COLUNA DA TERÇA



(publicada ontem, no Lance!)

IMPÉRIO DA BOLA

A FIFA avisou ao mundo do futebol que se prepare para uma Copa realizada nos dois últimos meses do ano. O fato de o evento acontecer apenas em 2022 serve à entidade comandada por Joseph Blatter de duas maneiras: há tempo suficiente para que providências sejam tomadas e todos se acostumem à ideia; e também há tempo para que se mude de ideia e o Mundial aconteça em outro lugar daqui a sete anos.

Porque a FIFA, se alguém ainda não percebeu, pode fazer o que bem entender não só com a Copa do Mundo – sua lucrativa festa quadrienal – mas com o que conhecemos como futebol profissional, seja onde for. A simples divulgação de que um grupo de estudos concluiu que, surpresa!, o clima no Catar na metade do ano é incompatível com a prática esportiva ao ar livre já é umrecado claro de que os tentáculos da “casa do futebol” não conhecem limites.

Pode parecer exagero se preocupar com algo que está tão distante (qual é a chance de você saber como será o seu final de ano em 2022?), mas a questão principal não é essa. O ponto é a FIFA fazer todos os esforços possíveis para realizar a Copa no Catar de alguma forma, e absolutamente nenhum esforço para corrigir o erro que cometeu ao escolher uma sede inviável. Não é preciso encomendar uma investigação para concluir que o processo de votação foi, com todo o respeito, “falho”.

Ademais, um Mundial em novembro e dezembro é uma aberração que dará razão aos espertos que vivem repetindo que “ano de Copa do Mundo é atípico”. Os calendários terão de se adaptar e ajustar suas competições à janela de realização do torneio, com todas as implicações que ela impõe. No que diz respeito à liberação de jogadores, por exemplo, pouco adianta o pedido de compensação financeira do bloco dos maiores clubes europeus e da Premier League inglesa. É possível que a dinheirama do Catar até seja usada para produzir sorrisos cínicos, mas o fato é que a FIFA não tem obrigação nenhuma de pagar ninguém.

Os estatutos que governam o futebol neste planeta são claros na proteção à Copa do Mundo, independentemente do período. De modo que a FIFA pode proibir que clubes utilizem seus jogadores, ou chegar ao extremo de punir as ligas que ousem erguer a voz. Os principais campeonatos europeus, que estão na metade quando o ano chega ao fim, terão de se reprogramar. No Brasil, a solução mais razoável seria antecipar o Campeonato Brasileiro, o que pode significar a saudável medida de diminuir os comoventes estaduais.

A aprovação para a Copa do Mundo acontecer no final de 2022 será submetida ao Comitê Executivo da FIFA, que se reunirá no mês que vem, em Zurique. O plano járecebeu o apoio público da UEFA, da CAF e da CONCACAF. A Confederação de Futebol da Ásia (AFC) pode ser adicionada à lista, uma vez que seu presidente, o xeique Salman Al-Khalifa, foi o dirigente que supervisionou o estudo sobre o calor no Catar. Neste momento, o único inconveniente no caminho é a investigação do FBI que tem Chuck Blazer, um gigante arquivo ambulante, como fonte primária.  

SEM GARANTIAS

A vitória do Botafogo no clássico contra o Flamengo renova os motivos pelos quais jamais cansaremos de ver futebol. Distâncias de orçamento e expectativa foram encurtadas no gramado do Maracanã, especialmente em um segundo tempo em que o time de Renê Simões mereceu vencer. Mesmo com um gol que não aconteceria se Paulo Victor tivesse voado para a bola.

CRESCENDO

Se ainda não viu, procure online o gol de Philippe Coutinho, na vitória do Liverpool (2 x 1) sobre o Manchester City. Não há possibilidade de ser tempo perdido. O gol decisivo não resumiu a atuação do jovem meia brasileiro, que roubou a bola que originou o primeiro gol do Liverpool e jogou com a personalidade de quem quer desequilibrar. Sempre foi possível ver em Philippe o potencial para ser um jogador de destaque mundial. Hoje essa qualidade aparece com frequência muito maior.



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