COLUNA DA TERÇA



(publicada ontem, no Lance!)

DECISÃO NA PRAIA

1 – O encontro começou prejudicado pelas ausências de Robinho e Valdivia e pelo estado do gramado do Allianz Parque, principalmente na metade ocupada pelo Santos no primeiro tempo. No balanço das perdas, pior para os visitantes. Já o campo de jogo defeituoso atrapalha por igual.

2 – Problema inesperado para o Palmeiras antes dos vinte minutos, quando uma lesão levou à substituição de Arouca. Até então as linhas bem próximas garantiam segurança defensiva para o Santos, mas a entrada de Cleiton Xavier alterou o comportamento do ataque palmeirense. Os mandantes melhoraram após a mudança precoce.

 O passe curto no último terço do campo é uma das virtudes de Cleiton Xavier, como mostrou o lance do gol. O Palmeiras insistia demais pela esquerda até Lucas ser acionado no outro extremo, como aconteceu no jogo contra o Botafogo. A sequência do movimento também lembrou o gol da classificação para as semifinais: cruzamento rasteiro para a chegada de Leandro Pereira.

4 – Detalhe: o corta-luz de Robinho é a diferença entre impedimento e lance legal. Não há na participação do palmeirense a intenção de confundir o adversário, mas Victor Ferraz claramente cometeu um lapso de julgamento e não teve chance de defender o passe para a área.

5 – A avaliação da arbitragem de Vinicius Furlan se calcula pela expulsão tanto de Oswaldo de Oliveira como de Marcelo Fernandes, por reclamação ao fim do primeiro tempo. O apito conseguiu desagradar aos dois lados do jogo.

– Independentemente dos motivos, o exagero nas abordagens aos árbitros e assistentes continua sendo uma grave doença do futebol brasileiro dentro do campo. Desequilibrar a atuação da arbitragem passou a ser mais uma forma de disputar um jogo.

– Furlan acertou na marcação de pênalti para o Palmeiras. O braço de Paulo Ricardo está no peito de Leandro Pereira durante todo o tempo, impedindo-o de jogar. A expulsão se justifica porser uma clara oportunidade de gol. Aos dez minutos do segundo tempo, o Palmeiras se viu prestes a dobrar sua vantagem e em posição de fazer mais do que apenas vencer o jogo de ida da decisão.

8 – O segundo gol resvalou no travessão e se foi pela linha de fundo. O jogador a mais não fez diferença, em parte porque o Santos soube se organizar para minimizar os riscos. Se o Palmeiras não for campeão no próximo domingo, os eventos dosegundo tempo no Allianz Parque serão lembrados.

9 – É verdade que confrontos em dois jogos entre equipes do mesmo nível normalmente não são resolvidos nos primeiros noventa minutos. Também é verdade que um confronto em que um time tem um pênalti para fazer 2 x 0 e vantagem numérica por meia hora deveria ser.

10 – Não é por outro motivo que o Santos saiu de campo sentindo-se vivo e confiante por estar a caminho de casa. Onde terá, provavelmente com Robinho de volta, a obrigação de construir ao menos uma vitória simples. Quando Dudu se preparou para cobrar o pênalti, a tarefa santista parecia muito mais complicada.

VIOLÊNCIA

Um esporte global como o futebol deveria se mobilizar para acabar com violências como a suspensão de jogadores viciados em drogas sociais. É preocupante que clubes não se interessem pela discussão da ilegalidade de impedir um jogador de trabalhar por causa de uma doença, o que apenas o afunda no vício e diminui sua capacidade de recuperação. No lugar de longas suspensões como a que foi imposta ao botafoguense Jobson, a obrigatoriedade de se submeter aos tratamentos disponíveis, acompanhada de rigoroso controle, seria um auxílio verdadeiro a um dependenteDesde que ele não seja privado de exercer sua profissãosentir-se útil e manter a rotina que conheceafastamento, ainda mais por períodos tão extensos, revela pouca precupação com o ser humano. Os clubes fariam mais por seus jogadores se tentassem mudar esse cenário, em vez de oferecer ajuda quando a violência já foi cometida.



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