CAMISA 12



(publicada ontem, no Lance!)

ELÁSTICO

1 – Sobre uma coisa não resta dúvida: Emerson Sheik olhou para o gol. Após a finta no marcador, ergueu a cabeça e checou a posição do goleiro. Chutou para o gol? Ele não parece se preocupar com a opinião alheia. É uma boa receita para ser feliz.

2 – Sheik, é bom lembrar, tem categoria para fazer esse gol. Marcou um semelhante na Vila Belmiro, nas semifinais da Copa Libertadores de 2012. Aquela bola já sabia para onde ia no instante em que partiu.

3 – O Corinthians não tirou proveito da vantagem instantânea. Teve ocasiões para aumentá-la, mas também permitiu que o Once Caldas acreditasse no empate. A defesa reticente convidou o time colombiano a avançar. Um risco desncessário, ainda mais tão cedo.

4 – O que o corintiano diria se soubesse que Paolo Guerrero não jogaria nem meia hora de um confronto que terá três? E não por lesão, mas por uma cotovelada e um cartão vermelho? Sim, Pérez merecia a mesma punição, o que não resolveria o problema da ausência do atacante peruano no jogo de volta, quando fará mais falta do que fez em Itaquera.

5 – Sheik mandou mais um “cruzamento” no travessão de Cuadrado, no final do primeiro tempo.

6 – O futebol é mais justo do que a vida, pois autoriza correções de rumo em questão de minutos. Felipe foi o caminho dos ataques do Once Caldas na primeira parte. Mas subiu com estilo para desviar para a rede o escanteio cobrado por Jádson, no reinício. O gol se sobreporá às falhas.

7 – A fase prévia da Libertadores já impõe problemas suficientes por exigir ritmo de competição no amanhecer da temporada. Com um jogador a menos, o Corinthians pagava um preço mais caro pelo esforço extra.

8 – Pagava até os vinte e quatro minutos, quando Murillo levou o segundo cartão amarelo – muito mais fruto da consciência culpada do árbitro – e igualou as condições. Em segundos, uma jogada coletiva formidável produziu o terceiro gol.

9 – Em termos estéticos, porém, nada superaria o toque de calcanhar de Renato Augusto para o gol de Fágner.

RECÍPROCO

O equívoco de critério do árbitro argentino Patrício Lostau não foi no cartão para Guerrero, mas no cartão para Pérez. O tapa na boca do colombiano, claro e intencional, é para expulsão. O golpe na nuca do corintiano, na disputa pelo alto, também. Guerrero seria muito importante no jogo de volta, se o resultado de ontem não fosse tão largo.

CASCA

O Corinthians demorou a dominar as ações, por ter perdido um jogador no primeiro tempo. Enquanto o time precisou de coragem, o futebol de rua de Emerson Sheik se fez presente de diferentes formas. Além de um gol e da participação em outros dois, Sheik contribuiu com a postura sem a qual o Corinthians não iria à Colômbia com tanto conforto.



  • José Henrique

    Delicioso texto André. Você e Mauro Betting, são os melhores nesse estilo de comentário, senão os únicos, pelo menos dos que acompanhamos.
    O corinthians, vem acabando sistematicamente com todas as piadinhas criadas sobre ele.
    Depois de acabar com o “nunca serão”, sepultou o “sem estadio ou marginal sem número”, e na quarta, fez murchar a piadinha chata do “#tolimaday”, freneticamente lembrada desde a classificação para a primeira fase da Taça Neurose.
    O Corinthians está se especializando em deixar o futebol chato, ….para os criativos piadistas.
    Enquanto isso, desfrutamos do nosso “invictos nunca serão”

  • Pablo

    André
    Faz um post resumindo a tua experiência no SUPERBOWL

  • Joao Henrique Levada

    O PVC disse algo que achei muito pertinente:

    Emerson Shake foi macho.

    Abraços, Dezinho. Seja bem vindo de volta.

    Em tempo: estive lembrando daquela sugestão de texto, sobre um paralelo entre as carreiras de Pato e William. Eu, achando que William cresceria na competição, resolvi lhe escrever e… gol da Alemanha!

  • Espero somente que o Corinthians tenha aprendido com a Copa do Brasil/2014, pois esteve com 03 gols de vantagem sobre o Galo (quando fez o primeiro gol do segundo jogo), e tomou 04.
    Tem que ter atitude para convencer e entrar com moral na fase de grupos.
    O time parece mais “ligado” neste início de temporada. Só nos resta torcer pela volta dos bons tempos (que aliás, não faz muito tempo).
    Classificação, somente após o apito final do segundo tempo do jogo de volta.
    Abraço.

  • Luciano

    Caro André, não terá nada no blog sobre o SuperBowrl??? Gostaria de ler sua análise do jogo, final dramático e o que você sobre o futuro dos QBs dos 2 times que fizeram a final. Abs

  • Juliano

    AK, suprimido do texto o gol do Once Caldas, que seria de empate naquele momento, caso fosse legal. Não achaste que fora um momento relevante do embate? Ainda, foi suprimido por concordar com o apitador? Os ex-apitadores, atualmente comentaristas de arbitragem nos mais diversos canais de esporte pagos no Brasil, não chegaram a um consenso. Qual a sua visão?

    Outro ponto suprimido: agressão do Fábio Santos em seu colega de profissão. Agressão deliberada, com 4 a 0 no placar, com relógio marcando 45 minutos da segunda etapa. Não existe nada que possa justificar tamanha maldade e imbecilidade. Escroto, condenável.

    Abraço!

    PS: nem precisa jogo de volta…

  • RENATO77

    Sheik é monstro.
    Que futebol é esse em que um jogador volta após os 30 anos do exterior, num mercado de terceira categoria, é campeao brasileiro por 3 anos consecutivos e em 3 clubes distintos, o ultimo titulo brasileiro o indica um caminho que termina no titulo mundial pelo SCCP….que historia!
    Abraco.

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