CAMISA 12



(publicada ontem, no Lance!)

OSSO

Coube a um jogador argentino marcar o gol que possivelmente uniria o Auckland City aos fenômenos Mazembe e Raja Casablanca. Emiliano Tade, nascido em Santiago del Estero, se viu diante do momento de sua vida no segundo tempo do jogo de ontem contra o San Lorenzo.

A semifinal do Mundial de Clubes da FIFA estava empatada em 1 x 1. Entre o constrangimento e a emergência, os campeões da Copa Libertadores pressionavam com a negligência que caracteriza os times desesperados: correndo riscos em nome de um gol salvador. Os neozelandeses estavam configurados para o contra-ataque e tinham campo para jogar. Aos 31 minutos, uma chance do tamanho da Oceania.

Contragolpe pelo lado direito, três contra um. O passe para o centro foi preciso na direção e na força. Tade acompanhava a jogada, ajeitou para finalizar na saída do goleiro Torrico, e “chutou” com o osso externo do tornozelo esquerdo. A bola voou para longe do gol argentino, carregando consigo a importância de uma virada àquela altura e a estranha sensação que amaldiçoa os que falham quando a sorte lhes sorri.

Dito e feito, claro. O San Lorenzo teve ocasiões ainda no tempo normal, avisos do destino aos semiprofissionais campeões da Oceania. O time do Papa chegou ao segundo gol no primeiro ataque da prorrogação, oferecendo a Francisco um saboroso presente de aniversário de 78 anos. A bola na trave de Torrico, que empataria novamente o jogo, apenas aumentou o tamanho do gol que Tade não fez. Material suficiente para uma vida de sonhos ruins.

O San Lorenzo caminhou de mãos dadas com a decepção que o Internacional e o Atlético Mineiro – únicos sul-americanos eliminados nas semifinais do Mundial de Clubes – experimentaram. Foi salvo por um tornozelo. O futebol e seu incompreensível senso de humor. No rugby, com tradição e favoritismo invertidos, seria um tremendo passeio.

DECISÃO

Chegou o momento. A bancada da bola da Câmara dos Deputados aprovou emenda que beneficia os clubes que devem à União, sem qualquer contrapartida. A Medida Provisória que salva os dirigentes de futebol irresponsáveis chegará à mesa da presidente Dilma Roussef, que terá a oportunidade de honrar o compromisso que estabeleceu com os jogadores. Ou de trai-los.

AH, AS MEDALHAS…

A Confederação Brasileira de Vôlei está envolvida por um escândalo de desvios de verbas, comprovados por um relatório da Controladoria Geral da União. O Banco do Brasil, em medida que merece aplausos, fechou a torneira que enriquece espertos. Atletas estão revoltados, e com toda a razão. Mas Carlos Arthur Nuzman, presidente do COB, só está preocupado com as medalhas.



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