COLUNA DA TERÇA



(publicada ontem, no Lance!)

OS FINALISTAS

1 – O gol de Victor Ramos representou uma situação comentada desde que se percebeu que o Corinthians praticava o futebol mais competitivo do país em 2015: como o time reagiria ao sair perdendo um jogo significativo (ainda mais em casa, e para o maior rival)?

 A resposta era menos importante do que o que o jogo mostrava até, e após, o momento do gol. O Palmeiras cortava os circuitos de trabalho do meio de campo corintiano, enfraquecido pela decisão de Tite de iniciar o clássico sem Elias e Renato Augusto.

3 – O diagnóstico seria mais preciso se o jogo chegasse ao intervalo com os visitantes em vantagem, possibilidade que Danilo “por que sempre eu?” evitou e Stiven Mendoza afastou de vez. O comportamento da defesa do Palmeiras mereceu críticas em ambos os lances.

4 – No empate, por ignorar a presença na área de um jogador que parece não estar por perto, mas sempre se envolve no que de fato importa. E na virada, por tratar o jogador colombiano com um “deixa chutar” (talvez influenciado pelas informações de que Mendoza não é bom finalizador…) que se provou um equívoco de julgamento.

5 – Por estratégia ou cautela excessiva, o Corinthians resolveu chamar o jogo para seu campo após o descanso. Um convite aos meias palmeirenses para trocar passes nas proximidades da área de Cássio. Não fosse o goleiro, e a trave, Dudu teria empatado o clássico com um toque rasteiro que buscava o canto esquerdo.

 Quando Rafael Marques cabeceou, desmarcado, na segunda trave, Cássio não teve chances. O 2 x 2 era justo. Prêmio e castigo merecidos.

7 – Nos pênaltis, Fernando Prass dobrou de tamanho. Manteve o Palmeiras respirando ao defender a cobrança de Elias, e levou o time à final rejeitando o chute de Petros. Um resultado que permanecerá grande, seja o Palmeiras campeão ou não.

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 Na Vila, o roteiro do clássico da noite não fugiu ao esperado: o São Paulo jogando com a bola e tentando elaborar, esperando o protagonismo de Michel Bastos, Ganso e Alexandre Pato. O Santos jogando com o espaço e tentando acelerar, apostando em Lucas Lima, Robinho e Ricardo Oliveira. Dialetos do mesmo idioma.

2 – Troféu pessoal para Geuvânio, aos 35 minutos. Arrancada de uma área à outra, trocando marchas e ultrapassando adversários até o chute forte e precisoA longa distância percorrida deu ao lance a impressão de câmera lenta, quando a antecipação do gol captura a mente de quem torce a favor e contra. Uma beleza.

 A origem da jogada foi um passe de cabeça de Pato, na área santista, que não chegou ao destino. Mas se o São Paulo tem algo a reclamar é da própria gentileza com Geuvânio. O atacante do Santos praticamente não foi incomodado em sua jornada.

 O segundo tempo quase trouxe o gol mais polêmico do campeonato. O árbitro Raphael Claus literalmente desarmou Denílson na intermediária são-paulina. Lançado por Geuvânio, Ricardo Oliveira falhou por muito pouco em um chute cruzado. A sorte do São Paulo só não foi maior do que a do árbitro.

 Na chance seguinte, quase uma fotocópia, o centroavante do Santos falhou por menos ainda. Bola na trave. Imprecisão anormal para um atacante costumeiramente eficiente.

6 – Mais uma ocasião para Ricardo Oliveira, fechando a triangulação com Cicinho e Chiquinho. Sem goleiro, não havia como errar. Um gol com troca de passes na área significa mais do que uma alteração no placar. É uma declaração de superioridade futebolística.

 O gol de Luis Fabiano, em posição duvidosa, serviu para adicionar tensão aos últimos minutos. Mas não houve qualquer dúvida em termos de merecimento.



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