COLUNA DOMINICAL 



(publicada ontem, no Lance!)

SEND

Você não acredita, de verdade, que o conteúdo de um vídeo levemente provocativo pode ter impacto em um jogo decisivo, certo? Você não imagina que, no ambiente do futebol profissional, jogadores precisam desse tipo de estímulo para se mobilizar diante da possibilidade de conquistar um título. Seriamente, não.

Não? Pois pense de novo. Existem poucas situações capazes de alterar a preparação de um time de futebol para uma decisão. Mais especificamente, existem poucas coisas que funcionam como combustível adicional e podem influenciar o desempenho individual de certos jogadores. A primeira grande chance de mudar de vida, para aqueles que vieram do nada e vislumbram a porta para uma realidade melhor, é uma dessas coisas. Dinheiro, para quase todos, é outra. E o conjunto de atitudes que recebem o nome de “falta de respeito”, independentemente de ser ou não, também.

O vídeo que ganhou as redes anteontem, em que Robinho, ao lado dos companheiros santistas Gabriel e Alison, aparece cantando um funk e dizendo “vamos detonar o Palmeiras”, enquadra-se sob medida nos parâmetros do que é considerado inapropriado no futebol (ou em qualquer outro esporte competitivo). Talvez não pelo público, por causa da relação emocional e da visão muitas vezes imprecisa do que de fato acontece. Talvez não pela mídia, formada por pessoas que têm pensamentos distintos a respeito do que é certo e errado. Mas certamente pelos jogadores e pelos técnicos, sempre à procura de fatos a ser “trabalhados” nas palestras.

Não há como antever o resultado do clássico que definirá o próximo campeão paulista. Não há nem mesmo como fazer um prognóstico preciso sobre o jogo. O futebol é imprevisível e as decisões costumam exagerar na dose. Mas há como afirmar o seguinte: Robinho passará a tarde ouvindo comentários pouco elogiosos sobre o tal vídeo. Alguns serão feitos após faltas cometidas com um pouco mais de vontade, digamos, por jogadores palmeirenses especialmente incomodados com o episódio. E se o Palmeiras terminar o domingo com o troféu nas mãos, o vídeo será lembrado em diversas declarações pós-jogo.

Aqui está o mais interessante: é lógico supor que Robinho, tão experiente e vivido no futebol, conhece com exatidão quais seriam as repercussões da divulgação do material. Um jogador com a trajetória dele já esteve dos dois lados desse tipo de coisa, e não apenas uma vezO que nos leva a uma pergunta obrigatória: você não acha, realmente, que esse vídeo vazou por descuido, acha? Você não imagina que alguém se confundiu de chat no WhatsApp e mandou o “funk da vitória” para a pessoa errada. Não, você não imagina. Ainda bem que não, porque essa história tem todas as características dos acidentes provocados por alguém que está tentando entrar na cabeça dos adversários.

A entrevista de Leandro Pereira, ainda na tarde de quinta-feira, confirmou que a mensagem foi entregue. O que o atacante do Palmeiras declarou ao microfone faz pensar no que ele disse na privacidade do vestiário. Os palmeirenses que conhecem Robinho não se importaram tanto. Os que não conhecem mal podem esperar para encontrá-lo. Talvez seja exatamente isso que ele quer.

FIM

O domingo de festejos para os campeões estaduais marca o encerramento de uma parte da temporada do futebol no Brasil. Para aqueles que conseguem enxergar aspectos positivos em um calendário que precisa de reforma urgente, a aproximação do Campeonato Brasileiro traz a expectativa por jogos que têm valor real. Mas a conclusão dos campeonatos estaduais também significa o fim do ano de trabalho para clubes espalhados pelo país e dezenas de milhares de jogadores de futebol ditos profissionais. Para eles, a temporada dura cerca de quatro meses, período no qual não chegam a disputar vinte jogos. Há quem tenha coragem de defender esse modelo, ignorando a necessidade de adequação dos torneios estaduais a um planejamento de competições que permita a atividade de clubes por todo o ano. Há, ainda, quem tenha a petulância de utilizar o falso argumento da geração de empregos para manter um calendário que faz o oposto.



  • Joao CWB

    Caro André.

    O Operário de Ponta Grossa não merece uma menção após massacrar o Coritiba em pleno Couto Pereira e conquistar o seu primeiro título do campeonato paranaense após 103 anos de existência?

    O brasileirão de 2015 será dificílimo para a dupla Atletiba.

    Abraço.

    • Charles

      Caro João.

      Já venho notando isso há tempos, não é só do Paraná, outros estaduais tbém não comenta nada.

      Somente de SP e do RJ só se fosse o time da Globo!

      Bairrismo puro ou implicação mesmo?

      • Klaus

        Compartilhamos a mesma dor: faz alguns (40) anos que não vejo o AK escrever aos sábados sobre os jogos de domingo. Bairrismo temporal, puro. Só pode!

        Um abraço.

        • Joao CWB

          Klaus, quão espirituosa é a sua pessoa, rs.

          Fiz o comentário supra devido ao fato de que esse foi o último post do André e eu estou ansioso para vê-lo mencionar o Fantasma campeão paranaense.

          Abraço

        • Lippi

          Provavelmente tem alguma relação com o fato de ele morar em SP, escrever na edição de SP do jornal e, pq não, pelo fato de o campeonato de SP ser o melhor (leia-se: menos pior) dentre os estaduais.

          Assim como fiz com alguns outros comentaristas e “comentaristas”, que praticamente só falam de um time, todos têm uma escolha mais simples ao invés de reclamar: parar de acompanhar.

          Simples!

        • Charles

          Andei olhando alguns posts mais antigo.
          Realmente a maioria é de SP e alguns do Flamengo.
          Como bom jornalista deveria comentar da final do carioca, onde foi colocado o maior publico até o momento do Brasil de 2015 !! E de outros estaduais também!
          Vou parar de acompanhar AK.
          E convido todos os VASCAÍNOS a fazerem o mesmo!

  • Alisson Sbrana

    Um “funkeiro” visionário, Robinho.

    Foi o melhor em campo no melhor tempo do jogo para o Santos. Acho que a repercussão do funk serviu muito mais ao santista.

    A “provocação” foi tão sutil, comparada as clássicas de antigamente, que parecia faltar assunto na maioria dos órgãos de informação que cobrem o futebol paulista. Aliás, nem muito “antigamente”, no santos tinha aquele bando de moleques geniais do time de 2010, que, e em quase todos os jogos, faziam alguma coisa que era visto como “desrespeitoso” pelos adversários, ou críticos do time. Ou dancinha, ou comemoração ensaiada…

    E, novamente voltando no tempo, as provocações de outrora, muito bem lembradas pelo Trivela outro dia… Essas sim, do Romário, do Renato Gaúcho, ou do Vampeta, davam motivo para uma repercussão tão forte quanto essa do funk do Robinho. E lembrando que não havia watzap, instagram, o youtube não era tão popular (se é que existia). As provocações eram feitas na TV, diretamente a jornalistas com microfones e câmeras, com a clara e objetiva preocupação de se fazer ouvir pelo adversário.

  • Renato Rasiko

    André, vejo o futebol como entretenimento, um espetáculo pelo qual se paga ingresso que reverte aos que promovem e aos que são suas estrelas, da mesma maneira que um show musical, peça de teatro, etc. Os que se sobressaem, viram celebridades – essa maldição moderna – e com isso têm suas agendas cheias e ganham mais dinheiro. Um grande ator ou cantor, com talento acima da média ou que, mesmo medíocre pra paladares mais refinados, agrade ao povão, também medíocre, vai ser, necessariamente, mais requisitado e, portanto, vai estar “empregado” durante todo o ano.

    Corrija-me se eu estiver errado, mas não vejo diferença entre uma categoria – show bizz – e outra – jogadores de futebol. Não vejo o motivo dessa comoção em torno de jogadores de futebol que ficam desempregados a maior parte do ano. Me parece óbvio que eles não têm talento suficiente pra preencherem suas agendas, assim como seus clubes.

    Dou o meu exemplo pessoal: sou profissional independente. Manter a minha agenda cheia depende exclusivamente não só do meu talento e habilidade práticos, mas também da capacidade que tenho de produzir e divulgar esse trabalho – mesmo que estas eu terceirize. Ou seja, a responsabilidade é toda minha, assim como os lucros e prejuízos. Onde entra aí a responsabilidade social, por assim dizer? O que justifica uma associação lutar para que esses jogadores estejam empregados o ano inteiro se eles não têm capacidade de atrair consumidores? Que seus direitos legais – como receber em dia e afins -sejam respeitados, não se discute. Entendo que o debate proposto pelo Bom Senso, que tem meu apoio incondicional, seja em torno de melhorar as condições do futebol brasileiro em geral e dos grandes clubes em particular – quase todos em condições pré-falimentar – e tirá-los do absurdo jugo de cbf e federações, todos vampiros do talento alheio. Novos talentos vão sendo naturalmente revelados nas divisões inferiores (B, C, D…) e cobiçados pela série A. Isso é meritocracia e é a ideia que mais me parece justa e equilibrada como proposta social. Caso contrário, vamos continuar dependendo de fatores externos pra tornar realidade aquilo que queremos – o que termina por nos colocar na posição de vítima – quando o fato é que somos os únicos e definitivos responsáveis por nossas vidas e suas consequências.
    Se eu estiver errado, por favor me esclareça.
    Abraço

    AK: A questão principal não é a oferta de talento, mas o calendário que obriga determinados clubes a jogar muito e outros pouco. E os interesses que estão por trás desse calendário, que não levam em conta as necessidades de ambos os extremos, ou mesmo a qualidade do produto exibido. Um abraço.

    • Renato Rasiko

      Bem, sendo assim, caímos na velha ladainha: cbf e federações são a doença. Embora, só pra efeito de debate, eu entenda que o calendário que obriga uns a jogar muito e outros pouco seja feito em função daqueles serem atrativos e estes não. Voltando à analogia entre show bizz e futebol, as necessidades do artista famoso são preenchidas pelo seu talento e/ou capacidade de atrair consumidores.

      De qualquer maneira não vejo como se muda esse quadro enquanto os clubes – promotores e divulgadores do espetáculo – continuarem reféns de cbf e federações. E o espantoso é que não há nenhuma justifica plausível pra que seja assim. O artista tem um produtor que cuida de toda parte estrutural do show – local, divulgação, etc. – que no futebol caberia ao clube. Será que eu acerto quando acho que a maior dificuldade está na falta de união entre os clubes que impede a criação de uma Liga independente?

      AK: Exato. O produto pertence aos clubes. Um abraço.

      • José Henrique

        Renato. Gostei muito de seu comentário. E assino embaixo. Acho que gastamos muita retórica, para “socializar” o futebol, tirando rendas dos maiores para distribuir aos menores. Estou achando um absurdo essa cruzada furada, que pretende fazer com que times de futebol sejam obrigados a pautar e corrigir mazelas da sociedade. Na verdade estão sendo o pato nessa questão.
        A cada reunião de “cérebros” estamos vendo sim, a tendência de afundar os clubes ainda mais do que estão.
        Não se discutem pontos fundamentais como a CLT aplicada a jogadores, tributação estúpida sobre clubes, na minha opinião seriam isentos, e tributação pesada aplicada aos agentes e intermediários do futebol.
        Tanto esse bom senso, como personalidades do esporte, não passam nem sequer perto dessas questões. Ao contrário, as evitam. Isso é simplesmente entristecedor.
        Bom, quem sabe seja isso o que pretendam mesmo. Enfraquecer e quebrar clubes.

    • Alisson Sbrana

      Meritocracia como proposta social justa… Me parece uma frase bem paradoxal.

      Medir a porção de talento pela “agenda cheia” também me parece uma visão bem torta da coisa, mesmo que seja apenas em relação ao esporte. Se isso também se coloca para outras áreas da cultura, como arte (música, ou teatro, ou cinema), que deus nos salve no final.

      Dito isso, todos nesse nosso debate (bom, me intrometi…) concordamos com as razões do atraso do futebol brasileiro.

      • José Henrique

        Bom, depois de estabelecer quotas raciais para universidade, para índios, etc, vamos enfim estender a prática ao futebol. Que seja então. Vamos ver i que vai dar.

        • Alisson Sbrana

          Hola, José Henrique, que tal? Como estas?

          Mira! Se não me engano, você é o cara que acha que tudo é contra o corinthians, não?

          Bueno, soy cuba, mamute siberiano…

          Seja feliz.

          • José Henrique

            Não Alisson. Não são todos contra o Corinthians. Tem muitos a favor.
            Mas, a maioria, como engloba todos os outros contra certamente é maior (maioria maior kkk).
            Infelizmente o seu time, não tem uma torcida contra como a nossa, e muito menos a favor.
            Pude constatar a “enorme”comemoração aqui perto de meu bairro, com a vitoria do seu time, que me incomodou sobremaneira. 3 rojões e um morteiro de 3 tiros.
            Foi você? kkkkkkk

          • Juliano

            Alisson, tu me faz rir alto com esta reposta ao “sapiente”… de verdade!!

            Mas, vai por mim, não alimente os trolls. Eu alimentei por muito tempo, não é fácil se controlar, mas o melhor a fazer é ignorar.

            Agora, aproveitando a caixinha de comentário… cidadão se preocupa tanto com o tamanho da torcida… pra mim o que vale é o tamanho da sala de troféus! 😉

            E no fim acho até mais legal torcer pra um time diferente do bando, ou da manada. Mas isso, claro, é para poucos. Enquanto isso, ele vai contando os rojões que houve. É um doente. 😉

            Abraço!!

        • Ricardo Trevisan

          Triste iniciar o dia lendo tamanha besteira.

      • Klaus

        As coisas são mais simples e menos simplistas do que parecem.

        Para o futebol prosperar no Brasil, basta aplicar e adaptar aqui o que dá certo em locais como Europa, Estados Unidos (!) e China (!!!). Simples. Calendário, fair play financeiro, formação de base e tudo que o Bom Senso FC já mastigou e pôs quente pra quem quiser comer. Mas falta fome de progresso.

        Agora, apenas um exemplo: aqui em Guarapuava (alô, Cesar Lima!), dois clubes já chegaram às finais do Paranaense. Um vendeu o estádio (transformado em loteamento urbano) há 7 anos para saldar dívidas. O outro acabou de ser rebaixado para a 3a divisão do Estadual. Sabe o que este último fará até janeiro de 2016? Disputará um ou outro torneio de base. Sem renda, sem patrocínio, sem futuro. E jogará o Paranaense se conseguir patrocínio para tanto.

        Se houvesse um Brasileirão da série H, que fosse, regionalizado, organizado pelos clubes, haveria emprego, patrocínio, visibilidade, formação de craques… Isso não é socialização, apenas, é capitalização, inclusive. Agora, a maioria dos atleta jogará o campeonato amador da cidade, de graça, pelo amor ao futebol… O mesmo sentimento que falta à cartolagem e não impulsiona os clubes.

        Um abraço.

        • Alisson Sbrana

          Estou com o Bom Senso e não abro.

          Abraço.

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