COLUNA DOMINICAL



(publicada ontem, no Lance!)

DONOS DO MOMENTO

A julgar pelo estado em que o Palmeiras concluiu a temporada passada, e pelas notícias que saíram de Santos no início do ano, não era lógico imaginar que ambos se encontrariam na decisão do título estadual. O Campeonato Brasileiro de 2014 correu sério risco de terminar com uma despedida do Palmeiras da Série A, ao final da celebração do centenário e nos primeiros jogos de vida do novo estádio. Para o Santos, 2015 começou com dramáticos problemas administrativos e a ameaça de perda de jogadores. A final do Campeonato Paulista é um testemunho da imprevisibilidade do futebol e de sua capacidade de renovação.

É possível afirmar com segurança que a busca do Palmeiras pela recuperação da própria relevância está no caminho certo. Enquanto existem argumentos válidos no âmbito da gestão e da estrutura, a validação de um time de futebol só chega quando seu comportamento em campo encontra a altura de sua ambição. E neste ponto é difícil discutir com o segundo tempo palmeirense na Arena Corinthians, no domingo passado. O oponente era o maior rival, o ambiente era inóspito, o placar era eliminatório. A atitude foi corajosa e ousada. A maneira como o Palmeiras buscou o empate é própria das equipes bem preparadas e convictas de suas possibilidades. A compostura nas séries de pênaltis revelou um sentido de bravura que formações recentes não tinham, inclusive o time que conquistou a Copa do Brasil em 2012.

O Santos não teve de enfrentar apenas as dificuldades financeiras que sobrevoam praticamente todos os clubes do país, com níveis de gravidade que acompanham a capacidade de gestão e as boas intenções. O efeito mais importante se dá no produto final, com o apequenamento do time e a desvalorização da camisa. Como já se destacou aqui, parte da solução foi substituir um comando problemático pelo que se chama de autogestão, quando o vestiário se governa e transborda para a influência na tomada de decisões. É um cenário muito mais comum no futebol do que se imagina, baseado na manutenção de um ambiente produtivo que amplia a área de atuação dos jogadores. Robinho emergiu como uma liderança poderosa, Lucas Lima e Geuvânio como referências futebolísticas e Ricardo Oliveira como fiador de um time capaz de subjugar o São Paulo sem permitir contestações, como ficou evidente na Vila Belmiro.

A final contrapõe a alta frequência do Santos – sétima aparição consecutiva – com o retorno do Palmeiras – ausente desde 2008 – ao momento decisivo do campeonato estadual. Um dado que sugere maior sede de conquista para o time dirigido por Oswaldo de Oliveira, mais pelo contexto simbólico do que esportivo. Mesmo porque o Campeonato Paulista há tempos sofre clara deterioração de seu significado como objetivo de clubes de grande representatividade. Prova de tal processo é o mínimo peso do título estadual na avaliação da temporada de equipes desse porte, especialmente quando não têm bom desempenho no Campeonato Brasileiro. Mas essa não é uma questão para ser ponderada agora pelos dois finalistas, diante da oportunidade de viver uma alegria no próximo domingo.

PROBLEMAS

Será uma pena se Robinho e Valdivia não puderem jogar amanhã. Neste caso, o Santos perde mais.

BARÇA X BAYERN

É muito melhor que Barcelona e Bayern de Munique se encontrem nas semifinais da Liga dos Campeões da UEFA, em comparação a fazerem a decisão, pelo simples fato de podermos acompanhar duas vezes um dos jogos mais interessantes dos últimos tempos. Nos processos de evolução dos dois times, este encontro marca o teste supremo. O sorteio foi bondoso com o futebol.

JUVE X MADRID

Do outro lado, é correto dizer que tanto Real Madrid quanto Juventus “ganharam” o sorteio realizado ontem. O time espanhol, porque terá como adversário a equipe que é sem dúvida a inferior, do ponto de vista técnico, entre as quatro semifinalistas. E o time italiano, porque tem, em termos de encaixe, mais possibilidades contra o Madrid do que teria contra os outros dois possíveis oponentes.



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