COLUNA DOMINICAL 



(publicada ontem, no Lance!)

TEMPESTADE PERFEITA

Enquanto o Corinthians fazia com o Danubio o que bons times devem fazer com adversários frágeis, os gols de Paolo Guerrero atuavam como um gigantesco elefante cor-de-rosa passeando pela Arena em Itaquera. À diferença de situações semelhantes, em que as pessoas fingem que um tema desagradável não existe até que se torne inevitável, todos os presentes – e mais a população que acompanhava o jogo pela televisão – tinham exata noção do que os eventos significavam.

Cada gol do atacante peruano desempenha um papel na complicada renovação de seu contrato com o Corinthians. É um estranho caso em que o que é bom para o time pode não ser tão bom para o clube, em termos de negociação, porque o valor de Guerrero sobe conforme o torcedor comemora, tanto no ponto de vista financeiro quanto no aspecto emocional. A conexão do herói de Yokohama com a torcida do Corinthians caminha para um momento definitivo, cuja sensibilidade só pode aumentar.

De sua parte, Guerrero tem conseguido se manter imune aos efeitos do debate. Ele obviamente sabe que o bom desempenho o beneficiará de uma maneira ou de outra, mas também sabe que, quanto maior for sua influência no sucesso que o Corinthians experimenta neste início de ano, mais dramático será um eventual encerramento de sua passagem pelo clube. Em campo, tem superado o que normalmente se espera de um camisa 9, exercendo funções defensivas de acordo com as necessidades que se impõem, como se deu quando o Corinthians perdeu Gil no último clássico com o São Paulo. Na quarta-feira, Guerrero foi visto na lateral-esquerda, marcando um jogador do Danubio até as proximidades da linha de fundo. No final do jogo.

Estamos assistindo a um choque entre a identificação de um jogador com uma camisa e a fria realidade dos negócios do futebol. Um conflito que se desenvolve com o jogador em ação e seu clube lidando com dificuldades financeiras tão sérias que a folha de pagamento está atrasada. Em uma época em que a responsabilidade da gestão esportiva está em discussão no âmbito nacional, o caso de Guerrero se aproxima de uma tempestade perfeita: o Corinthians não tem condições de acomodá-lo em seu orçamento, mas não pode permitir que ele vá embora.

Uma amostra da vida sem o peruano foi exposta no período de sua suspensão por três rodadas da Copa Libertadores. Com Danilo disfarçado de atacante, o Corinthians empatou com o Once Caldas em Manizales, venceu o São Paulo em Itaquera e o San Lorenzo em Buenos Aires. As atuações e os resultados não devem esconder que uma coisa é ficar sem Guerrero por três jogos, outra é ficar sem ele. Enquanto prefere não se envolver publicamente em um assunto particular de um dos atletas que comanda, Tite tem comentado com seus próximos sobre a preocupação de perder o artilheiro.

Em breve, os gols de Paolo Guerrero chegarão à mesa de negociações, onde seus representantes possuemquase a totalidade do poder de barganha. O destino de uma temporada que parece promissora certamente será afetado pelo desfecho da conversa.

DEU LIGA

O movimento iniciado no Rio de Janeiro pelos presidentes do Flamengo e do Fluminense começa a se alastrar. Coritiba, Paraná e Atlético Paranaense, unidos, também conversam sobre a criação de uma liga de clubes independente da federação local. E consideram procurar o Flamengo e o Fluminense para “fazer alguma coisa juntos”, de acordo com o presidente do Atlético, Mário Celso Petraglia. No Paraná e no Rio fala-se em “situação irreversível”, prova de que a indignação dos clubes com o falido modelo de gestão das federações é capaz de levá-los a superar as questões que, até hoje, os impediram de sentar à mesma mesa e defender interesses comuns. A ruptura que já deveria ter acontecido há muito tempo, por visão e inteligência, pode acontecer agora por sobrevivência. Vejamos como se comportam os demais clubes.



  • RENATO77

    Pelos valores que vem sendo divulgados, eu não renovaria com Guerrero.
    Abraço.

  • Anna

    Adoro Paolo Guerrero! Gostaria de vê-lo no meu time. Boa semana a todos, Anna.

  • RENATO77

    Levando-se em conta uma folha salarial já bem alta…e a noticia da possível dispensa de Paulinho do Tottenham…Paulinho ou Guerrero? Pago por Paulinho, bem mais jovem.
    Abraço.

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