COLUNA DA TERÇA



(publicada ontem, no Lance!)

CARTÓRIOS

Em nenhum ambiente profissional respeitável, seja qual for o campo de atuação, aceita-se um comportamento semelhante ao que Rubens Lopes exibiu no dia 30 de janeiro. Não estivéssemos tratando dos bastidores do futebol brasileiro, as ofensas pessoais dirigidas pelo presidente da Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro ao dirigente de um de seus clubes filiados teriam sido o penúltimo ato do cartola em sua cadeira. O último seria motivado pelos poderes que emanam da vergonha: um pedido público de desculpas, com a imediata entrega do cargo.

O fato de o dirigente ofendido ser Eduardo Bandeira de Mello, presidente do Flamengo, é ao mesmo tempo um agravante e um exemplo do ponto a que chegou a inversão de valores no modelo de gestão do futebol no país. Não que devêssemos relevar o episódio se nele estivesse envolvido o representante de um clube pequeno. Claro que não. Mas a ausência de preocupação de um dirigente de federação diante da ruptura com um clube das dimensões do Flamengo revela o quanto o futebol brasileiro já caminhou no sentido oposto ao que deveria. A primeira medida a tomar é parar no acostamento e substituir o motorista.

O nível rastejante de conduta de Lopes é absolutamente constrangedor, mas não consegue camuflar o que de fato importa nos desentendimentos entre o clube e a FERJ. Em uma disputa de braço de ferro em que de um lado está o Flamengo e no outro a federação, não há possibilidade de derrota para a maior torcida do país. É evidente que o mesmo raciocínio vale para os demais clubes brasileiros de grande representatividade, desde que, é claro, todos entendam como devem se portar para defender o produto do qual são proprietários.

Um caso parecido se deu em São Paulo, na sexta-feira passada. Em suas últimas horas como presidente do Corinthians, Mário Gobbi derrotou a ideia de torcida única no clássico no Allianz Parque com uma entrevista devastadora no conteúdo, ainda que folclórica na forma. Além das objeções do presidente do Corinthians quanto à maneira arbitrária com que se tentou impedir a realização de um jogo de futebol como se deve, foi o peso do clube que ele representa o fator decisivo para o passo atrás da Federação Paulista de Futebol. Aguarda-se a explicação da FPF sobre sua postura estranhamente apressada e unilateral em uma questão que deveria ser debatida com maior amplitude.

O ponto mais importante externado por Gobbi, no entanto, foi a incapacidade dos clubes de trabalhar como parceiros. Enquanto não descobrirem que são adversários apenas dentro do campo e que necessitam formar um bloco para impor suas condições no aspecto comercial, os clubes permitirão a existência e a influência de figuras como Rubens Lopes. E enquanto não tomarem para si a organização das competições que disputam, terão de enfrentar episódios como o que se viu às vésperas do clássico paulista.

Federações nada mais são do que cartórios dos quais os clubes não precisam. Que os eventos recentes no Rio de Janeiro em São Paulo abram os olhos de dirigentes subservientes.

IDADE

É natural que o Corinthians tenha sido superior ao Palmeiras, em jogo, no primeiro encontro dos rivais no ano. Há mais sentido coletivo em uma escalação alternativa de Tite do que em qualquer formação que Oswaldo de Oliveira possa escolher neste momento. É uma questão de construção de equipe que é simples de compreender e não deveria gerar impaciência entre torcedores palmeirenses. Um dos aspectos em que ela se manifesta é justamente a organização defensiva que o Corinthians mostrou a partir do instante em que ficou com um jogador a menos. Quanto à partida, talvez Cássio não tenha merecido o primeiro cartão amarelo por retardar o jogo, mas, uma vez advertido, não deveria testar a paciência do árbitro em uma situação idêntica. A expulsão que transformou o encontro era evitável, assim como a de Paolo Guerrero na quarta-feira.



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