COLUNA DOMINICAL



(publicada ontem, no Lance!)

OS MELHORES

Os políticos do esporte brasileiro são incorrigíveis. Assim como nossos políticos profissionais, vivem em um planeta longínquo em que não devem explicações a ninguém, despreocupados com o julgamento da sociedade. Sabem que estão seguros em suas cadeiras, mesmo que a exposição ao escárnio aumente a cada contato com o mundo real. Confiam na benevolência da opinião pública, atenta a temas mais urgentes.

Carlos Arthur Nuzman, presidente do Comitê Olímpico Brasileiro, arriscou-se anteontem a falar sobre uma modalidade esportiva que lhe é estranha. O comandante do CoRio-2016 juntou-se à campanha de divulgação da quimera do “sonho da medalha de ouro olímpica” no futebol, esse Santo Graal que tanta falta faz ao currículo da Seleção Brasileira. Nuzman pressionou as teclas de sempre, apelando a um desejo “de todo torcedor”, soando como alguém que ouve súplicas incessantes da população a cada vez que põe os pés na calçada. O rosto de nosso esporte olímpico também disse que o futebol brasileiro “ainda é o maior do mundo”, o que claramente agrega credibilidade ao discurso.

Nuzman falou após o COB anunciar a cidade de Manaus como candidata a sede do torneio olímpico de futebol em 2016. No mesmo evento, outro político de carreira no esporte nacional reapareceu para conduzir uma espetacular cocção de Alexandre Gallo, técnico (por ora) da Seleção Brasileira Sub-20. José Maria Marin, quase ex-presidente da CBF, não gostou do desempenho do time de Gallo no Campeonato Sul-Americano disputado no Uruguai. O Brasil ficou em quarto lugar por causa do excesso de individualismo dos jogadores, de acordo com o diagnóstico do cartola. Marin lembrou que “o que garante técnico é resultado”, mesmo que se trate de um trabalho em categoria de base, declaração que evidencia a profundidade do “projeto” da seleção olímpica. Como não aplaudir?

Antes de Nuzman recuperar a falácia da pátria que sonha com a medalha dourada no futebol, Gallo tinha sido o último a supervalorizar a conquista que não tem nada a ver com Jogos Olímpicos. Tampouco preencheria uma lacuna na história da Seleção Brasileira, um time que não precisa de troféus, mas de jogo. Sem falar que cobrar resultado de uma seleção de base é contrariar o caráter formador que deveria ser seu objetivo principal. Mas nada será capaz de convencer os políticos do esporte em nosso país de que os conceitos estão equivocados, e de que sem as ideias certas o sucesso – quando acontece – é efêmero. Agora Gallo está a um Carnaval de perder seu cargo e não se passará nem perto do propósito de desenvolver jogadores. É bem mais fácil chamar Neymar.

Marin e Marco Polo del Nero pensarão no que fazer com Gallo durante a folia de Momo. É possível que convoquem Dunga para acumular funções e levar a amarelinha ao lugar mais alto do pódio no Rio, plano que falhou em Pequim 2008. Gilmar Rinaldi, que não dorme desde a prata em Los Angeles 1984, estará de acordo. Como Nuzman lembrou, ainda somos os melhores.

PRÓXIMO…

Marin negou que o destino de Gallo já esteja resolvido, mas de que maneira ele poderia seguir como técnico após ter sido dispensado da função de coordenador das categorias de base? Como poderia trabalhar sob as ordens de seu substituto? Deve ser uma experiência e tanto sentar-se à mesa para dar explicações à cúpula da CBF, sabendo que a fila já andou.

LINHA DO TEMPO

A Série A italiana aprovou a utilização da tecnologia na linha do gol na próxima temporada. Os sistemas usados no Campeonato Inglês e na Copa do Mundo do Brasil, além de um novo equipamento recentemente desenvolvido, concorrem para a escolha final. Haverá testes na decisão da Copa da Itália, em junho, ou na Super Copa do país, em agosto. E já se fala em uso de vídeo por lá, como um experimento a ser avaliado pela FIFA. O futebol evolui.



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