COLUNA DA TERÇA



(publicada ontem, no Lance!)

BOM FUTEBOL

A coluna agradece ao jornalista Alexandre Lozetti, cujo excelente trabalho frequentou por tanto tempo as páginas deste diário, pela sugestão do tema. No sábado à tarde, tão logo o Arsenal marcou o primeiro gol contra o West Ham, Lozetti foi ao twitter para observar: “Gol do Arsenal sai após troca de passes que os times brasileiros, em geral, só conseguem fazer até a intermediária. Perto da área, nunca”, escreveu.

O gol foi uma maravilha. Triangulação de seis passes entre Ozil, Ramsey e Giroud, que terminou com o chute forte do francês rumo à rede lateral. A combinação não apenas chegou perto da área como a invadiu em toques de primeira que a defesa do West Ham não pôde acompanhar, da mesma forma que se viu nos outros dois gols da vitória do time dirigido por Arsène Wenger, por 3 x 0. Os lances estão disponíveis online, se você ainda não os viu.

Uma busca rápida por jogadas semelhantes construídas por times brasileiros nos tempos recentes não produz resultados numerosos. O segundo gol do Corinthians no jogo contra o Criciúma, na última rodada do Campeonato Brasileiro do ano passado, é um exemplo: cinco passes entre Fábio Santos, Guerrero, Danilo e Renato Augusto, antes da finalização cruzada, quase sobre a linha da pequena área, do jogador que iniciou a trama. Certamente houve outros, que marcam justamente por fugir à regra que se estabeleceu no futebol brasileiro. Os gols bonitos por aqui quase sempre são fruto de qualidade individual, não de trabalho coletivo.

Por outro lado, temos uma vasta coleção de gols gerados por jogadas ensaiadas de bola parada, ou pelo aproveitamento da “segunda bola como parte da estratégia ofensiva. É evidente a insistência em formas menos trabalhosas de chegar ao objetivo, como se jogar este jogo fosse uma questão de custo e benefício. Proliferam as posturas conservadoras que se concentram em minimizar a possibilidade de sofrer um gol para, posteriormente, acreditar na probabilidade de marcá-lo. É a aplicação de uma tese que se contenta com pouco e deixa um aspecto essencial do jogo nas mãos do acaso, pois se baseia na capacidade de desequilíbrio de um ou outro jogador privilegiado.

Há uma outra tese que serve como muleta para os desleixo com o futebol coletivo: a de que a carência de material humano impede que se tente, ao menos, formar times que se associem na fase ofensiva. É simplesmente mentira. Cada treinador tira de seu time aquilo que trabalha, não apenas “o que pode”. O Rayo Vallecano, equipe espanhola formada por jogadores que precisam de crachá, é um modelo de futebol bem jogado graças à obstinação de seu técnico, Paco Jémez, por conceitos que a maioria opta por ignorar. Querer jogar bem é uma questão de escolha.

O curioso é que até em lugares de orçamento generoso e nomes estrelados, há quem eleja a pobreza como alicerce do jogo. São os chamados “planejamentos inteligentes”. A queda do Chelsea na Liga dos Campeões é uma ilustração perfeita. Em casa, vencendo e com um homem a mais, vítima de dois gols de escanteio. Em algum lugar, o futebol ri de quem o desdenha.

SEM SENTIDO

Fim de semana sem clássicos em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Rio Grande do Sul. Times grandes envolvidos em jogos que importam pouco, pois a roda dos campeonatos estaduais precisa continuar girando. As fórmulas mirabolantes, o tamanho exagerado e a simulação de interesse passam longe de qualquer discussão. Prefere-se debater o sistema de disputa do Campeonato Brasileiro.

FIQUE EM CASA

Um comentário sobre o Fla-Flu das manifestações políticas, infelizmente em clima de confronto de torcidas organizadas: o sujeito que vai às ruas defender o golpe militar é um recordista em iluminação. Não percebe que corre o risco de ser detido por apologia ao crime em um país democrático. Não se dá conta do tamanho da incoerência, da insensatez, da miséria ideológica. Isso não é exposição de insatisfação, é redefinição de imbecilidade.



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