COLUNA DA TERÇA 



(publicada ontem, no Lance!)

CAMPEÃO DE NOVO

1 – Movimentos iniciais previsíveis: Santos mais empolgado e ousado, por estar em casa e obrigado a construir o caminho para o título. Palmeiras preparado para suportar e reagir.

2 – O Palmeiras equilibrou a balança quando Valdivia passou a se envolver mais no jogo e menos nas provocações que hoje em dia marcam quase todas as bolas divididas em clássicos. 

3 – Quatro cartões amarelos em menos de meia hora de jogo. O futebol é um esporte de contato natural e de contatos propositais. Aí está uma das origens do espetáculo teatral com o qual somos brindados a cada rodada.

4 – Robinho deu um gol para um zagueiro marcar. Discreto toque lateral para oferecer a honra a David Braz, prova de que o jogo é feito de gestos simples. A participação de Robinho eliminou a possibilidade de defesa do lance, foi 80% do gol.

5 – O capitão santista também fez parte do segundo gol ao desviar a bola para Ricardo Oliveira. O que houve depois teve a bênção da sorte e o carimbo da capacidade do artilheiro. A disputa com Vitor Hugo teve o efeito de um drible, pois a bola bateu em Ricardo e se ofereceu mais à frente, limpa. A calma diante do goleiro é própria dos melhores goleadores.

 Dudu foi o único agressor na briga por posição com Geuvânio, que gerou cartões vermelhos antes de uma cobrança de falta no ataque do Palmeiras. Não se compreende a expulsão do santista. O empurrão proposital no árbitro certamente agravará a situação do atacante do Palmeiras.

 Ao derrotar clubes rivais na concorrência pelos serviços de Dudu, o Palmeiras sabia que estava adquirindo um jogador de temperamento problemático.

 Vladimir manteve o placar em 2 x 0 com duas defesas que merecem elogios, especialmente ao negar a Zé Roberto o que seria um belo gol de fora da área. Mas o goleiro santista não conseguiu evitar que o toque de Lucas ultrapassasse a linha, no lance que recolocou o título em disputa.

9 – Magistral lançamento de Valdivia.

10 – O gol palmeirense frustrou os planos do Santos de aguardar o contragolpe para encerrar o debate. Até Victor Ramos ser expulso e deixar o Palmeiras em desvantagem numérica com quinze minutos por jogar.

11 – Neste período, a arbitragem salvou a própria atuação ao não validar um gol (do Palmeiras) em impedimento, aos 43 minutos do segundo tempo. E Fernando Prass salvou seu time ao evitar mais um gol de Ricardo Oliveira na Vila Belmiro.

12 – Faltou dizer: Robinho foi substituído nos minutos finais de uma decisão que tomava o rumo dos pênaltis.

13  Nas cobranças, faltou ao Palmeiras a execução perfeita das semifinais. A perfeição ficou ao lado do Santos, que teve a contribuição de um goleiro que não se incomodou com o peso da camisa e ainda guardou o talentoso Lucas Lima para o pênalti decisivo. 

14 – O que aconteceu no segundo tempo do jogo de ida permanecerá como um comentário obrigatório sempre que se lembrar dessa final. O Palmeiras esteve a um pênalti de desequilibrar o confronto, mas permitiu que o Santos escapasse de uma missão desesperada na partida de volta. 

15 – Robinho comemorou um título pela primeira vez jogando na Vila Belmiro; Ricardo Oliveira recuperou seus melhores momentos; Geuvânio e Lucas Lima sentiram um gosto que será frequente em suas carreiras; Vladimir literalmente defendeu a chance que recebeu com aparições cruciais. Marcas do Santos campeão paulista, frase que seria interpretada como exagero no início do ano, e que, ao final do torneio, só pode ser lida com merecimento e aplausos.



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