COLUNA DA TERÇA



(publicada ontem, no Lance!)

MAIS DO MESMO

1 – Parecia interessante a movimentação inicial do São Paulo, investindo nas características de Centurión. O enfrentamento com Fágner prometia ser favorável ao argentino, desde que explorado com insistência e inteligência para gerar superioridade. Mas o ataque são-paulino preferiu outras rotas, todas bloqueadas pela proteção da área dos visitantes, sem problemas. Instalava-se algo frequente na história recente deste clássico: a sensação de maior iniciativa do São Paulo.

2 – Nem todos os observadores perceberam (ainda que não seja difícil), mas Tite tem posicionado o Corinthians para ser um time que joga no espaço. A ideia é pressionar a bola não só para desarmar, mas para ativar o contragolpe engatilhadoTimes que jogam com essa proposta sorriem quando o adversário se move com burocracia e se aproveitam do engano de quem se imagina no controle.

3 – O gol de Danilo, aos 12 minutos, celebrou o encontro da oportunidade com a capacidade. Falha evidente de posicionamento da defesa são-paulina, desatenta no instante em que Fágner cobrou o lateral. Danilo entrou na área andando, Guerrero foi presenteado com tempo para escolher o que fazer.bola viajou pelo alto até o corintiano chapar de pé direito, como se fosse vigiado por seres inanimados. O resultado não poderia ser outro.

4 – Danilo não tem receio de usar o pé auxiliar. Ao contrário, confia nele em qualquer situação. Esté uma – só uma – de suas qualidades.

5 – O primeiro tempo não terminou empatado porque Cássio impediu um gol certo de Centurión. Lance difícil: o goleiro não conseguiu cortar o cruzamento de Michel Bastos e teve de voltar para se atirar diante do argentino. 

6 – Ocasião de tripla punição a favor do São Paulo: o chute de Michel Bastos desviou no braço de Gil, que estava dentro da área. A arbitragem decidiu pela marcação do pênalti e a exibição do segundo cartão amarelo para o zagueiro, ainda que o gesto de proteger o rosto tenha sido claroA terceira punição seria o gol de Rogério Ceni, que Cássio evitou com a perna e o travessão. 

7 – O segundo tempo ainda não tinha dez minutos de vida. Com um homem a mais e tanto tempo por jogar, o São Paulo se viu com tudo a favor para mudar o rumo do clássico. Mas mostrou pouco mais do que o previsível domínio territorial, com Centurión sendo o elemento mais perigoso pelo lado esquerdo do ataque. Ganso e Luis Fabiano, novamente, um tom acima em nervos e alguns abaixo em jogo.

8 – Assim como se viu no jogo contra o Palmeiras, o Corinthians se sentiu cômodo em inferioridade numérica. Tite mexeu para recuperar o nível de energia do time, Guerrero fechou um dos lados do campo, o Corinthians permaneceu concentrado sob pressão.

– O recado deixado pelo encontro da quarta-feira de cinzas em Itaquera, pela Libertadores, foi enfatizado no Morumbi: em termos de formação de equipe e ideia de jogo, o Corinthians continua consideravelmente à frente do rival. A impressão de que o São Paulo jogou mais neste domingo deve-se aos 42 minutos com onze contra dez, período que não teve influência no resultado.

PREGUIÇA

O retrocesso fica escancarado quando velhas ideias alcançam a superfície e tomam o lugar da discussão sobre os verdadeiros problemas. É inútil debater sobre fórmulas de disputa a partir do momento em que não se percebe a importância de manter clubes em atividade pelo maior tempo possível. Mesmo se os estádios estivessem ocupados, os salários fossem pagos em dia e os clubes experimentassem o progresso, apostar na imprevisibilidade como forma de equilibrar a diferença de orçamento já seria perder tempo com a ideia errada, além de um tiro no pé. Com o panorama atual, é uma irresponsabilidade que punirá quem tenta trabalhar no sentido certo. Veja quais são os dirigentes que se manifestaram a favor do retorno do mata-mata e avalie a situação dos clubes que eles administram. A imprevisibilidade é a tábua de salvação dos que perceberam que trabalhar dá… trabalho.



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