CAMISA 12



(publicada ontem, no Lance!)

SÓ NO FUTEBOL

Há um motivo pelo qual não existem tantos filmes sobre jogos de futebol, um tema aparentemente feito sob medida para grandes diretores. É que jogos de futebol que merecem virar filmes já o são, e nenhuma recriação jamais ficará à altura do evento original, com o drama que se desenrola diante de olhos impactados pelos sentimentos que esse esporte provoca.

Usemos o Chelsea x Paris Saint-German de ontem como exemplo. Os franceses foram a Londres obrigados a fazer gols para sobreviver na Liga dos Campeões. Com meia hora de encontro, perderam o jogador que carregava as esperanças do torcedor, o sueco Zlatan Ibrahimovic, expulso. Do outro lado, o melhor time inglês da temporada, dirigido pelo técnico tido por muitos como uma referência tática mundial. O prognóstico não era bom para os visitantes.

Ficou muito pior quando o primeiro gol da noite foi marcado por Cahill, para o time inglês, quando restavam apenas nove minutos no relógio. Para o PSG, a obrigação se converteu em emergência: o empate – que forçaria a prorrogação – era a única forma de evitar a saída do torneio. Aos 41 minutos do segundo tempo, David Luiz fez 1 x 1 com um cabeceio potente. Contexto: o zagueiro brasileiro deixou o Chelsea por vontade de José Mourinho. Mais contexto: parte da imprensa inglesa refere-se a ele como um “playground player”, pela tendência a não guardar posição. 

O que se via em campo indicava que a igualdade era plenamente justa, mas o PSG estava diante de mais trinta minutos de futebol com um homem a menos. O desgaste físico fatalmente comprometeria as decisões dos jogadores, como se percebeu no lance em que Thiago Silva cometeu um pênalti sem explicação, tocando a bola com o braço. Gol de Hazard, aos 6 minutos do primeiro tempo extra. Au revoir.

Você acreditaria se alguém lhe dissesse que o mesmo Thiago fez o gol que classificou o time francês, a seis minutos do final? Só em filmes? Não, só no futebol.

DESTEMIDO

O PSG disputou quase um jogo inteiro (a expulsão de Ibrahimovic aconteceu aos 31 minutos do primeiro tempo) em inferioridade numérica, e ainda assim marcou dois gols na casa do adversário. Mourinho mencionou as falhas defensivas do Chelsea nos dois escanteios, mas a explicação passa também pela coragem sem a qual não se consegue nada no futebol.

AMADURECIDO

A noite pode ter sido um rito de passagem para o time francês, repleto de nomes e euros, mas com tímido currículo europeu. A compostura do PSG diante da adversidade revelou um time forte, no sentido coletivo, e inspirado pela pressão do momento. Os parisienses foram apresentados a todas as razões para aceitar a eliminação, mas decidiram ignorá-las.



  • Charles

    Jogos assim me voltam a memória o jogo da virada do século, final da Mercosul 2000.
    Vasco com um jogador a menos, conseguiu virar o jogo e acabou vencendo por 4×3 e conquistando o título.

  • RENATO77

    Curti!

  • Anna

    Não há filmes de futebol pá nem o roteiro mais mirabolante pode descrever a emoção e a paixão. Grade abraço, Anna.

MaisRecentes

A vida anda rápido



Continue Lendo

Renovado



Continue Lendo

Troféu



Continue Lendo