este e outros temas ligados à publicidade nos estádios. Parece que a CBF está atrasada, o que não surpreende.

Em uma nota de cinco linhas em seu site, a confederação limitou-se a dizer que a confusão de sábado se deveu ao “excesso de zelo da empresa terceirizada encarregada dos procedimentos operacionais nos estádios”, lembrando que o problema foi resolvido e não se repetirá. Teria sido um representante dessa empresa quem informou uma funcionária do Palmeiras, gravada em vídeo dizendo a torcedores que o clube “perderia mandos” se a marca da patrocinadora não fosse coberta?

Acreditemos que não acontecerá de novo e aguardemos o regulamento para um campeonato que já começou. Com uma gafe. No primeiro jogo.

CONTATO

Não é possível ganhar o Campeonato Brasileiro nas rodadas iniciais, mas é possível perder os primeiros colocados de vista e ficar diante de uma montanha íngreme demais. Os pontos somados por times com escalações alternativas neste fim de semana foram muito valiosos. Fora de casa, ainda mais.

PEGADOR

Diego Alves pegou um pênalti cobrado por Cristiano Ronaldo, no empate entre Real Madrid e Valencia. Foi a décima-sexta defesa em trinta e sete oportunidades em jogos do Campeonato Espanhol, um recorde da competição. O goleiro brasileiro, convocado por Dunga para a Copa América, tem um aproveitamento de 43% em cobranças de pênaltis. Um dado mais impressionante do que ser o primeiro goleiro a parar Ronaldo duas vezes da marca fatal. Quando o assunto é pegar pênaltis, certamente não há um goleiro tão eficiente quanto Diego no futebol mundial.



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