COLUNA DA TERÇA 



(publicada ontem, no Lance!)

BANDEIRAS

Não há um dirigente de futebol brasileiro em melhor fase do que Eduardo Bandeira de Mello. A gestão do atual presidente do Flamengo caminha para marcar época não só por transformações internas, mas também pelas posturas assumidas com princípios e firmeza, que posicionam o clube como exemplo a ser seguido.

Bandeira de Mello assumiu o Flamengo com o compromisso de reestruturá-lo financeiramente, o que só seria possível por intermédio de medidas antipopulares como o fim dos gastos irresponsáveis com o futebol e um discurso que pedia a paciência do torcedor com a capacidade limitada do time. O plano era basicamente colocar o clube dentro da lei: recolher impostos, honrar compromissos, pagar dívidas e obter as certidões negativas de débito que permitiriam que o Flamengo operasse de forma economicamente viável. O saneamento ainda não está concluído, mas já recebe elogios de dirigentes rivais.

A recente aprovação da versão rubro-negra da Lei de Responsabilidade Fiscal garantiu que a presente administração não será uma aventura de honestidade. Os futuros dirigentes do Flamengo terão de se adequar às novas regras que exigem gestão transparente e determinam punição patrimonial em caso de atos lesivos ao clube. A decisão do Conselho Deliberativo tem tudo para transformar a maneira como o Flamengo é visto por potenciais parceiros comerciais, uma distinção que outros clubes deveriam perseguir.

O posicionamento a favor da Medida Provisória do futebol, com as devidas contrapartidas para o refinanciamento das dívidas estratosféricas dos clubes, nada mais é do que uma extensão da forma como o Flamengo é gerido hoje. O mesmo se pode dizer em relação ao conflito aberto com a Federação de Futebol do Rio de Janeiro (em que Bandeira de Mello tem a companhia de Peter Siemsen, presidente do Fluminense), uma questão de conceitos irreconciliáveis sobre administração de futebol. A FERJ e seus parceiros representam o anacronismo que faz do futebol brasileiro um gigantesco Parque Jurássico. O futuro inevitável pertence aos clubes, e a seleção natural se encarregará de assegurar a sobrevivência dos que conseguem enxergá-lo.

O último acerto de Bandeira de Mello foi a correção de um erro cometido no ano passado, ainda no início do Campeonato Brasileiro. Jayme de Almeida foi demitido sem saber e descobriu pelos meios de comunicação que não era mais o técnico do Flamengo, uma descortesia da qual o presidente rubro-negro provavelmente se arrepende. Como atitudes valem mais do que palavras, o retorno de Jayme para ser auxiliar de Vanderlei Luxemburgo a partir de amanhã coloca uma camisa do Flamengo sobre o episódio.

Aplaudir dirigentes esportivos é uma tarefa arriscada. A grande maioria pensa e age como políticos, uma caracterização que dispensa explicações em nosso país. Também são numerosos os casos dos que chegam de outros ambientes com plataformas moralizadoras e logo são convertidos em mais do mesmo. Eduardo Bandeira de Mello parece ser diferente. 

DESENHO

Porque até as declarações mais simples precisam ser explicadas a quem não quer entendê-las, Fred precisou falar de novo sobre sua opinião a respeito do fim do Campeonato Carioca e o desemprego de jogadores. É uma questão de calendário, de oferecer trabalho por uma temporada inteira e não apenas por três meses. Esse é o ponto que os defensores do atraso se recusam a discutir. A programação do futebol brasileiro precisa ser reformada, o que inclui, obviamente, uma revisão dos campeonatos estaduais.

MENOS

A propósito: não surpreende que ex-jogadores alienados, hoje comentaristas, se posicionem a favor de modelos falidos. Mas felizmente eles não determinam o que é ou não é notícia, por isso deveriam se preocupar com o ridículo.



  • Flavio

    Odeio o e o , e o jeito que são protegidos pela grande mídia, a ponto de receber os maiores valores de cotas de transmissão (e nem assim são os melhores times – pelo menos não o ).

    Mas aplaudo de pé o Bandeira de Melo e o que ele tem feito pelo . E junto o Siemsen. Chega de intermediários no futebol (aka FERJ)! Cadê os demais clubes vestindo essa camisa?

    • Renée

      Flavio, “o” (Flamengo) e “o” (Corintians) recebem as maiores cotas porque têm, pela ordem, as maiores torcidas e, portanto, dão as maiores audiências e, consequentemente, maiores lucros. Acho que não é tão esotérico assim, não é mesmo?

      • Ricardo Trevisan

        Odiar não resolve nada e ainda pode te fazer mal… concordo com o Renée, que hoje funciona dessa forma pelos motivos apresentados. Porém, sabemos que o melhor para o futebol brasileiro, seria uma Liga ou que no mínimo os clubes se juntassem e negociassem coletivamente, o que poderia ajudar os clubes menores, que ficam tanto tempo inativos.

        • Paulo Pinheiro

          Mas como explicar ao patrocinador da partida que ninguém vai assistir ela vale tanto quanto a outra que estoura recordes de audiência? Vamos ensinar que o verde é azul e o amarelo é laranja?

          • Edmar FLAMENGO

            Concordo Paulo, esse “coitadismo” oportunista ja deu no saco, a conta é simples, GANHAAIS, QUEM ATRAI MAIS, simples aasim.

  • Teobaldo

    O presidente do Flamengo, clube que se apresenta, ao lado do Fluminense, como novo arauto da moralidade esportiva brasileira (fique à vontade quem quiser entender essa assertiva como ironia, mas a culpa, ressalvo, não é minha), publicou (e, pelo que li, aprovado pelo seu Conselho Deliberativo), o que aqui foi chamado de “versão rubro-negra da Lei de Responsabilidade Fiscal”. Entendo que tal atitude nada mais seja do que colocar no papel o “óbvio lulante” (crédito para o Simão): gaste, no máximo o que você arrecadar, caso contrário será punido por isso”.

    Tudo bem, a iniciativa é boa e válida e deve ser seguida por todos os clubes, mas só serve, mesmo, para a constatação do óbvio (desculpem a redundância, amigos). Preocupa-me o fato, embora não seja por responsabilidade do Sr. Eduardo Bandeira de Melo, que o próximo presidente do Flamengo, com respaldo do Conselho Deliberativo que o eleger e querendo gastar além da conta para corrigir possíveis fracassos técnicos, proponha, aprove e revogue o que hoje se mostra uma medida moralizadora. E se os resultados técnicos vierem… bem… que se dane o resto?

  • Raphael

    Falta incluir o presidente do Fluminense Peter Siemsen. Este apesar de não ter passado a LRF dentro do clube, tem um projeto dentro do Conselho Deliberativo para separar o futebol do Social Separar com seus ativos e passivos e criar o Fluminense SA, o que na prática atingirá os mesmos resultados de uma LRF; se for implementado.
    De resto, tem se posicionado de maneira firme em todas as questões – se posicionou contra a FERJ dois anos antes que o Flamengo – e está administrando um momento dificílimo do clube com responsabilidade financeira. Pagou dívidas, enfrentou penhoras. Se tem defeitos na parte do futebol, contrata mal, etc.. Na parte administrativa tem ido muito bem.
    Abs!

    AK: Foi citado.

    • Raphael

      Sim, foi citado como parceiro na questão na FERJ. Me referia as virtudes administrativas de sua administração.

      AK: Não me parecem à altura do que Bandeira de Mello tem feito.

      • Raphael

        Não? Em que setores a administração P.S deixa a desejar, na sua opinião?

        AK: A coluna é sobre a gestão do Bandeira de Mello no Flamengo. Siemsen foi citado, por justiça, na questão sobre a FERJ.

        • Raphael

          Não quis antagonizar, apenas citei outro exemplo de gestão séria no futebol Brasileiro para complementar e discutir aqui no espaço de comentários. Quando você não concordou fiquei intrigado em relação a razão. Só isso.
          Concordo com tudo dito em relação ao Bandeira, está de fato sendo ótimo presidente.

  • José Henrique

    A dívida do Flamengo é impagável. Joga prá torcida.
    Todos os clubes hoje em dia estão fazendo mudanças para pagar suas contas.
    O Corinthians por exemplo, já tem 80 mihões reservados em fundo para pagamento de suas dividas com o estádio.
    O Flamengo tem rendas irrisórias, jogos com presença de torcedores testemunhas.
    O Santos está s desfazendo de seus jogadores mais caros.
    E por aí vai. Hoje o mundo é outro. O ajuste vai ser compulsório.
    Não serão medidas provisórias, ou atitudes como essa do Flamengo que farão os clubes se enquadrar.
    Será a necessidade. Ou faz, ou fecha.

    • Renée

      José Henrique, seria muito mais importante do que vc imagina que os torcedores também contribuíssem com opiniões lúcidas e sugestões criativas em vez de ficar nessa eterna briguinha infantil. O que a diretoria do Flamengo está fazendo é, em se tratando de futebol brasileiro, absolutamente revolucionário e deveria ser reconhecido e seguido por todos. A menos que vc prefira a mediocridade.

      • José Henrique

        Então se ele pretende ser tão revolucionário, poderia então proibir a reeleição e seguir assim como todos o exemplo pioneiro do corinthians.
        A menos que você prefira a continuidade.

        • Renée

          Se for uma continuidade que dê frutos positivos, porque não? O problema da continuidade é quando se trata de um projeto de poder, em que os interesses pessoais se sobrepõem aos da instituição, no caso, os clubes. Há uma grande diferença entre uma coisa e outra, não é mesmo?

      • João Vitor

        José Henrique, você não compreendeu. O André está falando sobre o Flamengo do RJ e não o do Piauí.
        Eu sei q deve doer para fazer esta análise. Mas tente ser menos clubista. Lhe fará bem.

    • Raphael

      Não é nada disso. O Flamengo tem uma previsão de receita de R$ 1 BI em 3 anos. Em 5’anos, se continuar assim , o clube será uma potência mesmo que a divisão de de TV de altere. Hoje o Flamengo já fatura R$250 MI / ano em receitas marginais à cota de TV.

    • Paulo Pinheiro

      É impagável? Você já comparou o “antes” e “depois” do montante devido desde o início da gestão?

      • José Henrique

        Arrecadando desse jeito, é impagável mesmo.:
        Veja o ranking dos clubes brasileiros que mais arrecadaram em bilheterias em 2015

        1º – Corinthians – R$ 25.082.953
        2º – Palmeiras – R$ 19.144.660
        3º – Flamengo – R$ 6.835.717
        4º – São Paulo – R$ 5.668.482
        5º – Internacional – R$ 5.092.600
        6º – Cruzeiro – R$ 4.213.974
        7º – Atlético-MG – R$ 3.981.649
        8º – Grêmio – R$ 3.937.254
        9º – Botafogo – R$ 3.117.395
        10º – Vasco – R$ 2.612.690

  • Renato Carvalho

    Brilhante, André! Já até postei alguns comentários no blog do Juca sugerindo um apoio ainda maior à diretoria do Flamengo pra que sirva de exemplo. Os amantes do bom futebol querem todos os clubes fortes, com ótimos times, proporcionando grandes espetáculos. Só discordo que se dê todo crédito ao Bandeira individualmente quando, de fato, o que se tem hoje na Gávea é um Conselho Diretor onde nenhuma decisão é tomada isoladamente. Às vezes até acho que o Bandeira como presidente e, portanto, é quem representa o clube oficialmente, peca por excesso de bom-mocismo. O caso das inconcebíveis ofensas por parte do asqueroso Rubens Lopes, não respondidas à altura, é simbólico. Como vc deve saber, esse foi o motivo do afastamento do Bap, figura fundamental em todo o processo de reestruturação do Flamengo, inclusive na opinião do Zico. Espero que eles cheguem a um acordo antes das próximas eleições. Afinal, como eles mesmos proclamam “Tudo pelo Flamengo, Nada do Flamengo”. Em qualquer conflito onde a vaidade predomine, o único prejudicado é o clube. Abraço

    AK: É evidente que o crédito não é exclusivo do presidente. Mas essa é a gestão dele, para elogios e críticas. Um abraço.

  • Emerson Cruz

    Sim, eu queria um Bandeira de Mello na presidência do meu clube!
    Em alguns anos quando a casa rubro-negra estiver, enfim, em ordem (ainda mais que outras potências ainda não despertaram para o caminho da seriedade e responsabilidade) o Clube de Regatas do Flamengo pode voltar e não deixar mais de ser protagonista nos gramados do país e da América do Sul. Persistindo o cenário atual, não vai me surpreender se dentro de uma década estivermos acompanhando um período de hegemonia de títulos do Mengo no nosso futebol.
    Pena que meu time, tão gigante quanto o Flamengo, esteja, assim como a maioria dos outros, num caminho oposto ao da ética e da responsabilidade.
    Minha esperança é que o Mengão sirva de exemplo para o resto dos clubes brasileiros.
    Hoje, invejo e felicito quem torce para o Flamengo.

    • Renato Carvalho

      Emerson Cruz, sublinho o que disse ao André: o Bandeira é apenas um dos componentes do Conselho Diretor, mesmo com o rótulo de presidente. Mas a palavra final não é dele, isso posso afirmar. No Flamengo só se toma decisões através de consenso. Ou seja, pra que seu clube adote essa postura é preciso haver um grupo comprometido com um profissionalismo honesto, transparente e eficiente, onde o cabeça de cada VP tenha estas qualidades e competência gerando confiança em toda a administração.

      Agora, veja que notícia importante traz a coluna De Prima hoje: “85% dos R$ 3,8 bilhões movimentados no futebol em 2013 devem-se aos 24 maiores clubes” em levantamento do Amir Somoggi. De acordo com ele “Não há dúvidas que se os clubes quiserem, mudam radicalmente o atual cenário do nosso futebol”.

      Não há nenhuma desculpa, portanto, pra que a Liga não se efetive. A menos que tenhamos entre os mandatários mais Euricos e menos Bandeiras. Nesse caso, compete aos torcedores pressionarem seus dirigentes. Acho que até os torcedores vascaínos apoiam. Queremos um Vasco forte. Assim a vitória fica mais gostosa.

      • Emerson Cruz

        Renato, sobre os méritos da gestão Bandeira de Mello, faço minhas as palavras do André, em resposta a você no seu comentário anterior.
        Sobre uma Liga de clubes, o problema é justamente esse, há muito mais Euricos que Bandeiras.

  • Silva

    André,

    Onde estão os palpites da liga? “Deixe de preguiça.” Nos acostumou mal.
    Lá vão os meus: Juventus; Real (torcendo pelo Atlético); Barça e Bayern.

  • Gustavo

    André,

    Como o Flamengo se adequará à Medida Provisória disputando campeonatos organizados por entidades que não obedecerão às regras da MP, como a exigência da rotatividade no comando?

    Abraço.

    Gustavo

    • José Henrique

      Pois é. Proibir a continuidade, impedindo reeleições só faz quem não tem rabo preso com feudos.

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